PARA ONDE O MUNDO VAI E PARA ONDE VAI O BRASIL?

O mundo contemporâneo experimenta, como em vários momentos da história, uma espécie de ciclotimia. Ora vive circunstâncias de sobressaltos diante de ameaças de conflitos entre potências e grupos politicamente diferenciados em suas aspirações e desejos ou, por outro lado,  enfrenta temores diante da expansão de segmentos políticos, de grupos  separatistas ou de grupos  religiosos que se alimentam, muitas vezes, de atos terroristas para fundamentar suas idéias, crenças ou condições como, por exemplo, certas parcelas do mundo islâmico. Afeganistão, Síria, Iraque, Turquia, entre outros, vivem, permanentemente, administrando conflitos, muitas vezes, de caráter sanguinolentos.

Também, em  outras oportunidades, o mundo vive as atitudes erráticas derivadas de comportamentos exóticos como os de um contumaz e inveterado falastrão cujas ações ou proposições beiram a irresponsabilidade, como é o caso do desmiolado Trump. Agora mesmo, em mais uma exibição de poder, sem avaliar as consequências pra mundo é para a própria imagem dos Estados Unidos lá fora que piora, sensivelmente, o Presidente decidiu romper o acordo nuclear com o Irá. Isto trará consequências econômicas, sociais e políticas náo avaliar pelo “dono do mundo”.

Se isto já assusta grande parte do mundo, a exibição de calculismo, de frieza e de ânsia em aparecer para o mundo como um  tzar dos novos tempos e, com isto, tentar recuperar a grandeza passada do império soviético, na figura do ex-KGB, o enigmático Putin, põe mas lenha na fogueira e leva a solavancos nas relações entre Estados Unidos e Rússia. De sobra o mundo ainda tem que conviver com a histrionice de um jovem detentor do poder na Coréia do Norte que, vez por outra, ameaça a humanidade com o possível uso de seus brinquedinhos na forma de mísseis intercontinentais e de armas nucleares.

Mas, apesár de tais exteriorizações de poder e exibicionismos, parece  não haver risco de o mundo enfrentar uma grande catástrofe pelo apertar de um botãozinho na hora errada por algum tresloucado líder de uma das grandes potências mundiais. As salvaguardas, os controles e o sentido de responsabilidade que dominam as forças armadas de tais nações impedem que se corra tais inusitados e perigosos riscos. A tendência é que as coisas fiquem só nas ameaças e sejam superadas pelo bom senso, pelo equilíbrio e pela dimensão dos estragos irreparáveis que tais decisões poderiam gerar para o futuro da humanidade.

Assim, por mais que se queira ser pessimista quanto ao futuro do mundo em decorrência de conflitos insuperáveis entre povos e nações, a tendência é que, riscos maiores se tem, muito mais diante da degradação do meio ambiente, dos desequilíbrios gerados capazes de alterar o regime dos mares, dos problemas derivados das drogas de toda ordem e de um sem número de fatores que alteram o ir e vir, o respirar, o conviver e o viver dos povos. Fora tais adversidades, o mundo marcha para mais e mais conquistas na medicina, no antecipar catástrofes, no monitorar desequilíbrios físco-espaciais, no conhecer mais profundamente a mente e o organismo humano, além de outros avanços e incursões científicas, permitindo que os tratamentos de doenças, sequelas e problemas sejam mais bem sucedidos e não gerem riscos inaceitáveis à vida e ao destino das pessoas.

Quando se olha o Brasil também nessa perspectiva, o que se assiste hoje é um muito mais um País sem vontade, desestimulado, desprovido de entusiasmo para o enfrentamento dos seus problemas e desafios do que outros temores que assaltam nações divididas por problemas étnicos, raciais, religiosos ou insuperáveis divisionismos regionais. E, mesmo que não existam tais riscos, lamentavelmente, hoje o Brasil, sem maiores razões e causas, é uma nação em estado de inaceitável belicosidade onde, o homem cordial do passado viu-se superado pelo homem do conflito, do desentendimento, da provocação e da descrença em tudo e em todos.

Hoje todas as manifestações públicas que se assiste, são de revolta, de insatisfação e de uma ânsia em confrontar tudo aquilo que, por alguma razão, as pessoas têm discordâncias ou se sentem, de algum modo, insatisfeitas ou prejudicadas. O Brasil hoje é um País mergulhado no desânimo e, mais que isto, além de não acreditar nos seus líderes e nas suas instituições,  não tem quase nenhuma parcela de tolerância, de compreensão e de paciência com as divergências e com as diferenças.

Nem os avanços alcançados como os que a Lava Jato já conseguiu e vem conseguindo no sentido de fazer com que a sociedade volte a acreditar na sua instância maior, a Justiça, tem sensibilizado os brasileiros. Os principais líderes políticos, os mais importantes empreiteiros, muitos gestores públicos conhecidos e, até bem pouco, respeitados, foram presos, desmoralizados e mostrados a uma nação acostumada com a impunidade, com uma pitada de indignidade, mostrando que, em toda a história recente do Brasil, nunca se assistiu a tal atitude das autoridades constituídas.

E isto, diga-se, a bem da verdade, representou um grande avanço diante de uma sociedade permissiva em licenciosidades e delinquências. E, o próprio Congressso, tão desacreditado e tão desmoralizado, mesmo assim foi capaz de aprovar uma Lei da Ficha Limpa que irá  enxotar, com certeza, figuras mal vistas e com currículos questionáveis das chances de concorrer a cargos públicos, mesmo tendo meios e mais meios, tanto lícitos quanto ilícitos.

Esse mesmo Congresso também foi capaz de aprovar legislação dura relacionada aos gastos eleitorais  e também aprovou norma capaz de inviabilizar os chamados partidos ou siglas de aluguél. Assim, hoje o Brasil já conta com legislação específica destinada a reduzir a proliferação de uma enxurrada de partidos políticos como sói ocorrer até agora. A partir da  aprovação da chamada Cláusula de Barrreira essa farra não mais ocorrerá. Diante das desconfianças da sociedade e diante da natural ânsia de sobrevivência dos Parlamentares, não se pode deixar de afirmar e reconhecer que o que se conquistou, através desse Legislativo tao desacreditado,  foi da maior relevância para os destinos do País. Claro que se podia querer mais e o Brasil precisava de mais. Mas, o que já foi alcançado representou um notável avanço.

Não obstante essa possível embora inaceitável frustração de expectativas da sociedade civil brasileira, é fundamental entender que os ganhos na construção de uma nova moral e uma nova ética para o país e, na recuperação ainda que parcial, da confiança na Justiça, já significou um grande avanço. Se isto já não bastasse,  duas medidas que se complementam para estabelecer uma nova atitude na sociedade foram recentemente aprovadas. No caso o chamado fim do foro privilegiado que, aliada a uma decisão de permitir a prisão de alguém apenado por órgão colegiado, em segunda instância, estabeleceram novos paradigmas de convivência na sociedade brasileira.

Assim, espera -se que os brasileiros, numa reflexão crítica mais compreensiva e indulgente,  diminuam o seu pessimismo pois que, com certeza,  algo de novo está a acontecer neste País ora deprimido mas que, se avaliar bem o que já se conquistou, irá  concluir que o Pais avançou, deveras. Portanto, é tempo de reflexão crítica e de buscar recuperar a crença e o entusiasmo nesse país tantas vezes visto como o País do Futuro mas que, parece ter chegado  a hora de concluir que a hora é agora e não adianta lamentar erros e equívocos cometidos em passado recente. Nem e’ mais hora de chorar o chamado “leite derramado”  em face dos inúmeros erros cometidos pelos seus líderes em passado recente e nem derramar lágrimas pelo ônus que os brasleiros sofreram e ainda sofrem até hoje. Para a frente é que se anda e que se caminha.

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