POLÍTICA E FUTEBOL: A CARA DO PAÍS!

Nada melhor para definir a cara e o sentimento dos brasileiros do que essas duas faces de sua vida e do seu cotidiano, quais sejam o futebol e a política. O futebol, ao despertar paixões e emoções, ao promover sonhos e provocar flutuações de sentimentos que, as vezes,  caracterizam uma espécie de ciclotimia,  gerando altos e baixos no “mood” e no humor dos brasileiros, marca, mais que qualquer outra coisa, a forma como reagem os patrícios. A politica, por outro lado, ciência, presumidamente, “do domínio” de todos os cidadãos brasileiros, que, pasmem, são capazes de externar opiniões e avaliações, às vezes tão peremptórias, sobre personagens, o quadro e as perspectivas dessa atividade! Diga-se, estranhamente, tal complexa matéria, muito mais do controle e do domínio da maioria dos patrícios do que qualquer outro ramo do conhecimento humano, ainda afeta, em muito,  o humor e o sentimento dos conterrâneos.

Lamentavelmente, as duas atividades hoje estão em baixa e despertam muito menos interesse do que em passado recente. Isto talvez decorra, também, em muito, da profunda crise que se abateu sobre os brasileiros afetando seus bolsos, seus sonhos e suas esperanças. O futebol, no caso mais específico, há vinte anos experimenta um jejum que desnorteia e desestimula os brasileiros. E, o pior,mostrou a seleção uma mesmice que nem o talento de Neymar conseguiu fazer com que ela  não se exteriorizasse, na copa recém finda. Inclusive a chance de outros talentos, ao lado dele, até que se mostraram mas, com certeza,  não configuraram a presença do Brasil no cenário futebolístico mundial, como uma potência diferenciada do esporte bretão.

Atualmente, sem graça, sem novidades, sem “glamour” e sem protagonistas exóticos ou, pelo menos, de um populismo carismático, tanto o futebol como a política, não tem muito a dizer aos brasileiros. O resultado da Copa do Mundo deixou os patrícios de crista baixa. Já a política, na antevéspera de eleições quase gerais, até agora não sensibilizou e não mostrou a sua fase de antagonismos a despertar paixões e nem levou também a disputas verbais que entusiasmassem.  Tampouco, tais disputas ainda não  trouxeram, ao palco, algo diferente ou inusitado,  que levassem a que a platéia tivesse uma maior  participação.

Os saudosistas do regime militar apostam as suas fichas no militar Jair Bolsonaro que representa, com legitimidade, a expressão maior de seus sentimentos e de suas aspirações. Mas Bolsonaro não fica restrito a militares ou saudosistas do regime. Agregam-se apoios outros daqueles que, cansados das indefinições, da desordem e da falta de um poder que realmente mande, veem em Bolsonaro a figura de alguém capaz de colocar a casa em ordem. Por outro lado, os que temem ou não querem mudanças muito bruscas, que são tentados pelos conflitos entre o que sobrou dos modernistas e dos conservadores ou ainda que querem o previsível, pretendem apostar em alguém que tenha experiência, um bom curriculum como gestor e que represente um ficha limpa. Dessa forma parece que Alkimim seja a opção mais próxima de suas aspirações.

As ditas esquerdas, confusas e desnorteadas, ainda esperam o quase “milagre” de assistir que a justiça eleitoral autorize o registro da candidatura de Lula, embora, diante do esgotamento dos prazos que viabilizem candidaturas, já ensaiam a indicação de nomes alternativos como o do ex- governador da Bahia, Jacques Wagner,  ou do ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad ou ainda de um outro nome do petismo que ainda sobrevive a todo o processo de desgaste do lulismo.

Vive-se um momento político deveras estranho pois o passado recente registrou episódios traumatizantes como o “impeachment” de Dilma, a prisão de Lula e da maioria dos dirigentes do petismo, alêm do fim de Eduardo Cunha, o desmoronamento de Sérgio Cabral e a desmoralização de Aecio Neves e de outros menos votados. O espaço político encontra-se bastante vazio e não se encontra no horizonte nomes e homens capazes de levantar sonhos e estimular esperanças nos brasileiros.  Praticamente não sobra e não sobrou ninguém pois é difícil encontrar nomes que a Lava-Jato não tenha maculado ou que outros escândalos não hajam envolvido suas personagens.

Na verdade, fora o chamado Centrão, a direita mais intransigente são os que apoiam Bolsonaro e no chamado espectro das ditas esquerdas, desorganizadas e desnorteadas, surge o polêmico e agressivo Ciro Gomes com um discurso moralista e buscando mostrar-se um gestor ético, modernizador e capaz de aproveitar as potencialidades econômicas nacionais. Mas, pelas suas contradições e pela sua postura deveras agressiva,  não consegue assegurar o apoio de um número maior de partidos como acaba conseguindo Alkimim com o previsível e quase acertado apoio do Centrão. Meirelles, com o apoio do maior partido do País, o MDB, dispondo de grana pessoal e do possível apoio ou simpatia da maioria do empresariado nacional, não conseguiu deslanchar, até agora, pois falta-lhe carisma e a sua comunicação está distante do perfil capaz de sensibilizar o atual mood do eleitorado nacional.

Alvaro Dias pareceria ser um bom nome mas “subiu no telhado” além de “morar muito longe”. Nomes como o do Economista Paulo Rabello de Castro, não têm tempo, nem nome, nem dinheiro e nem apoios para viabilizar uma candidatura como sói ocorrer com Manuela D’Avila, Guilherme Boulos e outros menos votados. Finalmente, a candidatura Marina Silva, apesar de mostrar bons índices de aceitação popular, não parece ser  uma candidatura que o momento requer. Não arrebata sentimentos mais entusiastas, não se mostra alguém com a força para domar as circunstâncias adversas vivenciadas pelo País e, a própria figura física, traduz uma fragilidade muito grande para o momento que a política nacional experimenta.

Assim, apesar dos nomes já lançados, o que se pode esperar de movimentação e de mobilização popular até 15 de agosto? Faltando apenas, quarenta e cinco dias, os contendores de campanha parece que não terão o condão de empolgar um eleitorado que não se mostra apenas apático e desinteressado mas, acima de tudo, descrente de tudo e de todos e, pelo que se avalia, também pretende “dar o troco” e demonstrar a sua desilusão e revolta votando nulo ou em branco.  Pelo que se pode concluir esta eleição não renovará e nem melhorará o processo pois, ao que parece, com essa reação do eleitorado talvez o que sobre seja a não renovação do quadro eleitoral e os atuais detentores mantenham-se no controle do poder! Será que esta visão é tão pessimista ou será que algo possa vir a ocorrer para melhorar tal pespectiva?

 

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