QUEM TEM MEDO DA MEDIOCRIDADE?

Segundo alguns especialistas em linguística  bem como os mestres no domínio das línguas latinas, mais, particularmente, no domínio do idioma Português, as palavras medíocre e mediano, são consideradas sinônimas e representariam os mesmos valores e símbolos. Não obstante essa interpretação ou tradução das duas palavras, o fato singular é que a palavra medíocre transformou-se em algo que se situa abaixo do próprio conceito de media e viu o conceito do vocábulo se apequenar e transformar-se em uma afirmação  pejorativa sobre as qualidades intelectuais de um cidadão qualquer.

Não obstante essa conceituação negativa da palavra, essa análise se estabelece apoiada em uma situação onde, no sentido estrito ou lato da palavra, o conceito de mediocridade é utilizado. Assim ninguém se surpreenda se o analista incorrer em qualificações do tipo “nem sempre a mediocridade é um atraso”! Tal afirmação é dura, polêmica é questionável. Isto porque ninguém, em sã consciência, admitiria estabelecer como paradigma da forma de organizar a sociedade ou definir o modo de estruturação do poder, a  mediocridade!

O que se pode, por exemplo, afirmar é que, no Brasil vive-se uma espécie de era da mediocridade onde nem valores, nem discursos, nem símbolos ou pessoas se sobressaem! Isto porque, por exemplo, tal assertiva fica comprovada  diante  do fato de não existir qualquer liderança capaz de falar, de manifestar opiniões ou realizar medidas ou providências que surpreendam por se encontrarem bem acima da média e serem capazes de alterar o “status quo”! Assim, quando se olha ao redor, nos dias que correm, não se encontra qualquer líder expressivo no Executivo, na política, na justiça, nem entre os profissionais liberais ou no meio religioso, nem na classe média ou em qualquer campo da atividade humana.

Aqui, desde o Presidente  Bolsonaro, os dois presidentes, tanto do Legislativo como do poder  Judiciário, não poderiam, em sã consciência,  serem considerados como detentores de um talento acima da média e com uma visão estratégica da realidade. Ademais não são capazes de  demonstrar que fossem cidadãos acima das exigências e das dimensões dos cargo que ocupam. Pelo contrário! De nenhum deles se espera decisões ou formulação de idéias como a caracterizar alguém  que surpreenda, positivamente, sobre o que poderão apresentar como algo diferente do tradicional ou do pensamento mēdio.

Ou seja, não tem mais surgido nomes ou figuras como um Ulisses, um Tancredo Neves, um Aureliano Chaves, um Arrais ou mesmo um Fernando Henrique Cardoso, na politica; ou um Antonio Ermírio de Morais nas atividades econômicas; ou um líder sindical de dimensão de Lula; ou um religioso como Helder Câmara ou um Dom Evaristo Arns ou ainda uma figura ou liderança na classe média, significativamente expressiva, como as de um passado recente.

Também em face da mediocridade que domina o plano nacional, até o debate de temas relevantes para a Nação, não sugere e não se tem a chance de acompanhar discussões sobre, por exemplo, os três mais graves problemas do País que se manifestam de várias ordens e tem expressão maior que são a pobreza, o desemprego, e a violência! Aliás violência essa que se manifesta, em maior significado, no número de mortes ocorridas por crimes, como por exemplo, em 2017, quando 63.400 cidadãos encontraram o seu destino final, muitas vezes pelas mãos de um meliante ou de grupos criminosos organizados.

É por razões que não teriam, como alguém preferiria reduzir, como causa maior, a desigualdade social, mas sim outros elementos e componentes que respondem pela violência que domina todo ambiente nacional. Na verdade, um estado frágil e desorganizado; um total despreparo das polícias agindo sem meios, sem treinamento e sem estímulos especiais, redundam num quadro de quase estímulo à impunidade e permitindo que se dissemine a idéia de que tudo é possível e a presença das drogas, do crime organizado, da corrupção policial são comuns a todas as sociedades e, portanto o País estaria no limite do possível e do tolerável,

Com isto não se formulam políticas públicas capazes de conter a violência no meio de menores adolescentes; a estruturação e manutenção do crime organizado e se permite que se favoreça um processo de omissão diante dos grupos organizados que encontram, por incrível que pareça,  até mesmo “colaboradores” entre membros do poder político e público, como um todo.

Assim se não houver um aumento de investimento na área de segurança; se não houver treinamento  e qualificação dos policiais; se não ocorrer acesso das forças policiais a treinamento e técnicas modernas de combate à violência e se não ocorrer um real, sincero e honesto envolvimento das autoridades permitindo que a integração de todas as forças destinadas ao combate à tal problema ocorra, perder-se-á em resultados e em eficiência diminuída, que ocorrerá pela falta de planejamento, de coordenação e de controle de resultados.

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