SERÁ QUE AS COISAS PARECEM PIORES DO QUE SE IMAGINA?

O Ministro Torquato Jardim, experimentado advogado, inclusive com vivência política e, causídico da melhor estirpe, foi o homem da semana ao ousar expor as entranhas do crime organizado, sua network, inclusive no mundo oficial, envolvendo uma pesada denúncia sobre a atuação da Polícia Militar do estado do Rio de Janeiro e suas ligações com o crime organizado e amparada, nas suas estripulias, em figuras do parlamento, do executivo e judiciário do estado.

As declarações-acusações do Ministro provocaram uma reação de enorme indignação não só manifestada pelo Governador do Estado do Rio de Janeiro,  pelo comandante da Polícia Militar e até mesmo pelo Ministro Picciani, este exigiu que o ministro apresentasse provas documentais e testemunhais do referido escândalo. Sabe-se que o homem mais forte do Parlamento Carioca é o pai de Sua Excelência o atual Presidente da Aasemblia Legialativa do Estado. Na verdade, numa enquete feita junta a opinião pública do Rio ela, na maioria das vezes, referenda as denúncias do ministro que, aliás, jå contava com a manifestação no mesmo estilo só que  um pouco mais vaselina, do Ministro da Defesa, Raul Jugman.

O fato objetivo é que as provas existem e, mais sério do que tais provas é que as ações dos militares das forças armadas no Rio tem sido prejudicadas pois que muitas das informações confidenciais tem chegado ao comando do crime organizado, frustrando e esvaziando a incursão que poderia gerar resultados animadores aqueles que hoje colaboram com a polícia do Rio. Se tal não bastasse, as operações e ações da polícia militar do estado não conseguem lograr qualquer resultado positivo porquanto elas não surtem os efeitos desejados porque há informantes, dentro dos quadros ou com acesso às decisões do alto. Comando das operações policiais que antecipam os dados cruciais aos dirigentes do crime organizado.

Ao se examinar tais declarações e o número de militares mortos, inclusive um comandante, na semana que passou,  sem causa ou razão específica, mostra que hå algo de podre no reino dos cariocas. E mais,  há outras evidências que chamam a atenção diante da leniência , do descaso e da própria má vontade dos governos estaduais em exigir da União a implantação jå da identidade única e nacional para que não ocorra o fato de um cidadão, se assim quiser e lhe aprouver, ter 27 identidades, emitidas pelos 26 estados e o Distrito Federal. Como se faz um comtrole nacional da movimentação de bandidos e meliantes País afora?  Como se controla o roubo de cargas? E os assaltos a caixas eletrônicos? E as mortes por encomenda ou os conflitos d grupos armados na defesa de seus territórios?

Por outro lado, sem se conseguir investigar pelo menos uns trinta por cento dos crimes cometidos, mas sim menos de 4 a 7%, representa a senha que a bandidagem necessitava para entender que a impunidade estava determinada pelo próprio estado. Sem investigar os crimes, sem abrir processo judicial nada se conseguirá fazer para gerar uma consciência nacional de que o crime não compensa. Se isto já não bastasse para explicar como anda o combate à violência no País, a situação dos presídios e, o pior, das casas de correição de menores deliquentes, agrava mais e mais o quadro pois tais instituições, ao invés de representarem casas corretivas e de reintegração do indivíduo à sociedade, transformaram-se em universidades a conceder  diplomas de especialização no crime e no tráfico de drogas.

Existe uma omissão explícita das autoridades e, isto fica deveras provado, quando se observa o  encolhimento dos orçamentos públicos da União e de estados no que respeito ao combate à violência. Parece que uma ação proposital não só em face da diminuição do tamanho das verbas consignadas para tal fim como, projetos como o de construção de mais presídios, dormitam nas gavetas burocráticas parecendo que são as instituições do crime organizado que hoje comandam as ações do setor público na área.

Quando se assiste ao descaso e desinteresse na aprovação da liberação do uso de drogas ou ao processo de desmantelamento do comércio de tais drogas, é porque há algo de podre na cabeça de dirigentes ou o estado hoje estaria totalmente dominado pelo crime organizado.

Ou se estabelece uma mobilização nacional apoiando a tese de abrir as informações que os dois ministros coletaram e, a partir daí, montar-se uma Operação cuja denominação ocorrerá a tempo e a hora, ou o possível sacrifício dos ministros, afastando-se da função publica terá sido em vão. Na verdade, o que tem sido feito no Operações Mãos Limpas deve se estender a outros segmentos como as polícias e, até mesmo o Judiciário. Se assim não ocorrer dificilmente se recobrará a credibilidade que o estado deveria e precisaria ter junto à sociedade civil.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *