UMA ELEIÇÃO SURPREENDENTE!

As expectativas, antes do pleito do dia 7, próximo passado, eram as de que o País enfrentaria as mais chochas, desinteressantes e vazias disputas eleitorais dos últimos tempos. Na verdade, verifica-se a um embate pobre de contends, de idéias e de propostas e, até mesmo, de debates mais acirrados que levassem a, pelo menos, algumas agressões verbais que aumentassem o calor das discussões e sensibilizassem o eleitorado.. Na verdade,  o que se viu ou o que se assistiu foi, diante da atitude da sociedade civil brasileira, de apatia, de desinteresse  e com uma tendência mais para a indignação e para a revolta, que os candidatos acabaram  mostrando-se tão sem graça, tão sem glamour e tão sem idéias e  atitudes, quanto o público que a ele se dirigiam.

Assim, o que se esperava era a manifestação desse mesmo estado de espírito no comparecimento às  urnas e na natureza e na dimensão das escolhas. Isto sim era aguardado que esse fosse o retrato desse quadro tão desestimulador quanto o que se pressentia. Mas, qual não foi a surpresa! A eleição de 2018, no seu primeiro turno, veio a se revelar totalmente contrária a tais prognósticos porquanto, nem a ausência nas urnas foi significativa, ficando nos limites daquela observada no último pleito como também não ocorreu a avalanche de votos nulos e brancos como se imaginava. Ou seja, nem a abstenção, nem os votos nulos e brancos tiveram diferenças marcantes do que houve no último pleito. Ao contrário, foram praticamente iguais ou, até, inferiores.

Porém, o silêncio das urnas e das manifestações populares se mostrou surpreendente quando a contagem dos votos começou a ser realizada. As surpresas começavam a chamar a atenção a cada dado novo e a cada revelação de inesperados resultados que se tornavam públicos! A expectativa era que, em face da presumida e esperada atitude da população e dos possíveis efeitos da nova lei politico-eleitoral, cerca de 70% dos atuais ocupantes dos cargos no Parlamento Nacional tivessem garantidos o seu retorno. Ademais, já se antecipavam os nomes dos possíveis vencedores de postulações majoritárias como Dilma Roussef, Romero Jucá, Magno Malta, Eunicio Oliveira, Ricardo Ferraço, Requião, Jorge Viana, entre outros, , pelos prognósticos, já poderiam comprar o novo terno de posse. Mas, qual não foi a supresa de todos! O pleito revelou uma outra perspectiva, mostrou uma presença significativa dos eleitores e, pasmem, muitas surpresas, algumas delas, deveras interessantes.

Para o Senado Federal, foi a eleição mais surpreendente da história recente daquela Casa. Das 54 vagas disputadas, 46 serão ocupadas por novos nomes ou, 85% de renovação! Na Câmara dos Deputados, a taxa de renovação é a maior desde 1998! Dos 513 deputado que tomam posse em Fevereiro de 2019, 251 foram reeleitos o que equivale a 48,9% do total! Em comparação com 2014, houve 46 novatos a mais, o que representou, que, naquela eleição, o índice foi de 38,6%, agora elevado para 48,9%!

Neste pleito, 14 partidos atingiram os limites exigidos pelas chamadas cláusulas de barreira e, dos 30 votados, o restante deverá buscar ou o caminho da fusão, ou incorporação ou até mesmo, da extinção.

Quanto ao processo de renovação, alguns dados são da maior relevância. O PT, por exemplo, “getificou-se” e ficou restrito, praticamente ao Nordeste mas, com um detalhe deveras preocupante para as suas hostes: os votos obtidos em 2018 são em 10 milhões inferiores aqueles alcançados em 2014!

Como mencionado anteriormente grande e quase lendárias figuras do quadro político nacional foram tragadas por esse inesperado “tsunami” de renovação e limpeza como a família Sarney, Cristovão Buarque, Romero Jucá, Magno Malta, Ricardo Ferraco, Roberto Requião,
entre outros. Só 25% dos senadores eleitos e 2010 foram reeleitos!

Na Câmara, só 240 dos 513 eleitos em 2014 voltam e garantem a sua permanência. No Ceará, por exemplo, das 22 cadeiras de deputado federal, 10 não se elegeram, 5 não disputaram e apenas 7 voltaram!

Diante desse quadro surpreendente de uma eleição que dela nada se esperava, agora os brasileiros vão enfrentar as urnas nesse segundo turno. Um segundo turno que, pelas suas próprias características, é, como que, plebiscitário. É sim ou não! Não tem “antes, pelo contrario”. Agora, o que parece estar colocado é se o eleitor acredita ou não que o PT, depois de 13 anos de domínio do poder, com desempenhos oscilantes, será capaz de conquistar a confiança da população para ocupar o poder por mais alguns anos à frente! Se não, começará uma nova fase da vida política nacional!

Por outro lado, os embates que se reproduziam desde as eleições de 1994 até agora, numa polarização entre PSDB e PT, não serão mais replicados. O PSDB, que era o 3a. maior agremiação do País, agora é apenas a nona! E, surgem novas forças como o PSL, entre outras outrora muito pequenas!

A pergunta que provoca discussões e inquietações é, até que ponto tais resultados eleitorais abrem espaços para renovação, não apenas política mas para mudanças no processo político-eleitoral e na atuação do parlamento? Dos partidos que atingiram os limites impostos pelas cláusulas de barreira, o PT e o PSL alcançaram 55 e 52 parlamentares, respectivamente. O PP foi aos seus 37, o MDB a 34, o PSD a 34, além dos nove outros, que superaram os dez parlamentares na formação de suas bancadas. Ou seja, que atingiram os limites exigidos pela chamada cláusula de barreira!

Os resultados lançados nesse primeiro turno, as derrotas emblemáticas de líderes regionais e as surpresas como a derrota do Senador Eunicio Oliveira, multimilionário, detentor da Presidência do Senado e do Congresso Nacional e com o apoio de um governador que alcançou quase 80% dos votos, mostram que as coisas estão mudando. Até o “fim do caminho” para figuras notáveis como Cristovão Buarque, Jorge Viana, Roberto Requião, Magno Malta. Ricardo Ferraço, além de personalidades marcantes como a Senadora Ana Amelia e a deputada Maria do Rosário, também demonstram que, de um lado, há um ar de cansaço com a política e com os políticos por parte da população! De outro, conclui-se que o impacto das redes sociais pode ter sido muito mais relevante do que o que se cogitou ou se aventou como possibilidades efetivas de impacto “nas mentes e corações dos brasileiros”.

Assim, a questão que se coloca agora é quais serão os efeitos e os impactos de tais mudanças político-partidárias nas buscas de alternativas e caminhos para o enfrentamento dos sérios problemas nacionais? Será que questões tão graves e urgentes como as relacionadas a zerar o chamado déficit público e abrir caminho para o retorno a obtenção de superávits primários que permitiam pensar em retomar o investimento público com mais ênfase e peso do que sói ocorrer agora? Será possível construir uma proposta de retomada do crescimento econômico, atraindo poupanças privadas e o investimento externo, de forma objetiva e dinâmico, como o potencial econômica do País pode estimular?

O articulista acha, no seu otimismo, às vezes até excessivo, talvez sugerindo uma espécie do que os americanos chamam de “wishful thinking”, que além do que não virá enfrentar o Brasil qualquer surpresa em termos eleitorais no próximo dia 28, surgirão propostas e sugestão de caminhos que permitam repor o País na trilha da retomada segura e dinâmica do crescimento. É possível até que, com o apoio do já novo presidente, o atual presidente Michel Temer, retome a reforma da previdência, proponha alterações adicionais na política de gasto público e promova a redução de órgãos e ministérios com vistas a facilitar a vida do novo governante. Ou será excesso de fé e crença de que a renovação já ocorrida vá além de seus limites e ouse criar os espaços para a abertura de um novo tempo para o Brasil? Acho que não! A indignação e quase revolta dos jovens contra tudo e contra todos, máxime contra o “status quo” sinaliza para politicos e líderes de um modo geral que o país tem que mudar e que repostas novas, sérias e objetivas tem que ser apresentadas para que o País retome o caminho do crescimento e faça renascer a fé, a esperança e o entusiasmo nesse povo ora tão cabisbaixo!


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