A OPOSIÇÃO EM APUROS!

Quem tem acompanhado as angústias e as inquietações da oposição ou das oposições, assistindo, inerte e perplexa, a desenvoltura do Presidente Lula no patrocínio de sua candidata, acha que talvez ela ou elas, estejam perdendo terreno ou, pelo menos, o “timing para uma decisão que conduza a escolha de um candidato verdadeiramente competitivo. Ao mesmo tempo, Lula busca desautorizar as oposições, caracterizando-as como a elite branca, privatista, preconceituosa, paulista e outros adjetivos e, metendo na cabeça do povo de que tudo de bom que ocorreu até agora no Brasil, foi por obra e graça Dele, Lula!

 E a oposição ou oposições não conseguem ”engatar” um discurso capaz de sensibilizar o eleitorado no sentido de que Lula não é o candidato e que Lula não tem herdeiros nem alguém que, bem ou mal, simbolize o grande vencedor, o mito, “o cara” que ele é.  Dizer que tudo o que ele fez são coisas que os bons ventos internacionais propiciaram; que foi em cima da base que os antecessores construíram; que ele promoveu um assistencialismo desenfreado e que não ajudou às pessoas, a definitivamente, saírem da miséria; que o pré-sal é um engodo e outras críticas mais, não conduzirá a nenhum êxito para as oposições. Ninguém combate um mito tentando desconstruí-lo, atacando-o. O que se pode fazer é estimular, no mito, a sua autodestruição. Contra Lula nada pode ser feito. Quanto aos planos de Lula muito poderá ser feito. Tirar o foco dele e colocar, o foco, no seu entorno, pode ser um caminho. Um discurso a La Marco Antonio no assassinato de Júlio Cesar, poderia ser interessante. Mostrar que a eleição de Serra seria a única coisa que Lula aspira pois, sendo o gestor que é, Serra vai demorar dois a três anos para reorganizar o governo, com medidas de contenção de gastos, redução do custeio e de contratação de pessoal, exigência de desempenho na gestão da saúde e da educação além de correções de rumos na previdência social. Tudo isto, gerará um saudosismo dos bons tempos de Lula e, necessariamente, pode ensaiar uma espécie de queremismo como ocorreu à época de Getúlio!

 Não adianta angustiar-se face à indefinição de Serra nem a inquietação de Aécio. Nem tampouco diante da velocidade em que se estão definindo as sucessões estaduais. O fundamental é examinar qual o discurso a estabelecer e, o mais rápido, com discurso, estratégia e um interessante esquema de mídia e marketing, colocar o bloco na rua.

LULA SOLTA O VERBO!

Já têm sido costumeiros os destemperos verbais do Presidente Lula quando resolve ou reagir contra as tímidas e ainda empobrecidas argumentações e criticas da oposição ou deitar falação sobre assuntos, pessoas e/ou temas que não são do seu completo domínio, pelo menos, intuitivo.

E como o Presidente, surfando sobre a sua enorme popularidade a nível interno e o reconhecimento a nível internacional, hoje não estabelece mais limites para observações, às vezes, bastante polêmicas. Aliás, Lula hoje se sente acima do bem e do mal e sem limites para falar sobre qualquer coisa, pessoa, fato ou, até mesmo, sobre o futuro!

Agora mesmo, ao fazer a defesa da tentativa do governo de intervir nos negócios internos de uma empresa privada nacional, com grande inserção internacional, no caso a Vale do Rio Doce, o Presidente deixou, para alguns analistas, a clara idéia de que, todos os seus últimos gestos e atos, direcionaram-se para ampliar ou pelo menos propor, uma mais ousada e mais agressiva ação e intervenção do estado brasileiro. Tanto é que, alguns jornais e revistas nacionais, interpretaram que Lula agora é defensor, intransigente, do chamado estado máximo.

Provavelmente Lula apoiou-se no argumento difundido por vários especialistas e agentes públicos de que, o mercado, exageradamente defendido pelos chamados liberais, havia sido incapaz de cumprir o seu papel, máxime diante da crise econômica que ainda se alastra pelo mundo, exigindo-se, portanto, a intervenção do Estado no mercado financeiro, nas bolsas, nas empresas e nos próprios rendimentos bem como no consumo das famílias.  Se não fora a injeção monumental de recursos públicos nas economias mundo afora, os rigores da crise econômica teriam sido muito mais intensos. A partir dessa lógica se constrói uma velha teoria de um estado muito presente, forte e interventor na economia, na sociedade e na vida dos cidadãos.

Apoiado nessa visão parcial e circunstancial, Lula, orientado pelo comissariado, resolveu replicar a República Bolivariana de Chávez, de outra forma. Ou seja, ampliar os limites e atuação do Estado, além da sua já excessiva presença na sociedade brasileira.

Já anteriormente, Lula cobrou, de forma dura e incisiva, inclusive com ameaças, que a EMBRAER estabelecesse a sua política de investimentos, não respeitando um mercado internacional bastante competitivo, uma presença maciça de acionistas quer nacionais quer internacionais e a sua carência de recursos externos para viabilizar os seus investimentos e a sua expansão! Ou seja, havia a EMBRAER que subordinar a sua política de investimentos pela ótica, exclusivamente, do governo para atender as chamadas “prioridades” nacionais.

O Presidente já havia recomendado a expansão do Banco do Brasil, o que o fez adotar uma política de aquisições de bancos e expansão de negócios no exterior, voltando assim a ser o maior banco do país sem que se saiba, até hoje, qual a sua missão institucional.

Por outro lado, o Presidente fez duras cobranças ao presidente do Fundo de Pensão PREVI, para que ajustasse a sua política de investimentos às prioridades nacionais, como se os recursos de tal fundo, como dos demais, não pertencessem aos seus cotistas, ou seja, aos funcionários do Banco do Brasil, da Petrobrás, da Caixa, do Banco Central, etc. e sem que eles tenham conferido ao Presidente a delegação de competência para usar e abusar dos recursos que lhes garantirá as suas aposentadorias!

A discussão, recentemente abandonada, qual seja, de que tipo de estado o pais precisa, se faz realmente necessária e oportuna ao Brasil e é fundamental que volte à pauta ou a agenda nacional, quando dos debates da sucessão presidencial. Isto porque, não é tão simples fazer a opção entre estado máximo e estado mínimo. A discussão é qual o estado necessário, legítimo e ajustado às exigências da contemporaneidade de um mundo globalizado, interdependente e que busca permear todas as suas políticas públicas com a idéia da sustentabilidade.

Portanto, não tem sentido defender-se um estado mais amplo, mas sim um estado mais forte, pela sua capacidade regulatória, pela sua competência de estabelecer políticas publicas inseridas nos conceitos modernos de gestão pública e pela legitimidade ao não intentar impor a ditadura das aspirações ou se portar como um Big Brother, imiscuindo-se na privacidade do cidadão, limitando o seu ir e vir e cerceando as suas liberdades fundamentais.

Um país, como o Brasil, que já apresenta uma carga tributária enorme, tem que se conter e não invadir a competência da iniciativa privada sob pena de, sistematicamente, não contar com meios para atender às suas responsabilidades constitucionais básicas como ora sói ocorrer com educação, saúde, saneamento ambiental, segurança, defesa nacional e etc.

QUEM APOSTA?

Este Scenarium, faz cerca de seis meses, apontou aqui várias razões porque acreditava que o candidato do PSDB seria Aécio e não Serra. Continua a acreditar e a achar que, para as atuais circunstâncias, Aécio é mais palatável e mais adequado, como produto para contrarrestar o discurso do PT, do que Serra. Em primeiro lugar, Serra é a cara do PSDB, do Fernando Henrique e daquilo que foi estigmatizando o partido como o da defesa  elite branca, presunçosa, arrogante e capaz de mandar o povo, se lhe faltasse pão, comer brioche, como assim se expressou a decapitada Rainha de França. Se o discurso de Lula e do PT é contra FHC e seu governo, Serra o encarna mais do que qualquer pessoa.

Em segundo lugar, Aécio ou, até pelo fato de ser chamado carinhosamente de Aécinho, de origem, é PMDB, da parte boa e não da chamada  “banda podre” e, traz no nome, na história recente, o legado de um homem que, após costurar a transição do estado autoritário para o estado democrático de direito, teve a vida ceifada pelas “trapaças da sorte”. Aécio Neves é Tancredo reencarnado, é Ulysses vivificado, é Teotônio sonhado.

Por outro lado, Aécinho não é São Paulo, não é paulista e não permite espaço para a propaganda violenta, face o norte, nordeste e até mesmo o centro-oeste, de que, após um período em que os trabalhadores e nordestinos tiveram o poder, o poder se devolve aos paulistas, segundo os petistas “tão violentamente preconceituosos com o Nordeste”. Tudo falácia, mas, para quem conhece o povão da região, o discurso pega. E pega, até mesmo, para uns, ditos alfabetizados, metidos a intelectuais, que ainda vivem a teoria estruturalista dos tempos de CEPAL.

Aécinho, por sua vez, desde o primeiro momento, não é um anti-Lula mas um pós-Lula, com trânsito com todo mundo e capaz de fazer costuras políticas tal qual os mineiros de velhas tradições eram capazes de fazer.

Também, junto ao PMDB, ao DEM e a outros partidos que não se sentem bem junto ao PT, Aécio é mais palatável para um entendimento do que José Serra. É, hoje, o mais carioca dos mineiros e o mais mineiro dos nordestinos. E, se for ele o candidato, até Ciro virá para ser seu vice.

Serra, embora seja a melhor expressão de gestor público do país, não tem a simpatia, o carisma e o jogo de cintura de Aécio. Também não sai como Aécio, com 70% dos votos de seu estado. Ademais, não dispõe de muitos graus de liberdade como Aécio que, por enquanto, a única coisa que pode fazer é ser candidato é ser candidato a senador por Minas. E, se Serra se eleger ou Ciro se eleger, a sua vantagem de ser jovem, vai para o ralo. E se Dilma se eleger, com o compromisso de apoiar Lula para um mandato a partir de 2015, aí que as chances de Aécio são remotas, em termos de futuro político.

Por outro lado Serra não vai correr o risco de entregar a outrem, os segundo e terceiro maiores orçamento da República, para correr o risco de não ser eleito presidente e, consequentemente, além de encerrar a sua carreira política, desestruturar o que ainda resta de seu partido. Ao passo de que, se apoiar o nome de Aécio, terá o controle do partido, parte do mando do governo federal e, além de tudo, ajudará a eleger a maioria dos governadores do país para o seu partido ou para os seus aliados.

O leitor já pensou nisso? Se pensou, critique, comente e sugira outros argumentos prós e contra a tese acima esposada.

ANGÚSTIA, DESENCONTRO E INSATISFAÇÃO.

A estratégia de Serra em adiar para março a definição do PSDB do nome do candidato que enfrentará o candidato ou os candidatos de Lula, está gerando um processo de angústia, inquietação e, até mesmo, de insatisfação, não só no meio dos próprios tucanos bem como de seu principal aliado, no caso, o DEM. Claro que os possíveis apoios da candidatura tucana nos outros partidos, máxime o PMDB, também sofrem do mesmo drama.

A maioria acha que as oposições perdem tempo, Lula avança sem dar bolas para a Justiça Eleitoral e, até uma avaliação do STF, de que Lula não estaria agindo dentro da lei, opinião externada pelo próprio Presidente da Suprema Corte, ao invés de beneficiar as oposições, acaba tendo efeito contrário junto à opinião pública, na proporção em que pode ser explorado como se as mesmas não tivessem discurso para se contrapor a Lula e, estariam assim,  apelando ao “tapetão”.

O Presidente do PSDB Nacional, Senador Sérgio Guerra, com a habilidade que lhe é peculiar, de maneira cautelosa ,sugere que “os dois – no caso Serra e Aécio – não querem antecipar a decisão e, eles sabem mais do que a gente”, mostra uma tolerância e uma capacidade enorme de administrar conflitos, mas tal competência poderá não ser capaz de conter a explosão de problemas que começam já a ocorrer nas sucessões estaduais e, até mesmo, a nível da cúpula nacional de partidos aliados.

Aliás, a posição do Líder do DEM na Câmara, Deputado Ronaldo Caiado, diante da indefinição e da indecisão em termos da candidatura do aliado PSDB, afirmou que vai “montar a sua estratégia na sucessão de Goiás, de acordo com as conveniências do partido no Estado”. Por outro lado, o Presidente Nacional do DEM, Deputado Rodrigo Maia, em colisão com o morubixaba Jorge Bornhausen, resolveu declinar a sua preferência por Aécio Neves para ser o cabeça de chapa das oposições.

Até agora o tempo conspira a favor de Lula na proporção em que tenta empurrar, goela abaixo, a sua pesada candidata. Da mesma forma, vai tentando construir um discurso de que o “outro lado” é o “da arrogância, da presunção e da elite branca que, nunca olhou pro povo, esqueceu e preconceituou o nordeste e, com a sua privataria, quase vendeu o Brasil para os estrangeiros”. Por outro lado, com a economia indo bem, com a baixa renda ganhando melhor, com a volta dos empregos e com o discurso da grandiloquência – pré-sal, Copa do Mundo, jogos militares mundiais, jogos olímpicos -, mexem com o imaginário popular, aumentando a autoestima da “peãozada”, dando um tapa na boca da crítica, mantém a elite branca calada, pelos privilégios concedidos a bancos e a grandes grupos e, “vamos que vamos!”. E Lula, com seu charme, com o seu carisma, com a sua capacidade de falar para o povão e com o respeito e prestígio conquistados internacionalmente, atropela tudo e tenta fazer viável algo inviável que é a sua candidata.

Se o PSDB não decidir logo quem será o seu candidato, talvez em março, o que vai sobrar de apoios adicionais seja muito pouco diante das definições estaduais que estão ocorrendo a pleno vapor. É bom que Serra se lembre que o povo vive nos municípios e as suas aspirações, interesses e sonhos, estão lá. O estado é uma ficção do direito e a União é um péssimo substituto do que seria a monarquia sem qualquer charme e qualquer afinidade com a população. Lula tem porque construiu-se como mito.

NADA DE NOVO SOB O SOL!

A semana promete em termos de monotonia da normalidade. O Congresso já está operando a meia-bomba, sem grandes questões a tratar, a não ser o marco regulatório do pré-sal e a aprovação do Orçamento Geral da União, para 2010, peça esta sempre marcada pela ficção e pelo irrealismo.

 Na verdade, além de perfumarias a serem tratadas no Congresso, os únicos assuntos  que se ouve falar, são aqueles da prioridade  dos parlamentares, destinados a mover ações e articulações capazes de garantir a liberação de suas emendas e, além, é claro , dos cochichos e bochichos relacionados às articulações em termos da sucessão presidencial e, particularmente, em termos das sucessões estaduais.

 Nem o “achado” da agenda da  ex-Secretária da Receita Federal, comprovando que, de fato, esteve com Dilma Roussef no dia em que declarou que lá esteve e que foi por Dilma desmentida; nem o exercício do “jus sperniandi” pela oposição, diante dos comícios realizados por Lula em favor de Dilma no Nordeste; nem mesmo o “rolo” que continua a ser o inquilino desagradável na Embaixada brasileira em Honduras, mexerão com as preocupações do Congresso Nacional. As discussões e votações serão só de perfumarias e acessórios.

 Já no Executivo, a par de Lula hoje chamar, “na chincha”, o Presidente da Vale e determinar alguns investimentos que produzam respaldo, apoio e votos para Dilma, para que se  pacifiquem as relações entre o Planalto e a Companhia  sem que, para tanto seja preciso sacrificar Roger Agnelli, nem atender ao amigo Eike Batista e nem entregar o comando da Vale a Sérgio Rosa, Presidente da Previ, as coisas continuarão tranquilas e serenas. Para quebrar um pouco essa placidez e essa monotonia, provavelmente, um novo balão de ensaios do mestre de factóides do governo, Ministro Guido Mantega, no caso a ameaça de taxar os investimentos externos para segurar a valorização expressiva do Real, mexa, se não com os políticos, com a bolsa de valores.

 Fora isto, as negociações relacionadas aos nossos aviõezinhos, provocando a disputa de propostas e benesses dos três contendores, não dará em nada pois que a definição já está dada, por razões históricas, pela natureza do compromissos de transferência de tecnologias e investimentos franceses no Brasil através de sua indústria bélica,  aliada a razões de ordem geopolítica regional, os franceses já levaram esta.

 De alguma repercussão ainda, serão os atos de violência ocorridos no Rio onde, cada vez mais, o Governo não tem o que dizer a população e, a atitude pouco firme do Executivo Federal, diante dos atos de vandalismo, destruição e ameaças do MST, sem maiores consequências nem providências, serão outras marcas da semana!

EIKE, O BARÃO DE MAUÁ DO SÉCULO XXI!

Eike Batista ou Baptista, é o homem de negócios que hoje domina a cena brasileira pelo empreendedorismo, pela ousadia e pela capacidade de antecipar investimentos, obras e ações que já se lhe atribui, não só a pecha de visionário, mas, de empresário inovador e que, agressivamente, busca aproveitar as melhores oportunidades de negócios do país.

 Hoje, segundo a Revista Forbes, já é o homem mais rico do Brasil. É alguém que, mesmo diante da crise que os negócios enfrentaram no último ano; das perdas derivadas de aposta de seus diretores no câmbio; da volatilidade que as ações dos seus principais negócios experimentou, Eike, ao invés de perder dinheiro, diminuir o ímpeto e reduzir os investimentos, ousou mais ainda. E, diga-se de passagem, que as suas batalhas para viabilizar os seus investimentos foram sempre dificeis e enfrentaram complicadas questões relacionadas a licenças ambientais, problemas com países vizinhos e, “last but not least”, a ciumeira da concorrência. Mas, Eike tem “lábia”, tem “jogo de cintura” e sabe onde “as andorinhas dormem” e, habilmente, faz as suas costuras políticas, negociais e de alavancagem de recursos não só em bolsa mas de empreendedores internacionais convidados à participar das  mais diferentes parcerias. Eike já começa a se transformar num mito pois hoje é tido como uma espécie de Rei Midas ou como disse o jornalista Moreno na sua coluna de Domingo em O Globo, a respeito de um casal que, não conseguindo o marido atender as carências da mulher, ela reclamou em voz alta até que um vizinho, incomodado, gritou: “Chama o Eike, pô”!

COPA DO MUNDO, OLIMPÍADAS, GASTOS SOCIAIS E PRIORIDADES!

Inexistindo uma oposição consequente e consistente no país, a discussão que algumas pessoas pretendiam travar em torno da prioridade, da relevância e da oportunidade para o Brasil em sediar dois eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, ficou totalmente comprometida e, agora, também desproposital. Desproposital porque já são fatos consumados.

Isto porque perdeu-se a oportunidade de fazê-la, buscando talvez, demonstrar, com números, que tais investimentos seriam muito mais benéficos do ponto de vista da melhoria da qualidade de vida do povo brasileiro, se destinados à educação fundamental, à saúde pública, à mobilidade urbana, ao combate à violência e a recuperação da infra-estrutura de transporte e comunicações do país, do que em tais eventos.

Ou, pelo contrário, uma simulação técnico-científica dos efeitos,  diretos e indiretos; os impactos para frente e para trás em termos da atividade econömica; a capacidade de tais eventos forçarem a agilização, maior diligência e maior seriedade no que concerne ao enfrentamento dos maiores e mais graves problemas, do Rio, por exemplo, como o combate as causas da violência, a redução do caos urbano, a despoluição da Baía da Guanabara e das praias da Cidade Maravilhosa, talvez convencesse a todos os brasileiros da relevância, prioridade e importância dos eventos.

Notadamente os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro que, assim como os Jogos Panamericanos, beneficiarão quase que exclusivamente a cidade do Rio de Janeiro. E será que o Rio estaria potencialmente com mais meios do que Chicago para realizar tal evento? Em Chicago a população disse não ao evento diante do alto déficit enfrentado pela prefeitura, do rescaldo da crise econômica internacional e de outras prioridades que dominam as preocupações dos seus cidadãos.

  Alguém ou alguma instituição de estudos econômicos, sociais e políticos fez uma avaliação do que representou, para o Rio de Janeiro, os quase quatro bilhões de reais gastos com o Jogos Panamericanos? Inclusive, o que foi feito da infra-estrutura montada para garantir-lhe uso alternativo em benefício da população?

A história nos mostra exemplos positivos, como no caso de Barcelona, que após a realização das Olimpíadas inseriu a cidade no roteiro turístico mundial e exemplos não tão bons assim, como no caso de Atenas. No caso do Rio de Janeiro, após a realização dos Jogos Panamericanos, o que ficou de legado para a cidade? Como estão sendo aproveitadas as estruturas montadas para os jogos em prol da população? O Engenhão, por exemplo, carinhosamente apelidado de “vazião”, não tem condições sequer de receber jogos da Copa do Mundo. E a Vila Olímpica que até hoje não se conseguiu regularizar a documentação dos imóveis?

Talvez, aqueles que apóiam incondicionalmente o Governo, afirmem que a Copa do Mundo de Futebol, por exemplo, ao ser realizada em 12 cidades, exigirá uma série de investimentos não só na infra-estrutura física – vias, metrôs, veículos leves sobre trilhos, equipamentos de saúde, equipamentos hoteleiros, etc. – mas em ações e políticas públicas destinadas ao combate à violência e a outros males da vida urbana do país. Outros afirmarão que tais eventos atrairão uma soma significativa de investimentos privados internacionais e turbinarão a atividade turística, de tal forma, que rentabilizarão, numa visão mais compreensiva, todo o esforço feito pelo país. Outros ainda falarão de quanto tais conquistas representarão para a ampliação do respeito do país no exterior; para aumentar a auto-estima dos brasileiros e para melhorar o índice de felicidade dos tupiniquins.

Em parte, tais argumentos são até procedentes e válidos. Isto porque, sendo um país que não pensa e não age a médio e a longo prazo; sendo um país que não dispõe de políticas públicas que formatem o desenho do país que querem os brasileiros e a que têm direito, possivelmente, tais eventos, forçarão a construção de cenários que levem ao planejamento de intervenções em tais áreas urbanas e em certos segmentos sociais que permitam, ao fim e ao cabo, hierarquizar prioridades que acabem atendendo ao que o país precisa. Ou seja, tais eventos iriam representar o planejamento e as políticas de médio e longo prazo para o enfrentamento de questões cruciais do país. 

Ao que tudo indica, o Brasil acostumou-se a ser um país festeiro e que, mesmo não planejando o dia de amanhã e vivendo de símbolos e fantasias, acaba dando certo. Então que venham a Copa do Mundo, as Olimpíadas, o prêmio Nobel da paz, o Oscar e tudo que encha de orgulho e alegria, nem que seja uma alegria de carnaval, o maravilhoso povo brasileiro.

SCENARIUM

A SUCESSÃO MARCHA!

Para quem acha que o processo sucessório está se desenrolando em um ritmo lento ou dentro daquilo que seria o esperado está bastante equivocado. As articulações, as negociações e as movimentações dos presumidos pré-candidatos ocorrem a todo instante e em todos os pontos do país. 

Até a movimentação de Lula está sendo acompanhada pelos candidatos que querem se beneficiar da sua popularidade, como foi o caso das visitas às obras da Transposição das Águas do Rio São Francisco onde Dilma Roussef e Ciro Gomes dividiam o palanque e, cada um a seu modo, procurava mostrar proximidade com Lula, prestígio junto ao Chefe e, acima de tudo, assumir a paternidade da obra. Ciro, muito mais conhecido dos nordestinos, não só por ser um nordestino do Ceará, embora nascido em São Paulo, ganhava mais exposição e chamava mais atenção de quem acompanhou a visita de Lula ao Nordeste, em função da exposição de mídia fruto de suas duas candidaturas a Presidente e por ter sido o responsável pelo início das obras da Transposição. Ademais, Ciro parece estar sabendo assumir a postura de candidato da continuação e não da continuidade do governo Lula. Ou seja, adotando a posição de quem quer manter o que é bom do governo, corrigir erros e equívocos e melhorar a qualidade da gestão, além de imprimir uma nova dinâmica a conceitos de desenvolvimento com sustentabilidade, com distribuição de renda e com cidadania, Ciro cria, hoje, uma grande “saia justa” para Lula. E esta viagem de visitas a Bahia, Pernambuco e Ceará, em locais estratégicos da revitalização e transposição das águas do São Francisco acabou por favorecer mais a Ciro do que a Dilma.

Por outro lado, como o eleitorado nordestino tem enorme peso em São Paulo, no Rio e em Brasília, Ciro fala mais a alma e ao sentimento nordestino do que Dilma Roussef. E Ciro teve tanta sorte que, quando Aécio Neves se juntou a comitiva, também, mais uma vez, dada a proximidade e a amizade de Ciro com Aécio, Ciro levou vantagem pois que, como se falou muito em Minas, caso Aécio seja o candidato dos tucanos à Presidência, Ciro era visto como o provável candidato a vice do próprio Aécio, então o cearense-paulista ganhou pontos junto à mídia e ao eleitorado.

Dos demais candidatos, Marina faz seu périplo internacional, critica a ação do governo, chama a atenção para o aumento do desmatamento e pede uma atitude mais firme e comprometida do Brasil para com o desmatamento e a emissão de carbono na reunião de Copenhague. Serra tem fugido à discussão da sucessão mostrando-se incomodado mais com a incursão de Ciro em São Paulo e com suas provocações verbais. Na verdade, adotando uma atitude low-profile, fazendo declarações críticas a questões não tão relevantes como, por exemplo, às políticas do governo para reduzir os desequilíbrios regionais. Serra, habilmente, não critica abertamente o Bolsa Família mas se propõe, de maneira bastante cautelosa, torná-la uma espécie de Bolsa Cidadã, qual seja, um caminho para que o cidadão tenha a bolsa como um instrumento de inserção no mercado de trabalho e de crescimento pessoal e profissional.

É possível que a próxima rodada de pesquisas já mostre um Ciro alcançando o patamar de 20% e, cada vez mais, os erros estratégicos do PT, cometidos por declarações de José Dirceu, pelas declarações infelizes de Marta e pelo olhar enviesado de petistas de alta plumagem em relação a Ciro, só faz com que ele cresça na preferência dos insatisfeitos com o PT e daqueles que gostam de seu estilo desabrido e da pesada crítica que ele faz ao chamado PMDB que pratica o chamado pragmatismo cínico.

O que ainda embaraça o itinerário de Ciro é a insistência do Presidente Lula de querer uma eleição plebiscitária, ou seja, o PT contra o PSDB, já que os demais partidos estão vocacionados para o papel de coadjuvantes, parceiros ou aliados no processo. Ademais, Ciro ainda tem, como uma espécie de espada de Dâmocles sobre a sua cabeça, a indefinição de Eduardo Campos, o presidente de seu partido que, em função das pressões do PT Nacional e das composições locais, ainda tende a querer acompanhar o que Lula deseja. Também, Ciro sabe que, se ele tiver a paciência, a ponderação, a temperança e a humildade, nem que seja “industrializada”, para aguentar as várias pressões, provocações e ciclotimias dos processos de adesão de grupos e segmentos de partidos, ele poderá se consolidar como o candidato anti-Serra mais viável.

A mídia tenta minimizar as restrições do PT a Ciro afirmando que a Direção Nacional está a repensar o cearense como alternativa à Dilma já que, até agora, em termos de leveza de candidatura, a mineira-gaúcha está mais para “bode embarcado”.

DILMA É UMA CANDIDATA PESADA

A contratação do estrategista ou do marqueteiro de Obama, Ben Self, para tentar fazer deslanchar a candidatura de Dilma, não pode fazer milagres. Se não houver carisma, proximidade com o eleitor e alguma idéia-força para fundamentar a proposta, não haverá marqueteiro, por mais brilhante que seja, capaz de fazer de Dilma uma candidata viável. Lula, escorregadio, diz que só daqui a seis meses ficará claro se a tese dele de eleição plebiscitária prevaleceu ou não. Até lá, ele vai de Dilma, fazendo comícios, propaganda e palanque eleitoral sem dar bola para a Justiça Eleitoral e, diante de uma oposição desestruturada, desorganizada e atarantada e sem discurso para enfrentar o carisma e o caráter mítico do itinerário de Lula.

SCENARIUM

A FOME NO MUNDO.

Relatório das Nações Unidas faz alerta sobre a fome no mundo e confirma que o número de famintos já ultrapassa um bilhão de pessoas. Ademais, pelo “andar da carruagem”, se nada de especial for feito, a tendência é de um aumento significativo nos próximos anos e, as famosas Metas do Milênio correm o risco de não serem cumpridas. Tal número de famintos já atinge 15% da população mundial sendo mais concentrada na Ásia e no Pacífico – 642 milhões – e na África Subsahariana com cerca de 265 milhões de pessoas!

E diante de uma crise, como a que ocorreu recentemente, os empregos caem, os preços dos alimentos sobem e o número de famintos aumenta. Para atender as exigências mínimas de segurança alimentar para a população projetada para 2050, a produção deverá crescer, no mínimo, 70%! Tal fato remete-nos ao comentário feito, há uma semana, neste site, sobre o trabalho do Clube de Roma, realizado em 1970 quando, uma espécie de “neomalthusianismo”, tomou conta de muitos “experts” e de lideranças mundiais. 

Naquela época, iniciava-se, na Ásia, uma experiência que iria mudar todos os paradigmas da produção e da produtividade agro-pecuária mundiais, a chamada revolução verde. Melhoramentos genéticos, maior conhecimento dos solos, evolução na qualidade dos fertilizantes, melhoria substantiva nos herbicidas e pesticidas, além de significativo incremento nas técnicas de manejo. Com isto, alavancou-se de tal ordem o crescimento dos rendimentos agropecuários que o fantasma da fome, pelo menos, distanciou-se mais.

Considerando que esse é o maior número de famintos do mundo desde 1970, é bom que se mencione que, mesmo antes da crise econômica internacional, o número de famintos já atingia 850 milhões. O Brasil, face às políticas de segurança alimentar e os programas de distribuição de renda, diminuiu o percentual de subnutridos, de 95 e 97 para 2004 a 2006, de 10% para 6% da população, sendo o país que apresenta o menor número de famintos da América do Sul.

É crucial chamar a atenção para o fato de que, com as exigências de redução substancial de desmatamento – o Brasil pretende reduzir em 80% o desmatamento e, alguns ambientalistas querem o compromisso de zero de desmatamento a partir de agora! -e de alteração da matriz energética para a produção de energia a partir da biomassa, a tendência que a fronteira agrícola fique mais estreita ainda. Portanto, uma nova revolução verde é reclamada pelo mundo bem como uma política demográfica séria para muitos países que apresentam taxas de fertilidade feminina altíssimas.

 GOVERNO TIRA “O BODE” DA SALA!

 Depois de ameaçar a classe média com um verdadeiro estelionato, o governo, diante das repercussões negativas, inclusive para a sua candidata Dilma, resolveu voltar atrás e não mais adiar para 2010 a devolução do Imposto de Renda pago a mais pelos contribuintes. Ou seja, adotou aquela velha prática do “se colar, colou”. Ou, coloca-se o bode na sala. Se não houver reação, mantém-se o bode lá. Mas, se a reação for adversa, age-se como um governante generoso, e tira-se o incomodo visitante da sala. Foi isto o que o governo fez!

 EMPREGOS A MÃO-CHEIA!

 Os dados do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) de setembro mostram que foram criados 252.617 empregos com carteira assinada no país. Meio milhão nos últimos dois meses. O saldo de 2009 chega a 932.651 colocações com carteira assinada. É um patamar próximo ao nível de emprego pré-crise.

 O Nordeste tem o melhor desempenho entre todas as regiões. E, particularmente o Ceará, em termos absolutos e relativos, foi o que teve o melhor desempenho acumulado dos últimos doze meses. E, pasmem, o melhor desempenho foi garantido pela indústria de transformação!

 SENADO FAZ UMA BOA AÇÃO!

 O Senado Federal aprovou o fim da DRU – Desvinculação de Receitas da União – para o orçamento específico da área de educação, o que agregará não só a União, mas a estados e municípios, uma margem apreciável de recursos para turbinar o esforço de melhoria da educação no Brasil. O país, segundo dados da UNESCO, é o segundo a gastar mais, em termos do seu PIB, no mundo, em educação. E, mesmo assim, continua a apresentar os mais baixos índices de qualidade da educação no ensino básico e médio. Na área do ensino universitário, continua agora o país a ostentar mais um título negativo: a USP, que era a única universidade brasileira a estar entre as 200 melhores universidades do mundo, saiu da lista! No dia que houver um plano factível, viável e objetivo de melhoria da qualidade de ensino no Brasil, com metas definidas e prazos determinados, aí a gente vai acreditar que a coisa vai mudar. Porque se depender do dinheiro do pré-sal, então só para 2020 em diante.

Imagine-se se, como agora faz o Senado, o Executivo cumprisse tão somente a lei e aplicasse todos os recursos da CIDE na recuperação e ampliação da malha rodoviária e o FUST fizesse a revolução prometida da inclusão digital, aí o país começaria a dar certo. E se o “sonho de uma noite de verão” de uma reforma cuja Comissão começou a trabalhar, para tornar a justiça mais ágil, aí os brasileiros começariam a ter certeza de que Deus é brasileiro!

 ASSENTAMENTOS RURAIS: FRACASSO, SUCESSO OU…?

 Pesquisa da CNA/IBOPE, divulgada recentemente, indica que o projeto de assentamento do Ministério do Desenvolvimento Agrário tem sido um rotundo fracasso. Mais de 40% de tais assentamentos não produzem o suficiente para garantir a sobrevivência das famílias ali situadas. Além disso, mais de 30% mal alcançam um salário mínimo de rendimento. Ou seja, mesmo com a terra, os recursos investidos em infra-estrutura pelo MDA, além dos mais de R$ 115 milhões de convênios feitos com o MST, a coisa parece que não vai nada bem.

 Aliás, se a Câmara e o Senado quisessem uma boa diversão, poderiam fazer um levantamento, “in loco”, nos assentamentos para verificar se quem fala a verdade é a pesquisa do IBOPE ou o palavreado generoso do Ministro Guilherme Cassel. Também seria de bom alvitre que os nobres senadores dedicassem uma parte de seu tempo para verificar a situação dos projetos de irrigação do Nordeste.

Se estão viabilizados econômica e comercialmente? Se têm oferta suficiente d’água? Se a manutenção de sua infra-estrutura de canais, bombas, etc., opera adequadamente? E, se não há distorções na exploração de áreas, vendidas ou cedidas, pelos irrigantes de forma irregular? Tais perguntinhas dariam subsídios enormes para mudar a política de irrigação no Brasil quando se está a gastar mais de R$ 5 bilhões no projeto de transposição das águas do São Francisco!

 A CHANCELARIA BRASILEIRA!

 A Chancelaria brasileira que defende Batistti, que não permitiu asilo aos boxeadores cubanos, que apoiou o erro da brasileira na Suíça e que abrigou, apoiou e garantiu um quartel general para o Zelaya, fez-se muda, surda e cega diante da atitude do democrático governo cubano de impedir que a blogueira Yoani Sánchez viesse ao Brasil para lançar o seu livro, conforme anunciado em sua entrevista a uma revista de circulação nacional. Continua a Chancelaria no seu itinerário terceiro-mundista, marcado pelos ideologismos e bem próxima de adotar o ideário da revolução bolivariana. Estamos bem e muito bem!

O BRASIL É A BOLA DA VEZ!

Em 2010 o Brasil poderá atrair mais de 60 bilhões de reais de investimentos externos. E isto se deve a alguns fatores de atração de negócios e de empreendedores externos. São eles o custo de oportunidade da aplicação onde aqui se remunera bem mais que qualquer outro lugar do mundo; o pré-sal e seus desdobramentos; a copa de 2014; os jogos olímpicos de 2016 e a nova matriz energética que se constrói no país. Além disso, conta o Brasil ainda com uma relativa estabilidade politico-institucional; uma estabilidade econômico-financeira e um elevado nível de reservas. 

Contra o país, os gargalos institucionais – tributários, trabalhistas e previdenciários -; os gargalos logísticos; a frouxidão dos marcos regulatórios; a insegurança jurídica; além do fato de a produtividade ser muito baixa e o ambiente de negócios não ser um dos melhores. Mas, apesar de tudo isto, o país tem oportunidades de investimentos monumentais…