E BOLSONARO SE PERGUNTA: POR QUE NÃO EU?

 


Os últimos acontecimentos políticos requerem que se busque lançar as bases do novo cenário que deverá surgir e se estabelecer no País. Bolsonaro ganhou mídias intensas em todos os veículos de comunicação e nas redes sociais que um candidato, por vias normais, conseguiria. Também a atitude dos concorrentes já mudou, dramaticamente, diante de alguém, vítima de tragédia, assistida ao vivo e a cores, pela grande maioria da população do País. E, a atitude da mídia será deveras cautelosa com ele pois que, diante do risco de morte, mesmo que agora vá se minimizando, mesmo assim, Bolsonaro continuará a contar com a chamada “mídia novelesca” que apresenta um conteúdo de dramaticidade capaz de provocar lágrimas de “pena e compreensão” em relação a quem  foi vitimado.

Até bem pouco, a candidatura de Bolsonaro era uma quimera de alguém que admitia que a política é a arte de ousar e que acreditava no dito popular de que, “quem chega primeiro bebe água limpa”. Ele apostou no fato singular de que, diante do vazio de homens e de idéias e da indignação de militares revoltados com a promiscuidade, a. irresponsabilidade e a falta de compromisso das elites, máxime da classe política, ele, teimosamente, pôs na cabeça que faltava alguém que falasse aos militares indignados, aos cidadãos revoltados e a chamada parcela dos desempregados e desesperançados sobre como retomar a ordem, a disciplina, a hierarquia e o respeito aos superiores, fundamentais para reestabelecer a confiança nas possibilidades de retomar o curso do desenvolvimento nacional. E, numa ousadia inusitada, se perguntou, “por que não eu?”, diante da natural perplexidade de muitos brasileiros.

Essa atitude de Bolsonaro se assemelha, “modus in rebus”, ao que ocorreu com  JK, claro que, feitas as monumentais ressalvas das diferenças. O episódio mostra como reagem interlocutores mais próximos do candidato e qual  a reação que a.maioria reagiria como, de fato, reagiu JK. No início de seu governo, quando, acompanhado de seu amigo e assessor, o grande Augusto Frederico Schmidt, JK foi fazer uma conferência para um grupo de intelectuais sobre o seu programa de governo. Saiu-se, de tal maneira, de forma competente e convincente,  que o assessor Schmidt, quando ouviu a manifestação do Professor João Calmon de elogios rasgados ao Presidente, insinuando que ele deveria candidatar-se a Academia Brasileira de Letras, gostou tanto da insinuação que comentou, de pronto, com JK: “Ele tem toda a razão. Por que o senhor não se candidata, Presidente?” Ao que JK retrucou: Amigo, isto foi apenas um gesto de delicadeza do amável Professor Calmon”. Um ano depois, em uma outra conferência brilhante do Presidente, em Forum presidido pelo mesmo Professor João Calmon, diante de comentário assemelhado do velho mestre, enquanto JK se sentia lisonjeado, Schmidt, querendo ser agradável ao Presidente, fez uma crítica impiedosa ao Dr. João Calmon e, ao referir-se a ele, afirmou: ”Esse Calmon continua com essa puxação de saco de sempre! Vem, de novo, com essa estória do senhor se candidatar a Academia Brasileira de Letras”! Ao que JK, de pronto, respondeu; “E, por que não? O Getulio não foi!” Por que eu não posso ser?”

Esse episódio, vem se repetindo ao longo da história brasileira através de outros protagonistas. Para que outro exemplo mais recente e melhor do que a saga de LuLa, indiscutível quanto a sua competência e o seu brilho politico incomum? Mas, se lhe sobrava talento e habilidade politica, Lula pode-se afirmar, sem medo de contestação, que ele foi e ainda o é fruto, também, da chamada incompetência da direita, da omissão dos conservadores e, do entusiasmo da mídia que, empolgada com a ascensão de um operário semi-analfabeto ao poder. E udo isto ajudou a produzir os ingredientes necessários para transformá-lo em mito. Lula cresceu pelo que o “establishment” fez dele um mito e alguém a ser respeitado e temido. E, após a criação do mito, não adianta os analistas de última hora se perguntarem como uma cultura Inferior, no caso de Lula,  domina e subordina uma cultura superior. Descobre-se -se, só agora, que Lula conseguiu manipular a midia, as pesquisas e as redes sociais, além de subordinar intelectuais às suas idéias e caprichos, de tal maneira que ele se transformou em uma figura inevitável e definitiva na vida pública nacional e na vida das pessoas.

Da mesma forma, por caminhos distintos e apelos diversos, surgiu, cresceu e se consolidou a figura de Jair Bolsonaro, um deputado do baixo clero e um oficial sem maiores méritos porém que foi capaz de descobrir um veio político qual seja, o de fazer um contraponto com os mais radicais petistas, notadamente quando Lula, limitado no seu ir e vir, abriu caminho para que o discurso agressivo  de Bolsonaro, radical e cheio de ousadias temidas por muitos, ganhasse espaços e apoios. Assim ele passou a representar a figura que expressava o sentimento dos conservadores que estavam em busca  de uma fórmula de  inviabilizar Lula e impedir a volta do PT ao poder.

Alguns analistas admitem que, diante das declarações e da postura radical em algumas questões, Bolsonaro seja alguém que se deva temer, caso chegue ao poder. Ledo engano! Milico por excelência, opera subordinado aos valores da caserna: disciplina, hierarquia, respeito e sempre acreditando que nenhum cidadão construirá algo sozinho mas sim com o seu grupo. Inspira-se nos governantes do regime militar que, conscientes que não tinham conhecimento, visão e sensibilidade dos políticos, fizeram uma aliança com os tecnoburocratas e passaram a gerir o País com os sonhos de grande potência dos milicos e com a sensibilidade técnico-política dos tecnoburocratas.

Bolsonaro não pode e não deve causar medos e maiores temores. Ele é milico. E um milico se regra por princípios claros, ja definidos, anteriormente, e deles não fogem. Conta  com a simpatia dos seus colegas, dos conservadores, dos radicais que hoje se rebelam contra o pt e com aqueles que acreditam que a prioridade maior para o Pais é a ordem, a disciplina e o respeito aos valores mais caros das sociedades tradicionais. Acredita  que a competente e sensível assessoria é que faz um comandante ser bem sucedido.

Diferentemente de Ciro que se sente e se acredita enviado pelos  deuses e detentor de um poder divinal que o autoriza a formular propostas capazes de promover uma transformação profunda do Pais que, na verdade, não se tem idéia para onde tais ideias levarão e nem como irão conduzir o país para que espaço ou tempo de mudanças.  Já Bolsonaro “vende” idéias simples ou deliberadamente simplificadas, aliás, discutíveis e até, controversas, apoiadas em valores tradicionais — como não aceitar educação sexual nas escolas; nem admitir ao quase culto ao movimento LGBT; define-se pro-Israel e se diz temente a Deus. Tudo aquilo que a maioria da população crê, aceita e cultiva. Diz que não aceita o apoio de partidos politicos tradicionais por serem, os mesmos, inconfiáveis. Faz duas criticas a Rede Globo. Apesar de tal postura, os seus maiores apoios concentram-se nas classes média e alta, numa demonstração clara que escolheu o caminho de representar o conservadorismo nacional. Ou seja, os mais ricos e os mais letrados o estão apoiando!

É bom que se afirme que Bolsonaro não é o perfil de candidato que o cenarista queria ver ascender ao poder. Na verdade, a  limitada formação intelectual; a platitude de suas idéias e propostas; o simplismo de sua visão sobre a vida, a condição humana e o mundo, tornam-no pelo menos, uma incógnita na condução do processo politico-institucional do Pais. Talvez o seu crescimento,  em termos de apoio popular, se deva ao fato de que o Brasil nunca tenha assistido a uma situação como a que se viveu nos dias que correm, onde a mediocridade é majoritária em tudo; onde inexistem lideranças com alguma expressividade em qualquer campo da atividade; onde, nem na politica, nem na justica e nem na mídia, ou mesmo no meio dos empresários e  intelectuais, aparece alguém que lance idéias ou provoque qualquer tipo de sentimento nos brasileiros como um todo.

Por isso Bolsonaro assume a liderança das preferências populares! E, agora, mais do que nunca,  vai assistir a diminuição dos índices de rejeição ao seu nome e o crescimento de sua popularidade, na avaliação das preferências dos eleitores. Deverá crescer, diante do comportamento da maioria dos brasileiros, vocacionada ao emocional e a se posicionar favorável à vítima de qualquer acontecimento ou circunstância. São tais valores que são consagrados nas notáveis audiências novelescas onde tragédias e sonhos se misturam.

Assim, a tragédia experimentada por Bolsonaro poderá abrir espaços para que ele venha a crescer e, até mesmo, assumir uma liderança capaz de permitir que ele possa emplacar a presidencia talvez até mesmo no primeiro turno, caso a sua assessoria saiba explorar o evoluir de sua recuperação. Talvez o conhecimento maior por parte do eleitorado, dos conhecimentos, da postura e da firmeza do vice-presidente de Bolsonaro, General Mourão, ajude a ampliar as preferências populares em favor deles. É esperar para ver os desdobramentos tanto desses fatos como aguardar que  Bolsonaro supere rápido, embora com a cautela que as circunstâncias pedem e a política ensina, as limitações impostas por esse crime hediondo por ele sofrido..

UMA SEMANA DE PERDAS E DANOS!

Não bastasse o desastre cultural que chocou a todos os brasileiros que foi a destruição do patrimônio histórico-cultural ocorrido com o incêndio do Museu Nacional, entidade criada pelas autoridades imperiais no século dezenove, agora uma demonstração inusitada e surpreendente de violência.

A independência foi assinada pela Rainha Leopoldina em 2 de setembro ou foi assinada e proclamada dia 7 de setembro, as margens do Ipiranga,  pelo Imperador Pedro Primeiro? Será que foi a Rainha que assinou o ato e comunicou o marido que ele deveria fazer o gesto? Ou isto seria uma teoria conspiratória?

Não obstante esse fato que reflete a leviandade de como as coisas sérias são conduzidas pelas autoridades e pelos historiadores, é fundamental enfrentar com seriedade, as tragédias que o País tem enfrentado, ultimamente!

E, nas vésperas do dia da pátria, não é que algo inusitado ocorre no Brasil que só se tinha noticia ocorrendo em outros países mas nunca na pátria amada. 

Ocorre um atentado à vida de Jair Bolsonaro, em pleno centro de Juiz de Fora, numa caminhada no meio do povo! Nunca se esperava que alguém praticaria um ato tresloucado contra o candidato melhor posicionado na disputa presidencial. Pelas circunstâncias políticas que experimenta o País, o trágico evento foi visto como um atentado à democracia.

Alguém perguntaria como um candidato presidencial que conta com 21 membros da polícia federal para garantir a sua segurança, poderia sofrer um atentado dessa natureza? Três circunstâncias conduziram a, possivelmente, que tal perverso fato viesse a ocorrer. A primeira, a negligência do candidato de andar no meio de uma multidão e, tendo consciência de que querer andar nos braços do povo, eleva substancialmente,””

 os riscos de violência e impede o trabalho mais eficiente da polícia federal. A segunda irresponsabilidade foi do candidato que, argumentando que fazia calor em demasia resolveu dispensar ou abrir mão do uso do colete de proteção abdominal, que teria impedido que ele fosse atingido.

A terceira negligência foi aquela de querer fazer todo o percurso no ombro de um correligionário quando ele já havia percorrido mais de trezentos metros até o destino que estaria a pouco mais de  cem metros.

Agora tais ponderações, duas coisas ficam no ar para que as investigações policiais esclareçam e os analistas políticos mostrem as suas avaliações sobre que rumos tomará o processo. Ademais a última apreciação a fazer é sobre quem será o grande beneficiário dessa tragédia.

A família Bolsonaro tem como prioridade maior a recuperação dele sem maiores sequelas. Sabe-se que ele deverá ficar hospitalizado de 7 a dez dias caso nada ocorra para complicar o quadro de recuperação do candidato. E é esse aspecto que mais preocupa a família. A Bolsonaro, particularmente, a colostomia nele colocada, será um trambolho que o incomodará por, pelo menos, três longos meses! Afora isto, o que se tem de avaliar é o que ocorrerá até a eleição. 

Com a saída hoje já definitiva de Lula da corrida presidencial, a situação do pt se complica bastante pois Haddad não tem charme, nem carisma e nem discurso capaz de empolgar as massas. E, pior! Caso haja no caminhar das investigações ficar insinuado que o pt tem a ver com o atentado à Bolsonaro, aí não se tem ideia do tamanho do prejuízo.

Quem ganha mesmo é Bolsonaro. Por três razões. A primeira pela natural atitude e comportamento dos brasileiros que são muito solidários a alguém que foi vítima de possíveis atitudes de interesses dos adversários ou das próprias circunstâncias que marcaram ou dramatizaram o episódio. A segunda será a natural redução de sua taxa de rejeição pois a idéia de ser um defensor de atos de violência para superar a insegurança e a criminalidade, parece que será minimizada por ter sido ele vítima da violência que ele tão intransigentemente combate!

Finalmente, se o comportamento do eleitorado não mudou nos últimos anos, talvez se repita o fenômeno do que ocorreu quando da trágica morte do presidenciável Eduardo Campos em desastre aéreo. Marina Silva que era sua vice, já na primeira pesquisa após o ocorrido, cresceu, pelo menos, dez pontos percentuais logo após a tragédia e a indicação de seu nome para substituir Eduardo Campos.

O cenarista acredita que, já na segunda feira, as perspectivas mostrarão um Bolsonaro com 28 a 30% das preferências populares.

Adicionalmente Bolsonaro deverá, pela recuperação e convalescença, ser favorecido pelo não comparecimento aos debates e será poupado de críticas mais impiedosas de seus concorrentes. Na verdade, também será beneficiado pela temática que deve prevalecer nos debates onde a violência e o seu combate estarão na ordem do dia!

NADA DESPERTA INTERESSE!

Há quase cinco anos o País ingressou na, talvez, mais séria crise econômico-social e política de sua história. Crise que não só gerou um estoque de 14 milhões de desempregados e uma queda na renda significativa disponível das pessoas, mas, também, um recuo nas decisões de investimentos dos agentes produtivos. No entanto, o saldo mais negativo desse triste momento do Pais e, também, o mais importante e o mais preocupante, foi o que ocorreu com o “mood”, ou melhor, com o ânimo dos brasileiros. Pela primeira vez, numa pesquisa internacional, o Brasil figurou como uma das mais pessimistas populações do mundo. Segundo tal pesquisa sobre o ânimo, o entusiasmo ou o otimismo dos patrícios,  o Brasil surge como a sétima nação mais pessimista entre mais de trinta nações avaliadas ou investigadas quanto a tais aspectos!

Isto é muito grave pois o clima entre as pessoas, de desentusiasmo, de desencanto e até mesmo de indignação e de revolta, leva a situações chocantes e quase dramáticas como o atentado sofrido pelo presidenciável Jair Bolsonaro em plena via pública, no centro de Juiz de Fora. Ou seja, a intolerância tem levado a agressões verbais e físicas já se espalhando país afora, a várias figuras da vida pública nacional, que, dentro do padrão democrático, são totalmente inaceitáveis.

Isto é intolerável, não importa o nível de insatisfação, de indignação e de revolta que as pessoas estão mergulhadas em face da crise econômica que lhes impôs tantos sacrifícios, tantas limitações a sua vida e tantos problemas a sua existência. Não importa que o atentado não tenha nada a ver com atos conspiratórios ou com ações de caráter terrorista a partir de grupos ou entidades politico-partidárias. Parece que o ato parece algo isolado por alguém insano ou alguém que busca uma notoriedade por caminhos transversos a legalidade e ao  equilibrio emocional. Independentemente disso, representa um atentado à própria democracia.

Assim, o que ocorreu hoje representa algo preocupante quando se observa o nível de estresse e de desequilíbrio emocional que a crise promoveu na vida de milhões de brasileiros. Ninguem acredita mais em nada, nem nos homens púbicos e nem nas instituições. As coisas mudaram de eixo deixando para trás aquele otimismo e a crença no amanhã que dominava mentes e corações dos brasileiros. É bom recordar que o clima hâ bem pouco tempo, era bem distinto. As pessoas ainda tinham alguma fé e talvez alguma esperança no comportamento e atitude da justica mas, depois de tantos fatos que reduziram a sua credibilidade, nem mais este poder parece confiável.

O que mais preocupa é que as pessoas andam profundamente irritadas, revoltadas e indignadas e, no mais das vezes, destilam seus ressentimentos em qualquer um que encarne qualquer forma de poder porquanto a insatisfação das pessoas diante dos efeitos nefastos da crise econômica, procura encontrar um responsável por tal situação. E, de um modo geral, tal possível culpa pela situação recai sobre autoridades constituídas, notadamente políticos.

Ninguém acredita que este gesto quase tresloucado represente uma possível tendência de comportamento da sociedade e que tal fato tenha um efeito multiplicador capaz de se disseminar em mais atos de violência País afora. Em assim sendo, o que se espera é que as autoridades reprimam, de forma dura, quaisquer tentativas de reproduzir tal ato ou a criação de um ambiente de hostilidade no País. Também é fundamental que a política econômica comece a mudar o clima de incerteza e de insegurança econômica que domina o Brasil.

É bom insistir no fato de que, com a saída de Lula do páreo eleitoral, pacífica-se o quadro político-eleitoral e desaparece da cena a perigosa polarização do “nós contra eles”. O atentado à Bolsonaro deve advertir a todos de que o acirramento das disputas não deve estimular o acirramento de ânimos capaz de reproduzir atitudes tresloucadas como o desse cidadão.

Este cenarista chamava a atenção para o fato de que, a mera saída de Lula da disputa presidencial, começava a criar um clima mais favorável para as decisões da área econômica. A própria instabilidade de câmbio já começa a sinalizar que voltará às flutuações normais e naturais dependendo apenas de fatores externos incontroláveis e não do clima e do ambiente de negócios no País. Assim, embora a retomada da economia dependa da confiança nas instituições e na crença de que as coisas tendam a mudar para melhor, além das políticas públicas de estímulo às ações dos agentes produtivos, não resta a menor dúvida de que não havendo agentes intranquilizadores a tendência é que o ambiente comece a se tornar mais otimistas as expectativas.

 

O MITO SAI DE CENA!

Ao que parece, o que mais gerava instabilidade, preocupação e incerteza para os chamados formadores de opinião, quanto ao amanhã do Pais, passou! Com base em que se faz tão  peremptória afirmação? Isto porque “o mito” saiu de cena e não há mais possibilidade de seu retorno ou, para não ser tão  definitivo, são remotíssimas as probabilidades. Ele era o único dado nesse cenário político qe gerava preocupações  pois muitos temiam o seu retorno e o do PT, ao controle político do Pais. A experiência vivida pelos brasileiros, que culminou na mais profunda e ampla crise econômica-social até agora vivenciada pelo País, deixou marcas e sequelas difíceis de serem

Agora sim! Pode-se afirmar que o Brasil tem tudo para começar um novo tempo! Isto porque, até mesmo as indefinições sobre quem vai comandar o país nos próximos quatro ou oito anos, não preocupam tanto os brasileiros. A sucessão presidencial parece que não gera angústias em termos do nome escolhido, notadamente para os que creem que o Brasil não precisa de um Messias ou de um salvador da patria, pois se admite  que as instituições  operam e não são mais  deveras frágeis como até bem poucos anos atrás. Na verdade, aos olhos do analista, não importa muito quem ganhe o processo, pois que,  nos dias que correm, os  graus de liberdade no agir por parte de um presidente, são  bem reduzidos, em face do peso das instituições.

Os poderes constituídos exercem controles e exercem freios, uns sobre os outros, num mecanismo conhecido pelos americanos de “checks and balances”. Se isto não  bastasse, as circunstâncias externas e  a significação do Pais, em face de suas dimensões, de sua importância econômica e de seu papel estratégico, delimam o ir e vir de um presidente, não importa a soma de prestígio popular e o seu carisma. Por outro lado, historicamente, as forças armadas sempre exerceram uma presença fundamental e, as vezes, até incômoda no processo político-institucional, representando uma certeza de que um governante autoritário e tresloucado não teria a liberdade de atos insensatos que usasse e abusasse do “direito inalienável e fundamental” de todo cidadão, de fazer besteiras.

Ademais, a mídia, onde o equilibrio entre os interesses negociais dos patrões e a postura e atitude ideológica dos jornalistas, seus funcionários, ajudam a reduzir os riscos de guinadas politicas perigosas. Também, o empresariado, de um modo geral tentado a, pelo menos, demonstrar ou mostrar suas insatisfações e desconfianças nas instituições, sempre conseguem sinalizar seu mal estar e as suas preocupações, através de hesitações e inseguranças quanto a decisões de investimentos e expansão de seus negócios. Finalmente, a chamada classe média, excessivamente cautelosa e, muitas vezes, mais preocupadas em manter seu “status quo”, não gera mobilizações e articulações politicas capazes de demonstrar força política efetiva no processo, a não ser em circunstâncias muito especiais, como foram as que culminaram nas manifestações de 2013.

Assim, com o fim do caminho para Lula, o mercado voltará a respirar mais aliviado; a cotação do dólar flutuará nos seus limites normais apenas agregando algumas alterações, fruto de mudança de rumo da economia americana e a economia voltará a mostrar sintomas de que poderá ganhar algum dinamismo adicional. É claro que não será o acaso que permitirá a correção de distorções que comprometem o desempenho da economia. O tamanho, a presença excessiva nas atividades produtivas e a centralização do estado brasileiro, hoje capaz de produzir um deficit além dos 150 bilhões de reais, é questão fundamental a ser revista. Como também, um rombo nas contas públicas de mais de 150 bilhões de reais só este ano alem de uma da divida interna — hoje em mais de 5 trilhões de reais! —; uma previdência que se mostra insustentável e que requer imediata intervenção e ação na sua estrutura de operação, são providências saneadoras que se impõem de forma urgente e quase imediata.

Também, só a construção de um ambiente mais favorável e menos estressante, permitirá que se possa começar a enfrentar aqueles desafios mais sentidos pela população como é a questão da assustadora violência que se alastra País afora; a precariedade do saneamento ambiental que representa monumental causador dos baixos e precários índices de saúde  pública; a limitação de transporte de massa, que inferniza a vida do cidadão urbano; a precariedade da saude pública e a baixa qualidade da educação de base, entre outros.

É claro que tudo isto aguarda por reformas  institucionais sérias como a reforma do estado, a fiscal e a previdenciária  e tudo o mais de reformas também dependerão  de uma gestão de governo que as enfrente e as ponha em prática. Mas, para que o pessimismo, a angústia, a inquietação e esse marasmo que toma conta do Pais sejam superados,  era preciso que Lula saísse de cena e deixasse o caminho livre pois tudo que se construiu a respeito dele, dos temores sobre a sua possível volta ou, para muitos, o seu “amargo regresso” e do incômodo retorno de petistas amargos, amargurados e desejosos de vingança e, claro, sem os  predicados de competência e de espírito público desejados e esperados, o Brasil não encontraria meios de fazer retornar o  sonho e a esperança.

Quatro longos anos de crise com quase 13 milhões de desempregados e com uma economia andando, anos apos ano, para trás, deixou muitas marcas, muitos prejuízos, muitos desconfortos e até mesmo, muita revolta pois as pessoas se sentiram usadas, abusadas e roubadas, na sua boa fé, pelos seus líderes políticos. Isto ficava ainda mais claro e patente quando se verificava que, enquanto o Brasil mergulhava em uma recessão profunda, o mundo ao seu redor crescia, seguidamente, a 3% ao ano!

Agora, não havendo o que temer pois a chamada e propalada “luta de classes” não terá mais ambiente para prosperar pois Lula, a seu estilo, ao não permitir o surgimento de lideranças que o sucedessem, agindo tal qual “sombra de mangueira”, não deixou nem deixará herdeiros. E, se houvera feito como Chavez, talvez o País hoje temesse um Maduro, como ocorre  com a pobre e desesperada Venezuela.

Agora é a hora de retomar a caminhada sem sobressaltos.

QUE PROPOSTAS O PAÍS ESPERA SEREM APRESENTADAS?

Discurso e conversa mole não ajudam em nada em imaginar e conceber que tipo de dirigente o país poderá vir a ter ou o que o Brasil precisa ter. Até agora não se sabe, ao certo, quais as propostas que os vários candidatos e que poderão sensibilizar o  eleitorado. Nem tampouco, atë que ponto, elas poderão sensibilizar e, até mesmo, empolgar o distinto público. Na verdade anunciar que “vai tirar todos os inscritos no e do SPC” ou afirmar que deve acabar com coisas vistas como inúteis como a Justiça do Trabalho, inclusive com o fim do Ministerio do Trabalho e a tal justiça eleitoral, órgãos quase únicos na estrutura de poder dos estados democraticos do mundo, parece não tocar o eleitorafo. Propor ideias genéricas de combate à corrupção e a redução significativa dos níveis de violência, são propostas por demais  genéricas que não geram o que se pode chamar de esperança consequente no coração e mente dos brasileiros.

As pessoas estão a aguardar o anúncio de propostas transformadoras e viáveis bem como propostas que não só sejam capazes de serem visiualizadas mas também como passíveis de serem implementadas e que, possivelmente venham a mudar o curso das coisas e a efetiva retomada do crescimento econômico. Hoje, com um orçamento totalmente engessado, com uma poupança pública muito limitada e uma poupança privada restrita pelos limites da expansão da econômica  nacional, além da insegurança jurídica e da imprevisibilidade  judicial  que impõem limitações, muito grandes, aos investimentos internacionais, as perspectivas de crescimento não são nada otimistas.

Necessariamente se se pretender mudar o curso da história do país, é fundament ousar em ações estruturais da dimensão daquela orientado a uma revisão do tamanho, da sua presença na sociedade e na vida das pessoas do estado brasileiro. Por consequência, é fundamental rever o processo de organização e atuação do estado brasileiro, pois sem isso, nada será possível fazer. É preciso aceitar duas premissas basicas relacionadas ao estado brasileiro. A primeiro é a de que, aqui, há estado demais e sociedade civil de menos. Ou seja, o estado é maior que a própria sociedade civil do país e isto produz distorções, ineficiências e ilegitimidades de toda ordem,  gerando, inclusive, impedimentos e restrições enormes ao adequado e eficiente desempenho de seu papel.

A segunda premissa para permitir que se projete ou se imagine uma reforma básica do estado brasileiro, o é aquela que se traduz na frase de “menos BRASILIA e mais Brasil” o que representa reduzir, substancialmente, o centralismo e das decisões do poder público, excessivamente marcado pelo governo federal, sem que a sociedade civil seja a protagonista maior dos seus destinos. Sem que se estabeleça uma revisão crítica do que cabe, como atribuições e competências, à sociedade civil e o que compete ao poder público, será difícil retirar o País do atoleiro em que se encontra. Na verdade, tudo que a sociedade civil poder fazer deverá ser deixado à sua respnsabilidade e o estado deverá deixar de se imiscuir não apenas na realização direta de obras e serviços bem como no normatizar e regulamentar, excessivamente,  as atividades da sociedade, notadamente as atividades produtivas. Assim, aquilo que a sociedade civil tiver dificuldades e limitações para concretizar e venha a caber ao estado, como conceito maior, levar a que se realize pelo ente público mais próximo, mais legítimo e mais adequado para atender às demandas do cidadão. E nesse caso, necessariamente será o municipio que representa o “locus” legítimo e privilegiado da cidadania. Ninguém mora na União e nem no estado mas, objetivamente, no município! Se assim se proceder, então muitas ineficiências, muitas inadequações, muitas corrupções e muitos desvios de conduta que se apresentam no dia a dia da oferta e da prestação dos serviços públicos, poderão vir a ser superados.

Se se quer a revisão do tamanho, das atribuições e da divisão do trabalho entre estado e sociedade civil que um novo pacto nacional venha a definir, tais reformas e providências deverão ser a base em que se assentarão as demais medidas destinadas a gerar o ambiente adequado para o desenvolvimento das atividades produtivas. Entre elas está a construção de um processo que garanta a estabilidade político-institucional do País gerando o ambiente necessário para que se construa o nível de confiança exigido e para que prosperem as iniciativas da classe produtiva. Assim, além de reformar o estado tornando-o menor, mais leve, descentralizado e mais eficiente, a segurança jurídica e a previsibilidade judicial são fatores fundamentais para gerar o clima de estabilidade que permita a volta da confiança e da esperança nos e dos  agentes produtivos.

Se isto já representa uma verdadeira revolução, a remontagem do novo pacto federativo aí embutido, propiciará que se desmonte o atual processo de engessamento do orçamento ou dos orçamentos públicos, nos três níveis de poder  de forma a que se devolva, à sociedade e aos governantes, os graus de liberdade necessários para a definição e a hierarquização de prioridades.

A nova definição do que deve ser o conceito mais atualizado do estado – mais leve, mais legítimo, mais representativo, mais próximo do cidadão e, por consequência,  mais eficiente — abre espaço para que sejam promovidas algumas reformas essenciais como a fiscal (notadamente no que respeita ao gasto público); a da previdência, a reforma trabalhista e outros ajustes capazes de rever ideias e conceitos de operação da sociedade. Reduzir a parafernália de leis, decretos e diplomas legais de toda ordem, é fundamental a permitir o livre ir e vir das pessoas e a circulação das ideias.

 

BOLSONARO, A BOLA DA VEZ!


Bolsonaro é o candidato que os demais pretendentes tentarão buscar tirar votos. Isto porque se busca abocanhar mais votos de quem os tem em maior quantidade embora a lógica deveria ser, em primeiro lugar, intentar atacar os concorrentes nos seus pontos de maior fragilidade, independentemente da dimensão de seus votos potenciais.. Assim a primeira alternativa buscada pelo que se sente até agora, certamente é aquela de, num primeiro momento, atrair eleitores de quem os tem, muitos. E, ao que parece, seria o caso do capitão Jair! Assim, tanto Ciro como Fernando Haddad e, até mesmo Alkimim, buscarão atacar, primeiro, de maneira impiedosa, as bases de Bolsonaro. Vão mostrar as suas contradições, os seus equívocos e as suas inconsistências. A estratégia é desestabilizar e desestruturar  a campanha de Bolsonaro intentando fragiliza-lo e, consequentemente, retirar as possibilidades do candidato de se mitificar e tornar-se um candidato pouco vulnerável às críticas dos formadores de opinião!

Até agora as estratégias adotadas parece que não surtiram efeito. Segundo uma última pesquisa de opinião, Lula constaria ainda com 30,8% u 39% das preferências populares e Bolsonaro, ao invés de cair, estaria entre 19 e 22,8%! Na verdade o seu crescimento se deve a várias circunstâncias. A primeira é que ele é, ao que parece só ele, estaria a expressar, de maneira mais objetiva e popular, o sentimento de revolta e de indignação que toma conta de toda a sociedade brasileira, O segundo aspecto é que, a ocupação de espaços na mídia e nas redes sociais pelo candidato tem sido quase que, avassaladora, em comparação com os demais candidatos. Em terceiro lugar, os chamados candidatos mais ao centro, inclusive Alkimim, estacionaram em patamares muito baixos nas pesquisas e, até agora, nâo apresentam tendências a melhorarem suas posições. Por fim, a atitude da mídia em relação a Bolsonaro tem o vitimado e o feito crescer.

Na verdade, uma ponderarão deve ser feita. É aquela que mostra que tem sido a direita e a mídia que tem feito o crescimento de Lula nas pesquisas na proporção em que buscam mostrar que só uma medida de força, como a que alegam estaria sendo tomada pela justiça, tiraria o poder de quem legitimamente tem o respaldo popular.  Estão, com seus gestos e suas atitudes ou, quem sabe, até pelo temor de vê-lo voltar ao poder “com sangue na boca” e com queixas de muita gente, temendo desagradá-lo desde já.

É fundamental que se diga que, a quase certeza de que Lula não será candidato e a pouca expressividade do possível candidato petista, Fernando Haddad, escolha típica do perfil de Lula que não quer ninguém no partido que tenha a possibilidade de um dia ser maior que ele, faz com que os conservadores do país — e são muitos! — encontrem em Bolsonaro a segurança de que não se terá um postulante sequer com qualquer simpatia em relação as esquerdas e, bem ou mal, um nome que expressa a sensação de que vai fazer una limpeza ética no Brasil, na sua política e na administração pública.

E, o mais interessante desse processo é que Bolsonaro, com o seu discurso, traduz aquilo que pensa a sociedade brasileira, ou o povão das suas elites, dos seus dirigentes, de seus políticos e, inclusive de sua imprensa, vista como sempre a serviço de seus interesses particulares, embora mantenha um grupo significativo dos jornalistas que emprega, com postura e discurso de esquerda. Na verdade, o desenho que se estabelece, no momento, do quadro eleitoral, as pesquisas estão a negar o primeiro pensamento dos analistas, inclusive deste cenarista, é que a ausência nas urnas de eleitores e a fortíssima presença dos votos de protesto. Os dados preliminares de pesquisa mostram, a princípio, que não serão tão avassaladores como se imaginava!

Assim o pleito continuará sem empolgar as ditas massas inclusive porque nenhum candidato mostra-se carismático ou de um populismo convincente e a sociedade, após quatro anos “na peia”, como afirma o dito popular nordestino, ou seja, mergulhada numa crise tamanha que teima em não querer sair, encontra-se pessimista, indignada e até mesmo revoltada, não se manifestando favoravelmente a nada e nem a ninguém.

O fato é que Bolsonaro, milico bem mandarino, está sabendo fazer o dever de casa. Não mai se irrita, demonstra que a mídia é de esquerda e contra ele; que até a Rede Globo quer ve-lo derrotado e, em manobras bem pensada vai driblando as resistência ao seu nome. Agora decidiu que não participa mais de qualquer debate, deixando a entender que a mídia é contra ele e quer masssacrá-lo, faz todo o sentido, para os seu seguidores, a decisão tomada.

Pelo andar da carruagem, a não ser que os programas de rádio e tv venham a despertar profundo interesse do eleitorado e alguém surja com ideias convincentes capaz de sensibilizar o populismo latente no país, por enquanto o caminho continua aberto a Bolsonaro

 

 

 

o

NADA DE NOVO SOB O SOL!

 

O tempo passa, o tempo voa e tudo continua numa… mesma! Ou seja, ingressa o Brasil num processo politico-eleitoral em pleito quase que, geral, onde as mais relevantes escolhas serão feitas pelos cidadãos brasileiros, com vistas ao seu hoje e ao seu amanhã! Mas, mesmo diante de tal relevância, o que está, realmente, a ocorrer? Uma total indiferença, um total descaso e um total desinteresse como se o evento nada tivesse a ver com os destinos de cada membro dessa mesma sociedade! Objetos da avaliação de cada brasileiro, os homens e os nomes que ocuparão as mais relevantes funções que definirão os rumos e caminhos do País, transformando sonhos e aspirações em algo real concreto ou em possíveis pesadelos, mesmo assim ninguém dá bolas para as escolhas e para as possíveis opções! E, o mais grave é que, na ante-véspera de tão relevante evento, nada se move, nada se mexe e tudo “fica como dantes no quartel de Abrantes”!

Diante de tal quadro de desentusiasmo que talvez seja a expressão do inconformismo diante das frustrações e dos desencantos experimentados  pelos brasileiros nos últimos quatro anos, frutos de decisões equivocadas tomadas por dirigentes, homens públicos e politicos, fica a indagação sobre que rumos tomará a sociedade brasileira.

A tendência esperada é que essa enxurrada de desconfortos e insatisfações se manifeste no pleito que se aproxima. A tendência seria que pudesse vir a se verificar uma avalanche de votos brancos e nulos e se tivesse uma das eleições menos legítimas e menos representativas da história republicana! E tal fato nada mais espelharia e explicitaria do que a descrença, a indignação e a revolta do povo em relação a classe política do País.

E o mais grave é que a reforma politico-eleitoral recente que buscava, entre outros objetivos, disciplinar e moralizar os gastos eleitorais, não irá colaborar, em nada, para propiciar uma possível renovação dos quadros eleitorais e partidários. Ao contrário,  a criação e a utilização dos fundos eleitoral e partidário, ao conferir aos dirigentes partidários a prerrogativa de promover a distribuição dos referidos meios entre os candidatos, acabará privilegiando os atuais detentores de mandatos, em detrimento de uma possível renovação de quadros! Ademais as próprias restrições estabelecidas as contribuições financeiras, de pessoas físicas e jurídicas, também contribuirão para a não renovação politico-eleitoral desejada!         Assim, as eleições de outubro proximo não terão o condão nem de empolgar e nem de reacender esperanças pois que as próprias manifestações dos candidatos não trazem novidades, nem ideias polêmicas e nem propostas que levantem o debate e promovam a contradição e o confronto de idéias.

Ou seja, nada há a se esperar senão, mais e mais, do mesmo! É uma pena! Nem sequer atitudes exóticas, declarações inusitadas ou propostas estapafúrdias surgem no horizonte na boca de pretensos candidatos. Até a esperada reação pelo tamanho da indignação da sociedade, que poderia ser demostrada por uma esperada avalanche de votos brancos e nulas, imagina-se que venha a ocorrer! Mesmo nas pesquisas de avaliação preliminar das preferências eleitorais, tal fato tem se manifestado.

Alguns atribuem ao fato de que, uma grande maioria do eleitorado é dependente do bolsa-família e buscará votar em quem lhes, presumidamente, garantir a manutenção desse e de outros benefícios assemelhados. Por outro lado, pelo desânimo que toma conta dos petistas e a dispersão e o sem rumo das chamadas esquerdas, a tendência é que o processo marche sem grandes expectativas, sem grandes novidades e venha a consolidar a posição de quem hoje consegue angariar a simpatia dos revoltados e dos indignados país afora.

Assim, poucos são os elementos e as circunstâncias que venham a favorecer esperanças de tempos e dias melhores e que as reformas institucionais necessárias, as mudanças desejadas e os novos caminhos sonhados, a se concretizar. Permanecerá a sociedade nessa mesmice sem rumo, sem prumo e sem capacidade de acreditar que tem um enorme potencial a explorar e resultados a aocançar!

O PROCESSO MARCHA PORÉM SEM GRANDES NOVIDADES!

Uma semana deveras movimentada no que respeita ao andamento do processo politico-eleitoral. As candidaturas se definem, os vices são anunciados e as coligações e acertos estão se estabelecendo. Algumas idéias são colocadas pelos candidatos, mas, na verdade, nada que defina um projeto para o Brasil. Até agora nenhum dos nomes foi capaz de despertar paixões e emoções nem tampouco lançar idéias  capazes de sensibilizar ou entusiasmar segmentos do eleitorado. Na verdade, a campanha ainda é chocha e desinteressante. No entanto, aos poucos, parece, que o pleito, começa a sensibilizar o entusiasmo do eleitor nos estados onde já há uma tendência de um maior acirramento das paixões e dos ânimos pois os interesses, por serem mais próximos, ativam mais tais sentimentos. Porém, o que interessa mais imediatamente aos eleitores como um todo e aos analistas, em particular, é aferir e avaliar quais as tendências e perspectivas do processo eleitoral e como os vários atores vão assumindo o seu papel.

Bolsonaro, por exemplo, com seu estilo peculiar, continua a entusiasmar os saudosistas do regime militar e aqueles que querem um pouco mais, nas relações sociais, da presença de valores como a hierarquia, a disciplina e o respeito extremo aos valores democráticos. O seu modelo ou seu protótipo, escolhido estrategicamente, parece querer reeditar uma espécie de Trump tupininquim, pois os valores que defende e os objetivos nacionais que propaga, são aqueles assemelhados aos do Presidente americano. Ao que parece procura derrubar mitos de que um presidente do tipo de que o mesmo seria uma espécie de salvador da pátria, um enviado dos deuses ou um homem com todo o saber capaz de dispor de respostas para todos os desafios e problemas. E assim passa, pela sua própria forma de responder a questionamentos, a mostrar que governará como fizeram os presidentes do regime autoritário que o fizeram montados numa aliança com a técnico-burocracia e com profunda reverência e respeito aos profissionais de saber técnico-econômico social e Juridico por eles escolhidos.

Ciro, por outro lado, intenta ser uma proposta diferente caracterizando-se como nem de esquerda, nem de direita e também não se rotula de centro. Procura dar una demonstração de ser um homem acima de seu tempo e de professar ideias que ainda estão por vir. Com seu ar imperial, detentor como se mostra,  de todo o conhecimento e de todas as verdades, denunciando a todos e a tudo, sendo crítico impiedoso de todos os gestores públicos do país, não reservando um elogio, sequer ao irmão, procura demonstrar não ter compromissos e nem amarras com partidos, agremiações,  grupos, pessoas ou líderes. Com isso vai tentando angariar simpatias e apoios para um projeto de poder que até hoje não explicitou claramente as suas bases e os seus apelos. Continua irônico, crítico mordaz, polêmico e, muitas vezes, até agressivo, no enfrentamento de críticas ou de adversários.

Alkimim parece querer capitalizar, nesse ambiente tão pesado, de visão crítica e até belicoso,  experimenta a sociedade brasileira, o epíteto que lhe marca a atitude e o comportamento nos embates: picolé de xuxu! Ou seja, não se irrita, não faz grosserias e não perde a tramontana, em qualquer circunstância, dando a entender, a todos, que o País precisa mais da conciliação e do entendimento do que do confronto e da agressividade. Trabalha com o capital que construiu em todos  esses anos, desde vereador em Pindamonhangaba, até candidato à Presidência da República, em 2006, quando disputou o segundo turno com Lula. Procura, sem exageros e sem excessos, mostrar a ficha limpa, os feitos e o que sabe de gestão pública e de negociação de interesses e pressões que um executivo do naipe de um presidente,  tem que enfrentar. Fechou acordos partidários muito relevantes e já conta com apoios significativos como os dos candidatos a governador do Rio, Eduardo Paes, do candidato a governador de Minas, Antônio Anastasia e, com a escolha de Ana Amélia, um significativo apoio do Rio Grande do Sul. Também a lealdade de líderes expressivos de seu partido como Tasso Jereissati, Theotonio Vilella Filho, entre outros. Se não bastasse, tem a seu favor, o temor do empresariado paulista e nacional, que não quer ser surpreendido por uma opção eleitoral voluntariosa e de difícil relacionamento como seria Ciro Gomes ou o estilo militarista de Bolsonaro, ou ainda o temor de uma nova surpresa de esquerda. Isto os leva a uma pesada aposta de suas fichas no conservadorismo e no equilíbrio de gestor que representa Alkimim.

Os demais pretendentes, desde Marina Silva, com seu ar “de já vue” até a possível proposta petista que se encaminha talvez para o ex- governador da Bahia, Jacques Wagner ou para o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, nada mais parece representar alternativa de poder passível de sensibilizar o eleitorado a ponto de empolgã-lo no quadro que aí está. Na verdade, mesmo com as composições partidárias possíveis, é difícil acreditar numa arrancada de Meirelles, de Álvaro Dias, de Guilherme Boulos, de Manuela D’Avila ou de outro pretendente. Todos têm pouco a mostrar e potencial para ser capaz de virar o jogo e  tornar-se uma figura carismática nacional.

O que chama a atenção dos discursos de tais pré-candidatos é que, até agora, nenhum dos candidatos ainda não apresentou uma espécie de idéia-força de seu projeto de poder ou o que se poderia qualificar de uma espécie de estruturação de pensamento sobre o que querem para o Brasil,  capaz de empolgar e sensibilizar o eleitorado. Dizer, por exemplo, que em dois anos liquidará o estoque de desemprego não sensibiliza ninguém se não for explicitado como e com que meios tal objetivo ou meta seria alcançado. Propor que nos próximos quatro anos proverá meios para que os 63 milhões de cidadãos devedores estarão fora do SERASA, parece um sonho de uma noite de verão. Sugerir que fará as reformas institucionais fundamentais também não acena nada de esperança consequente para os brasileiros.

O que o eleitorado quer saber é como se diminui o tamanho do estado, quer simplificando-o, quer desestatizando uma série de funções e atribuições ou quer descentralizando as suas ações, não apenas para municípios e estados mas, também, para a própria sociedade civil. Isto representará uma reforma do estado e uma revisão de suas políticas tributária e fiscal com vista a esse redesenho de atribuições, competências e funções. Não adianta manifestar ideias sobre como enfrentar as demandas mais urgentes  da sociedade relacionadas à segurança pública, à educação, â saúde, a questões urbanas como transporte de massa, saneamento básico e melhoria de acesso a serviços públicos essenciais. Isto porque, diante da rigidez do orçamento público federal e dos reduzidos graus de liberdade para geri-lo, nenhuma proposta mostrar-se-á consistente se não se definir como tais gastos serão financiados.

Ou seja, como superar a rigidez orçamentária, melhorar a eficiência do gasto público, diminuir desperdícios e garantir foco as prioridades governamentais, representam pontos cruciais a serem claramente explicitados por cada um dos candidatos, definindo as estratégias que deverão adotar para tornar real-concreto tais propostas. Isto é algo objetivo que se quer ver acontecer.

Um dos fatos auspiciosos dessa eleição é o efeito já sentido da lei da ficha limpa na escolha dos nomes para disputar os cargos executivos mais relevantes do Pais. Representou um grande avanço da mesma forma que a nova lei de financiamento das campanhas eleitorais e a futura aplicação do diploma legal sobre as chamadas coligações proporcionais,  já estão a produzir efeitos sobre o quadro político-eleitoral do Brasil. É claro que um sistema com tantas distorções e com tantos vícios não consegue ser mudado, integralmente, de uma só vez e em toda a extensão e dimensão que se deseja e quer. Mas, o fundamental é iniciar o processo de limpeza ética do quadro ora apresentado.

A indecisão e o ceticismo dominam os sentimentos dos brasileiros e marcam a atual visão e percepção do eleitorado sobre políticos e sobre a própria atividade política. Espera-se que tais posturas possam vir a ser mudadas a partir das propostas apresentadas e dos debates que se processarão pois caso não haja uma mudança de atitude a partir de tais manifestações, isto se refletirá não apenas na quantidade de eleitores que comparecerão às urnas bem como na natureza da atitude perante o volo onde a anulação será a marca maior.

Finalmente a revolução das comunicações e o desenvolvimento da chamada realidade virtual levaram a um desenlace extremamente vexaminoso, por exemplo, as ditas explicações que a direção da Rede Globo fez ao comentário de Jair Bolsonaro, no encontro promovido pela Globonews. Ali Bolsonaro explicitou o sentimento, o pensamento e o apoio de Robero Marinho a intervenção militar ou o apoio da instituição, ao regime militar. Sem que por que e pra que, a atual direção da Rede Globo vem, através de uma insegura Miriam Leitão, apresentar uma triste versão de esperteza e de oportunismo, ao impor a jornalista a leitura de uma nota pobre e desprovida de relevância, contestando a postura do próprio Roberto Marinho, 10 anos após a sua morte! Triste e lamentável!

 

O JOGO AFINAL, COMEÇOU!

 


As pré-condições institucionais ou os chamados pré-requisitos legais para o deslanchar do processo eleitoral, praticamente foram estabelecidos no último fim de semana: convenções nacionais partidárias para a definição dos candidatos e para a aprovação de possíveis coligações,  já foram caracterizadas. A explicitação dos nomes ou dos candidatos bem como a definição dos candidatos a vice, já foram parcialmente  atendidas. Nos estados, praticamente os nomes dos postulantes aos cargos de governador, vice-governador e senador já se definiram em consonância com as possíveis  alianças dos respectivos partidos, a nível nacional.

Agora a campanha, as mobilizações, os debates e os acertos de apoios e financiamentos bem como a definição das propostas de comunicação, já começaram a ser postas em prática. O jogo, afinal, já começou. Claro que ainda  sem o entusiasmo de eleições passadas em decorrência do quadro de crise econômico-social em que está mergulhado o País. Some-se aos seus efeitos, o pessimismo que domina mentes e corações brasileiros. Mesmo assim, aos poucos, os chamados profissionais da politica — candidatos, dirigentes partidarios, marqueteiros, jornalistas, analistas, etc — entram em cena e a mobilização começa a se evidenciar. A própria mídia começa a dar o ar de sua graça promovendo debates entre candidatos, estabelecendo discussões sobre os problemas mais relevantes do país e buscando propor caminhos e alternativas para que o País saia da crise.

Por outro lado, já são apresentados ao público quem são os coordenadores e os responsáveis pelos discursos dos candidatos onde figuras expressivas do mundo acadêmico ou da comunidade de profissionais da área técnico-econômica, aportam a sua contribuição e definem o seu compromisso com os candidatos. Nomes como Eduardo Giannneti da Fonseca, Pérsio Arida, Paulo Guedes, Mauro Benevides Filho, entre outros, sáo vistos como os homens a quem cabe a coordenação da montagem do discurso e das propostas dos candidatos a Presidência da Republica.

Uma discussão que está sendo levantada agora diz respeito a pouca relevância que tem sido dado ao papel e importância do vice — apenas 37% da população acham a função importante! — chamando a atenção para o fato de que o Brasil tem uma história recente marcada pela presença de vices que assumiram o poder e marcaram a história do País. Itamar Franco, o responsável pelo Plano Real; Sarney, condutor da redemocratização do País e Michel Temer que respondeu e responde pela interrupção do processo de controle do Brasil pelos petistas, são exemplos dessa afirmação. Tais episódios são marcas desse processo que demonstra a relevância do vice- presidente no processo institucional do País.

Dessa forma a escolha do vice não deve ser apenas para  buscar apoios partidários adicionais ou para agregar apoios financeiros. Há que se considerar sempre a hipótese de que o vice venha  a assumir o mando maior do país e tenha efetivas condições de mostrar que estar à altura do cargo e que tenha a estabilidade político-emocional e a maturidade para vir a administrar os graves conflitos e interesses inerentes à função maior de comandante máximo do País.

Um outro aspecto fundamental a ser considerado diz respeito as propostas que os candidatos tem para o Brasil e, em que cada uma delas se diferencia das demais, efetivamente. Não basta apenas um discurso crítico sobre os problemas e as limitações apresentadas pela gestão pública atual indicando restrições e problemas. Também não agrega nada aquela idéia de que o país requer significativas reformas institucionais sem explicitar a forma como fazê-las. Também é crucial definir as reformas fundamentais e demonstrar quais efeitos poderão ser sentidos, de forma explícita, na proporção em que elas forem sendo implementadas.

Finalmente, preocupa muito o fato de que as pessoas se fixam mais e mais e nomes e homens, muitas vezes sem a preocupação com a capacidade e a competência de cada um dos candidatos em conduzir os destinos do País. Ou seja,  se há clara demonstração de sua habilidade ou talento para fazer renascer sonhos e criar esperança consequente para os brasileiros.

Lula, provavelmente hoje apontado nas pesquisas de opinião como o melhor avaliados pela população, parece que não conquistará uma decisão favorável do TSE para que possa vir a ser definido como o candidato do PT. Em seu lugar o partido deve escolher entre Fernando Haddad ou o ex-governador da Bahia, Jacques Wagner, isto sem que se considerar a surpresa de um nome novo, como o atual senador pelo Acre, Jorge Viana. A possibilidade de o PT apoiar um candidato de outra legenda  parece remota pois tal opção não ajuda a garantir a unidade partidária e não contribui para manter viva a lenda ou o mito Lula, questão fundamental para a sobrevivência dele e da legenda.

Ciro Gomes, pelo seu estilo agressivo, “sem papas na língua”, atirando em todos e em tudo, poderia até ter sido uma opção viável  se a sociedade partisse do pressuposto de que a alternativa eleitoral estaria numa proposta de disputa mais radical e polarizada. Ai sim o embate, em um provável segundo turno, pudesse vir a ser entre Ciro e Bolsonaro. Mas, a natureza autofágica de seu discurso e a quase desconfiança generalizada da população nas suas propostas, talvez retire as opções de alianças que pudessem garantir êxito a candidatura de Ciro.  Bolsonaro, por seu turno, embora mantendo-se, até agora, com um nível de aceitação significativo, talvez seja bombardeado por candidaturas como as de Alkimim, de Meirelles, de Marina Silva e de Alvaro Dias. Também há de se considerar o impacto que os embates frutos dos debates entre os candidatos, poderão ampliar os espaços  de popularidade dos candidatos. E, no caso dele, alguns analistas admitem que ele poderá perder sibstancia e apoios por prrsumido despreparo para a discussao dos grandes tenas nacionais.

Assim,  o segundo turno tenda a se orientar para um candidato que resuma as expectivas dos conservadores nacionais, os chamados . E, nessa perspectiva crescem as possibilidades de Alkimim. E, de outro lado, considerando que Lula tem o nível de aceitação que tem e que transfere, para qualquer candidato que ele apresentar,  mais de 10% das preferências eleitorais, dificilmente  o PT não fará 20% das opções de votos. Assim, Alkimim, ao vir construindo uma candidatura de centro, parece que cairia bem no pensamento do eleitorado nacional, apesar do clima adverso de confronto, de insatisfação, de indignação e até de belicosidade com relação à classe politica hoje experimentado pelos brasileiros. A tendência é que o ex-governador de São Paulo, pela sua história, pelo apoio dos partidos do Centrão, e de ter um forte empresariado interessado em vê-lo comanandando os destinos do Brasil, além de dispor do maior tempo de televisão, tem tudo para representar essa opção centrista.

Os demais candidatos, inclusive Marina Silva, parecem pouco agregarem e pouco mostrarao de viabilidade no processo. A tendência é que se chegue, ao fim da campanha, com duas candidaturas consolidadas. A de Alkimim e do representante do PT , sendo este ultimo,  talvez, representante talvez, das chamadas esquerdas, que não se sabe ainda quem virá a ser.

O fato é que a tendencia  conservadora do eleitorado ficou demonstrada em pesquisa recente onde as pessoas afirmaram preferir a experiência, embora a ética seja uma preocupação essencial, mas que, surpreendentemente, fica percentualmente abaixo da experiência!

POLÍTICA E FUTEBOL: A CARA DO PAÍS!

Nada melhor para definir a cara e o sentimento dos brasileiros do que essas duas faces de sua vida e do seu cotidiano, quais sejam o futebol e a política. O futebol, ao despertar paixões e emoções, ao promover sonhos e provocar flutuações de sentimentos que, as vezes,  caracterizam uma espécie de ciclotimia,  gerando altos e baixos no “mood” e no humor dos brasileiros, marca, mais que qualquer outra coisa, a forma como reagem os patrícios. A politica, por outro lado, ciência, presumidamente, “do domínio” de todos os cidadãos brasileiros, que, pasmem, são capazes de externar opiniões e avaliações, às vezes tão peremptórias, sobre personagens, o quadro e as perspectivas dessa atividade! Diga-se, estranhamente, tal complexa matéria, muito mais do controle e do domínio da maioria dos patrícios do que qualquer outro ramo do conhecimento humano, ainda afeta, em muito,  o humor e o sentimento dos conterrâneos.

Lamentavelmente, as duas atividades hoje estão em baixa e despertam muito menos interesse do que em passado recente. Isto talvez decorra, também, em muito, da profunda crise que se abateu sobre os brasileiros afetando seus bolsos, seus sonhos e suas esperanças. O futebol, no caso mais específico, há vinte anos experimenta um jejum que desnorteia e desestimula os brasileiros. E, o pior,mostrou a seleção uma mesmice que nem o talento de Neymar conseguiu fazer com que ela  não se exteriorizasse, na copa recém finda. Inclusive a chance de outros talentos, ao lado dele, até que se mostraram mas, com certeza,  não configuraram a presença do Brasil no cenário futebolístico mundial, como uma potência diferenciada do esporte bretão.

Atualmente, sem graça, sem novidades, sem “glamour” e sem protagonistas exóticos ou, pelo menos, de um populismo carismático, tanto o futebol como a política, não tem muito a dizer aos brasileiros. O resultado da Copa do Mundo deixou os patrícios de crista baixa. Já a política, na antevéspera de eleições quase gerais, até agora não sensibilizou e não mostrou a sua fase de antagonismos a despertar paixões e nem levou também a disputas verbais que entusiasmassem.  Tampouco, tais disputas ainda não  trouxeram, ao palco, algo diferente ou inusitado,  que levassem a que a platéia tivesse uma maior  participação.

Os saudosistas do regime militar apostam as suas fichas no militar Jair Bolsonaro que representa, com legitimidade, a expressão maior de seus sentimentos e de suas aspirações. Mas Bolsonaro não fica restrito a militares ou saudosistas do regime. Agregam-se apoios outros daqueles que, cansados das indefinições, da desordem e da falta de um poder que realmente mande, veem em Bolsonaro a figura de alguém capaz de colocar a casa em ordem. Por outro lado, os que temem ou não querem mudanças muito bruscas, que são tentados pelos conflitos entre o que sobrou dos modernistas e dos conservadores ou ainda que querem o previsível, pretendem apostar em alguém que tenha experiência, um bom curriculum como gestor e que represente um ficha limpa. Dessa forma parece que Alkimim seja a opção mais próxima de suas aspirações.

As ditas esquerdas, confusas e desnorteadas, ainda esperam o quase “milagre” de assistir que a justiça eleitoral autorize o registro da candidatura de Lula, embora, diante do esgotamento dos prazos que viabilizem candidaturas, já ensaiam a indicação de nomes alternativos como o do ex- governador da Bahia, Jacques Wagner,  ou do ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad ou ainda de um outro nome do petismo que ainda sobrevive a todo o processo de desgaste do lulismo.

Vive-se um momento político deveras estranho pois o passado recente registrou episódios traumatizantes como o “impeachment” de Dilma, a prisão de Lula e da maioria dos dirigentes do petismo, alêm do fim de Eduardo Cunha, o desmoronamento de Sérgio Cabral e a desmoralização de Aecio Neves e de outros menos votados. O espaço político encontra-se bastante vazio e não se encontra no horizonte nomes e homens capazes de levantar sonhos e estimular esperanças nos brasileiros.  Praticamente não sobra e não sobrou ninguém pois é difícil encontrar nomes que a Lava-Jato não tenha maculado ou que outros escândalos não hajam envolvido suas personagens.

Na verdade, fora o chamado Centrão, a direita mais intransigente são os que apoiam Bolsonaro e no chamado espectro das ditas esquerdas, desorganizadas e desnorteadas, surge o polêmico e agressivo Ciro Gomes com um discurso moralista e buscando mostrar-se um gestor ético, modernizador e capaz de aproveitar as potencialidades econômicas nacionais. Mas, pelas suas contradições e pela sua postura deveras agressiva,  não consegue assegurar o apoio de um número maior de partidos como acaba conseguindo Alkimim com o previsível e quase acertado apoio do Centrão. Meirelles, com o apoio do maior partido do País, o MDB, dispondo de grana pessoal e do possível apoio ou simpatia da maioria do empresariado nacional, não conseguiu deslanchar, até agora, pois falta-lhe carisma e a sua comunicação está distante do perfil capaz de sensibilizar o atual mood do eleitorado nacional.

Alvaro Dias pareceria ser um bom nome mas “subiu no telhado” além de “morar muito longe”. Nomes como o do Economista Paulo Rabello de Castro, não têm tempo, nem nome, nem dinheiro e nem apoios para viabilizar uma candidatura como sói ocorrer com Manuela D’Avila, Guilherme Boulos e outros menos votados. Finalmente, a candidatura Marina Silva, apesar de mostrar bons índices de aceitação popular, não parece ser  uma candidatura que o momento requer. Não arrebata sentimentos mais entusiastas, não se mostra alguém com a força para domar as circunstâncias adversas vivenciadas pelo País e, a própria figura física, traduz uma fragilidade muito grande para o momento que a política nacional experimenta.

Assim, apesar dos nomes já lançados, o que se pode esperar de movimentação e de mobilização popular até 15 de agosto? Faltando apenas, quarenta e cinco dias, os contendores de campanha parece que não terão o condão de empolgar um eleitorado que não se mostra apenas apático e desinteressado mas, acima de tudo, descrente de tudo e de todos e, pelo que se avalia, também pretende “dar o troco” e demonstrar a sua desilusão e revolta votando nulo ou em branco.  Pelo que se pode concluir esta eleição não renovará e nem melhorará o processo pois, ao que parece, com essa reação do eleitorado talvez o que sobre seja a não renovação do quadro eleitoral e os atuais detentores mantenham-se no controle do poder! Será que esta visão é tão pessimista ou será que algo possa vir a ocorrer para melhorar tal pespectiva?