O MOMENTO, A CRISE E O AMANHÃ!

Tempos complicados e difíceis vivem os brasileiros. Não bastasse a crise econômica que está a sociedade a romper as restrições, limitações e impasses dela resultantes, agregam-se dois elementos adicionais a tumultuar mais o processo politico-institucional  e a gerar mas inquietação e angústia. O primeiro deles é, numa linguagem que simplifica a dimensão do problema, “o mood”  dos brasileiros marcado pela agressividade que têm demonstrado ao externar os seus sentimentos relacionados as frustrações e decepções com as atitudes de seus homens públicos, de seus líderes e de suas instituições. A segunda diz respeito aquilo que seria o último bastião recursal da cidadania, no caso à Justiça ou a Suprema Corte, hoje vivendo a sua crise de identidade e de respeito por parte dos cidadãos comuns.

Todos sabem o que representa a Justiça no processo democrático. Basta lembrar que, quando se pretende caracterizar os problemas e dificuldades do ir e vir de cidadãos e da própria sociedade civil, o que define tais inquietações e angústias, está demonstrado pelo que se caracteriza como insegurança jurídica e imprevisibilidade judicial. Tais conceitos parecem herméticos e pouco ao alcance e compreensão das pessoas comuns pois embutem uma série de conceitos e avaliações da forma como o ambiente Jurídico limita o ir e vir das pessoas, a organização da sociedade civil e a operação do próprio estado no cumprimento de suas funções essenciais.

Mas, nos dias que correm, há algo que melhor define o que representa o poder judiciário para os brasileiros como um todo. As avaliações já apontadas no passado sobre a justiça brasileira — lenta, morosa, cara e injusta — são adicionadas aquelas representativas das últimas demonstrações de desapreço do próprio poder para com ele mesmo quando se assistiu, recentemente, a ameaça de uma greve geral dos juízes brasileiros destinada a defender um presumido direito, senão ilegal mas, com certeza, aético, de um auxílio moradia percebidos por todos os juízes de todas as instâncias, isto independentemente de disporem de imóvel próprio no local onde desempenham as suas funções. E o mais grave foi a defesa intransigente de tal penduricalho por parte da categoria, argumentando que representaria uma compensação pelos seus presumidos baixos salários. Aliás, pesquisa recente sobre os salários dos magistrados apontou que a média remuneratória estaria em 39 mil reais, pelo menos 6 mil acima do teto salarial que a Constituição define para remunerações salariais no setor público.

Se tal não bastasse, a acusação do Ministro Gilmar Mendes ao Ministro Luís Barroso — por favor, feche o seu escritório!” — esconde algo extremamente nefasto e perigoso, qual seja, os chamados escritórios de advocacia de filhos de ministros de tribunais superiores, exercendo o seu papel junto aos próprios tribunais onde seus pais exercem o seu mister! E por aí surgem as acusações de vendas de sentenças e outros comportamentos reprováveis e, aparentemente aceitos por tais entes, amparados talvez, não apenas na vitaliciedade do cargo mas também em um nefasto corporativismo que só a eles interessa e protege. E, agora, sujeito a insatisfação e a Indignação da sociedade, o STF, segundo alguns juristas, parece temer o que Lula ameaça denunciar pois, foi o próprio ex-presidente que informou que, se ele fosse preso, muita gente do Supremo também iria”!

Portanto, após o tradicional dia da mentira para os brasileiros, no caso o primeiro de abril, o País está na antevéspera de uma grande mobilização nacional que provavelmente ocorrerá, para manifestar a sua reprovação á possibilidade do STF, quarta-feira, acolher e aprovar o Habeas Corpus impetrado pela defesa de Lula. A idëia, é, praticamente tornar sem efeito a decisão do Tribunal Federal do Rio Grande do Sul que acolheu a decisão do Juiz Sérgo Moro de pedir a prisão do ex-presidente assim que fossem julgados os chamados embargos de declaração — o que já ocorreu na última seguna-feira! –. Aliás, o cumprimento da decisão judicial de prisão de réu declarado culpado, em segunda instância, já foi apreciada uma vez pelo Supremo e, a sua presidente, reafirma, peremptoriamente, que não pautará e nem apreciará mais tal matéria. Então a sociedade aguarda que, na próxima quarta-feira a Suprema Corte, não acolha o famigerado HC, sob pena de promover um “tsunami” no país pois, na esteira da liberação de Lula da prisão, José Dirceu, Palloci, Eduardo Cunha, Sérgo Cabral e tantos outros, além de muitos presos comuns, se beneficiariam de tal decisão! E, o mais grave será o Réquiem da Lava Jato!

Assim, se as atividades econômicas já retomaram um promissor ritmo de expansão e crescimento; se as versões da Operação Lava Jato que agregam mais e mais possíveis envolvidos em desvios de recursos públicos, já se tornaram lugares comuns; se denúncias, acusações e prisões de homens públicos e empresários continuam a sua marcha, tudo isto, pelo que se sente, não comprometeria a marcha de recuperação econômico-social do País e não geraria temores de uma desestabilização do país, com os consequentes efeitos maléficos sobre a economia. Mas, agora, diante das vexaminosas atitudes do Poder Judiciário, o ambiente ficou tenso, agressivo e, mais do que nunca, pessimista.

Na verdade, o que se assiste é que, os efeitos da crise que se abateu de 2013 até agora, com os seus ainda 12,3 milhões de desempregados, foram muito mais nefastos que os números apresentam. A desilusão, o desencanto, a frustração e a indignação da população são muito maiores do que se imagina pois transformou-se em revolta e atitude agressiva e belicosa como que a demonstrar que. “se as instituições não operam e se os homens públicos não põem as coisas no lugar”, então, como que, há uma conclamação, não se sabe por quem e nem de onde, de fazer justiça com as próprias mãos. E isto é a quase instauração de um estado anárquico o que, convenha-se, seria o pior dos mundos!

Por fim, a tendência de grupos políticos e ideológicos de se aproveitarem das circunstâncias e buscarem fazer uso desse combustível incendiário que é o  “mood” atual da sociedade brasileira,  para os seus propósitos e fins, de discutíveis méritos, criam uma terrível e preocupante sensação sobre o que tudo isto dará ou redundará. Ou seja, vai-se o país dos homens cordiais e, em seu lugar, assumem a violência do crime organizado  e agrega-se uma virulenta atitude das populações insatisfeitas a buscarem fazer justiça com as próprias mãos.

Não era isto que os brasileiros esperavam e até as festas que os esperam — juninas, da copa do mundo e das próprias eleições — parecem que não serão capazes de mudar o azedo humor dos brasileiros!

 

UM PAÍS SEM PRUMO E SEM RUMO!

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MARIELLE, A SÍNTESE E A TRAGÉDIA DOS NOVOS TEMPOS!

Estamos em pleno mar. Tudo é tormenta! Cada informação adicional que é divulgada deixa o cidadão brasileiro mais sensível, mais confuso e mais pessimista quanto ao amanhã do País! E, o pior! É que as mensagens que surgem não agregam espaços para novas crenças e nem para novas expectativas. A avaliação que se tem é de uma sociedade deveras conturbada e marcada por um processo de crise que tem  levado a um movimento de confronto permanente! É a sensação que fica, para  qualquer analista, é que a sociedade vive em uma verdadeira guerra e a belicosidade é o principio que impera!

O próprio caso Marielle levou a uma nítida divisão da sociedade mostrando, de um lado, um possível evolucionismo de postura e um questionamento do “status quo” da barbarie que hoje domina as relações socials! Por outro, a indignação daqueles que não aceitam o uso do cadáver de Marielle como um instrumento das esquerdas e dos seguidores de Lula como base para tirar proveito politico-partidário e ideológico    ou um caminho para reabrir o debate, a discussão, e o confronto entre o Brasil de uns e o Brasil dos outros que se sentem ou  foram, de fato,  apeados do poder.


Quando alguém morre as explicações são as mais variadas. Ou foi por conta da sorte ou do acaso; ou foi provocada por um ou vários adversários;  ou ainda a pessoa  foi responsável pelo prejuizo de uma causa  ou porque prejudicou interesses questionáveis ou não, de pessoas ou grupos,  mesmo que tal tenha ocorrido, de forma inconsciente. E a pergunta que todo o Brasil e os brasileiros se fazem é sobre qual  teria sido a causa que motivou a barbárie que se abateu sobre o Rio e sobre o Brasil, caracterizada pela tragédia consubstanciada na execução de Marielle! Quais as razões capazes de explicar esse infausto evento que se abateu sobre uma bela, talentosa, atuante e depositária de sonhos e de esperanças dos moradores da Favela da Maré, como era vista a vereadora Marielle?

Ou será que Marielle foi apenas uma vítima de uma possível demonstração de força de uma presumida polícia militar corrupta ou das chamadas milícias organizadas que não aceitam a imposição da intervenção militar e nem a tentativa de desestruturação do crime organizado no País? Ou será ainda que Marielle, diante da falta de opções e alternativas, encontrou, como o único caminho de sobrevivência e afirmação, a “escolha de um lado” e, por isso foi manipulada e usada pelo Comando Vermelho ou vítima de facções concorrentes do banditismo estruturado no Rio, em particular?

Será ainda que ela foi usada pelo crime organizado para tentar desmoralizar a ação da intervenção militar? Ou seja, o chamado crime organizado, usando  profissionais do tiro, procuraram demonstrar que a instituição se disseminou, de tal maneira, que não há mais como contê-la? Será, também que a força da droga, que alimenta e estimula todo esse processo e que sempre foi capaz de financiar toda essa estrutura bem como toda a corrupção dos presídios e dos quartéis e até de parte do poder judiciário, não deveria ser responsabilizado por esse estado de coisas tão deplorável? Será que a precisão dos tiros de um atirador dirigindo um veículo, seria de alguém que não fora do crime organizado mas, possivelmente, de um sub-remunerado policial militar, que teria sido cooptado pelo crime organizado?

Os bandidos tem demonstrado que não aceitarão a sua desmobilização como ficou caracterizado pela reação já manifesta ao  controle das forças armadas  sobre a Vila Kennedy, desafiando, de forma sistemática, ousada e impertinente, as forças do exército  que para lá se deslocaram e desmontaram barricadas erguidas nas ruas! É fato, também que a ousadia dos bandidos ficou patente quando, menos de vinte quatro horas depois da ação dos militares , já haviam sido recolocadas as barricadas com o apoio e a decisiva atuação da população!

Não chama atenção apenas o triste evento da execução — só este ano quinze vereadores foram já executados! — mas, como a sociedade está sendo dividida pela ação de grupos político-ideológicos que querem se aproveitar do lastimável fato usando um quase mantra — negra, pobre, favelada, etc — como forma a caracterizá-la como vítima das desigualdades e das injustiças sociais e imolada no altar dos sacrifícios, ou por militares corruptos a serviço do “status quo”, ou ainda, pelo próprio crime organizado.

De outro lado, situam-se  aqueles que buscam desmontar e desestruturar Marielle, atribuindo-lhe vícios, erros e equívocos querendo-a colocar como alguém a serviço do próprio crime organizado. As duas atitudes são lastimáveis e devem ser conbatidas pelos cidadãos de bem desse país. O que se quer é que as autoridades façam as perícias, os levantamentos e as investigações devidas  e que o crime seja desvendado. O que todos querem é que a intervenção militar no Rio dê certo e possa indicar formas de desmantelar o crime organizado não apenas na Cidade Maravilhosa mas também no Ceará, no Nordeste e Norte do Pais. O que se deseja, ao fim e ao cabo, é que o País venha a ter um politica de segurança publica eficaz e eficiente que enfrente o crime organizado, o tráfico de drogas e de armas e a corrupção que toma conta da polícia  e da justiça. O que se espera  é que hajam políticas objetivas e honestas para lidar com a questão do menor infrator, entre tantas questões relevantes e urgentes no País.

Alguem dirá que o que o cenarista sonha é com o impossível! Mas, na verdade, o que se quer é que o Pais caminhe para, pelo menos, ser o que é São Paulo em termos de segurança pùblica e não se transforme  num Mexico, em termos de domínio do narcotráfico e da violencia que vem no bojo do mesmo sistema!

Será que é esperar ou pedir muito? Pode ser uma grande aspiração mas, com certeza, se tal drama não for enfrentado, o país, já hoje tomado por ódios e ressentimentos e onde o diálogo quase não mais existe, poderá experimentar comoções insustentáveis. Ou não?

 

 

SERÁ QUE O JOGO COMEÇA AGORA?

A decisão do STJ rejeitando o habeas corpus impetrado por Lula que objetivava impedir o quase imediato cumprimento da decisão do Tribunal Federal de Recursos do Rio Grande do Sul que, em segunda instância, condenou Lula à prisão, representará, por certo, o marco definitivo do processo de deflagração da sucessão presidencial. Também, complementa e corrobora tal conclusão a quase certa não aceitação dos embargos de declaração formalizados junto a mesma Corte pela defesa de Lula. Por outro lado, a autorização de abertura de investigação sobre a possível  participação e beneficiamento de Temer em decisão governamental que favoreceu a  empresa Rodrimar, inclusive com a decisao do Ministro Luis Barroso, do STF,  de autorizar a quebra do sigilo bancário do Presidente, mostram, os dois episódios, que o ambiente politico ingressa na fase de aquecimento quanto a disputa eleitoral que se avizinha.

Também, ainda essa semana, o Governador Geraldo Alckmin, como já o fez Jair “Messias” Bolsonaro, deverá se lançar candidato a Presidência juntando-se a outros nomes já pré-lançados como Alvaro Dias, Marina Silva, Ciro Gomes, Cristovão Buarque, Guilherme Boulos além de outros representantes de pequenos partidos. Com isso dar-se-á, com certeza, a largada para, talvez, a mais “chocha” e a mais desinteressante corrida presidencial que já se assistiu  na história recente do País. Isto, com certeza, realmente ocorrerá se se confirmar a perda de direitos politicos de Lula e o seu partido já começar a se movimentar em torno do chamado  Plano B, do PT, ou seja, um nome alternativo para substituir o ex-presidente. Uma coisa, porém é mais que certa, uma campanha com Lula nada tem a ver com uma campanha sem Lula. A outra constatação é que, diante do vazio politico de sua ausência, o nivel, a emoção e qualidade da disputa eleitoral com os possíveis e pré-anunciados protagonistas,  ficará deveras apequenada!

Assim parece que, diante da falta de glamour, de charme e de um natural e sempre presente conteúdo populista e demagógico dos candidatos que ora se apresentam, o foco da disputa eleitoral será muito mais nos confrontos estatuais e, provavelmente, em função da cláusula de barreira, os partidos priorizarão muito mais as disputas proporcionais, notadamente de deputados federais, do que as disputas majoritárias. É preferir perder os anéis do que os dedos pois para garantir a preservação e a  sobrevivência das agremiações partidárias priorizam-se as eleições proporcionais em detrimento das disputas majoritárias.

A ausência de Lula das disputas aparentemente deveria prejudicar mais a Bolsonaro pois a polarização com o principal líder da esquerda do País — aliás, que esquerda? — permitiu que ele crescesse amparado no discurso de indignação, de revolta e de rejeição à chamada política tradicional, propondo um novo tempo para o País que não se sabe quando será nem como será.  Segundo as últimas pesquisas de campo, Bolsonaro continua com 20 a 20,9% de preferência na ausência de Lula da disputa garantindo, com certeza, a sua presença num provável segundo turno.

No Sul começa a crescer a candidatura de Álvaro Dias que, estrategicamente, trabalha mais intensamente seu nome ali onde tem raizes, conhece os problemas e as demandas da população e articula uma oposição ao governo Temer sem os excessos da proposta de esquerda. Claro está que o seu crescimento na região Sudeste encontrará um significativo obstáculo diante da candidatura que será oficializada,  esta semana, do Governador Geraldo Alkimin.

Uma proposta que hoje vive mais do “recall” do que de espaços novos conquistados é a de Marina Silva, pela terceira vez concorrendo a tal posto. Na verdade, o seu distanciamento do ambiente político, notadamente no período dolorido de crise vivido pelo País, criou um espécie de julgamento pouco favorável às suas pretensões pois não se admitia que, naquelas circunstâncias, não se tivesse ouvido uma só opinião sua, contra ou a favor de quem quer que fosse ou de que política se tratasse. E, não são aceitas escusas ou explicações pois tratava-se de alguém que era um protagonista relevante no quadro político do País.

Se para Marina não se pode descortinar um ambiente ou circunstâncias mais otimistas quanto às suas possibilidades, quem pode ser favorecido pela saída de cena de Lula é o indomável Ciro Gomes que deverá explorar o clima de indignação e revolta da população com um discurso agressivo e iconoclasta. Não obstante essas perspectivas favoráveis, as suas chances de manter alianças politico-eleitorais duradouras e que são exigentes em paciência, em tolerância e em compreensão, não parecem ser muito significativas. Aliás, até as suas recentes críticas feitas ao PT e a Lula, parece que não caíram bem no meio do grupo de quem ele pretende ser o herdeiro das graças e dos votos.

Ainda nas hostes governistas  o Ministro Meirelles pretende apostar num presumido apoio de Temer e conseguir transformar-se no candidato do PMDB, tarefa ingente porquanto ninguém sabe quem manda no partido e, pelo histórico da agremiação, o que se verificou foi que, nos vários pleitos desde a redemocratização do País, em nenhum momento os seus dirigentes conseguiram garantir a lealdade necessária a que se cumprissem os compromissos eleitorais esperados ou ajustados.

Agora mesmo o DEM resolve apresentar a candidatura do Presidente da Câmara dos Deputados, o jovem parlamentar pelo Rio de Janeiro, Rodrigo Maia que, no seu lançamento estabeleceu um prazo limite para a manutenção ou não da postulação  partir da viabilidade de alianças partidárias e capacidade de senipsibilizar o eleitorado que, ao rejeitar a proposta lulista e a chamada proposta de esquerda, espera alguém jovem mas respaldado pela visão e postura que marca o conservadorismo político nacional.

Finalmente, o enigma Temer continua no ar. “To be or not to be”, “That’s the question!” Será ele candidato ou não? Buscará ele uma difícil reeleição dados os seus índices de aceitação e rejeição populares? Até onde a intervenção no Rio terá um sucesso tal que redunde em aplausos e apoio popular a uma postulação dessa ordem por parte de Temer? A retomada da economia ajudará o Presidente a conquistar apoios fundsmentais a tanto? Ganhando um a dois pontos percentuais por mês, poderá ele alcançar um patamar mínimo que o estimule a enfrentar as urnas? São perguntas difíceis de responder mas, numa avaliação preliminar, parece que não garantirão a necessária base de apoio requerida para tal empreitada!

Com quem ficará o jogo? Uma possivel disputa entre Alkimin versus Bolsonaro? Será que Collor renascerá das cinzas? Será que alguma coisa de diferente pode ocorrer no País? Pelo andar da carruagem é mais fácil uma vitória dos votos nulos e brancos do que um dos atuais postulantes conquistar votos suficientes para alcançar a Presidência em um primeiro turno. E, com certeza, até para ir para o segundo turno os dois contendores vão abocanhar magros votos da sociedade como um todo!

LULA SIM OU LULA NÃO? O QUE OCORRERÁ COM O PAÍS?

O País talvez viva ou, com certeza, irá viver, um dilema diante das possíveis escolhas eleitorais que se apresentam para o próximo dia 3 ou 4 de outubro. Lula ou alguém diametralmente oposto ao pensamento e a atitude de Lula? Não é possivel antecipar, embora indícios e sinais hoje guiam especulações as mais variadas.  Por enquanto, o que se sabe é que o petista, apesar das controvérsias sobre o seu futuro e seu projeto político, coloca-se, pelo que se tem de avaliações sobre alternativas de nomes, acima dos possíveis concorrentes em termos de preferências eleitorais. Nenhum candidato fica próximo dos índices alcançados por ele.  E isto ocorre inobstante todo o processo de impiedosa critica e busca de desconstrução de sua imagem, história e feitos! Denunciá-lo, tentar desmoralizá-lo ou desmontá-lo parece não vir surtindo os efeitos esperados. Ninguém sabe como e quais os mecanismos de proteção e de resguardo de Lula e da sua imagem, mas ele não tem visto abalados os seus índices de confiança e nem a esperança que o povo nele deposita!

Não se sabe se Lula atravessará esse difícil, complicado e momentoso espaço de tempo de sua vida pública de maneira incólume! Muitos acreditam que ele conseguirá, de recurso em recurso, de manobra em manobra e de subterfúgio em subterfúgio, chegar até agosto, sem ter sido preso ou sem ter suspensos os seus direitos políticos! Outros apostam no encurtamento de prazos recursais e em uma certa avidez do Judiciário de mostrar a sociedade que, por mais força e prestígio político que alguém tenha, esse alguém será alcançado pelas “garras” da Justiça. Máxime por um poder que hoje vive um dos momentos mais difíceis em termos de credibilidade e buscará, em todas as oportunidades possíveis, recuperar tal respeito e prestígio.

Alguns ainda apostam na denegação de todos os possíveis recursos impetrados pela defesa de lula e, por fim, no cumprimento da decisão do Tribunal Federal Regional do Rio Grande do Sul e, mesmo admitindo que tal decisão pudesse vir a gerar uma espécie de comoção nacional, Lula virá, mais cedo ou mais tarde, a ser preso! Outros acreditam que ele não será preso, mas não poderá concorrer à Presidência pois o TSE não permitirá o registro de sua candidatura.

Não obstante tais considerações, caso Lula sobreviva incólume até fins de agosto, por outro lado difícil será construir uma candidatura alternativa que possa confrontá-lo, notadamente porque será difícil surgir alguém com um perfil suficientemente carismático que empolgue as massas e faça o necessário contraponto ao ex-presidente.

Se esse for o panorama ou o teatro político-eleitoral o fato é que, em assim ocorrendo, o mito Lula persistirá pois que, fazendo-se sempre de vítima e, aproveitando-se de certos segmentos da sociedade que,  por conveniência ou por temores, o pouparão,  tanto dos rigores da Justiça bem como da impiedosa mídia,  não enfrentará punição mais severa. E o resultado será uma tendência de promoção e, por consequência, de crescimento do próprio mito país afora.

Muitos acham que se alguma enfermidade não impedi-lo de seguir o seu itinerário político, a única maneira de encerrar a sua história e, consequentemente , a saga petista, será conseguindo derrotar Lula nas urnas. Fora disto, o mito permanecerá e um partido em liquidação como está o PT, como que, ressurgirá das cinzas. A pergunta que teima em não sair do ar

Tarefa deveras ingente será, portanto, essa de encontrar alguém que se contraponha a ele pois mesmo sendo Lula o que apresenta a maior rejeição entre os pretensos candidatos, até agora não surgiu alguém com potencial para enfrentá-lo e conseguir derrotá-lo. Assim, há como que um certo impasse criado pois todos temem adotar alguma medida que leve ao seu afastamento do pleito a partir de sua condenação nos vários processos que correm contra ele. Na verdade não se sabe o que esperam os atores da cena diante de Lula, o mito!

Todo o processo sucessório está a depender de três fatos. O primeiro, o que ocorrerá com Lula e quando tal fato advirá? O segundo diz respeito aos desdobramentos da Lava Jato na proporção em que muitos candidatos majoritários, a nivel dos estados, estarão dependendo de sentenças que poderão comprometer, de forma definitiva, a viabilidade de tais pretensões. Em terceiro lugar, não se tem idéia de qual será o verdadeiro papel das redes sociais nos destinos de cada candidato e do seu futuro.

Diante de tal quadro o que se sabe é que essa eleição, para se usar do lugar comum, será um pleito atípico, embora alguns fatos estarão presentes no caminhar do país. O primeiro deles é que o descolamento da economia dos fatos políticos permite esperar que o crescimento do PIB para este ano, fique  acima dos 3% esperados e os indicadores de inflação e dos juros ficarão dentro do previsível. Desse modo, os tumultos e desencontros políticos não afetarão o ritmo e os rumos da economia.

O outro fato é que o candidato a disputar o pleito no segundo turno, mesmo que o concorrente seja Lula, será um candidato com o perfil de centro e que apresente níveis de viabilidade política confiáveis. Um terceiro elemento diferenciador diz respeito ao montante dos recursos financeiros que estarão à disposição dos candidatos o que, de princípio, deverá ser bem menor que os valores que financiaram as campanhas nos últimos pleitos.  E, finalmente, o efeito das redes sociais parece que não será tão devastador quanto querem fazer crer muitos analistas. Essa é a visão, talvez otimista, de um cenarista que sempre buscou apostar em possibilidades mais ousadas e positivas na crença em um Brasil que os patrícios desejam e merecem!

Ou seja, apesar de todos os comentários e avaliações sobre o pleito,  fundamentalmente centrados mais no fenômeno Lula do que no perfil dos possíveis candidatos, até agora as manifestações dos possíveis protagonistas não tem aberto espaço para empolgação dos eleitores!

 

DE VOLTA A DIFÍCIL, PROBLEMÁTICA E COMPLEXA AGENDA PARA O PAÍS!

Depois do Carnaval, da apresentação ou da decretação de intervenção no Rio; da sugestão de criação do Ministerio da Segurança Pública; da desistencia de Cristiana Brasil da nomeação para Ministra do Trabalho; da demissão da Ministra Luislinda do ministério  de Temer; da desistência do Governo de insistir na aprovação da reforma da Previdencia, ufa!, só faltava uma noticeazinha “mar ou meno”, qual seja, a confirmação de um crescimento de 1,04% do PIB em 2017!

E isto conduz a qualquer analista a concluir que não há nada mais desafiador do que o desfiar de problemas, de dificuldades e de impasses de um país como o Brasil. Isto também,  por ser um país emergente, marcado pela singularidade de seu tamanho, pela sua diversidade étnica e pelas peculiaridades de seus específicos problemas regionais. Mas, mesmo diante da pausa promovida pelo período carnavalesco e da atitude de natureza absurdamente emergencial do estabelecimento de uma intervenção na seguranca  pública do Rio de Janeiro, não há como não refletir sobre essa questão tremendamente urgente. E, diga-se de passagem, que, de há muito, estava a requerer ima série de decisões de governo a demonstrar a sua preocupação e, como era e é prioritária para os cidadãos como um todo!

É, portanto, fundamental aqui caracterizar, de maneira bastante incisiva, que a questão da violência que assola todo o país e, consequentemente, a questão da insegurança pública, na verdade nunca se constituiu, de fato, em  uma prioridade nacional. Basta avaliar o tamanho do seu orçamento de gastos e a sua evolução ao longo dos tempos. Chama a atenção também para o fato de que a evolução, para não falar em involução dos recursos alocados, que nunca houve um destaque para gastos com qualquer segmento da área de segurança!

Também, da mesma forma, quando se examina a evolução do número de vagas, por exemplo, nas casas correcionais para menores, dá uma tristeza enorme o desrespeito para com essa questão tão dramática. Chama a atencao o fato de que nao há nada que revele qualquer preocupação com questão tão séria e urgente. E isto  porqueaqui só são objeto de comentários os chamados  aspectos quantitativos da questão, não sendo preocupação maior, as questões de políticas específicas, da formulação de programas e de projetos especiais, a proposta sempre adiada de integração das polícias e órgãos e programas federais com os estaduais, que, de fato, nunca foram objeto de uma ação mais incisiva. Também nunca se deu a prioridade necessária a implantação de um documento único de identidade, só agora desengavetado e nem a ideia de integração dos vários bancos de dados policiais e criminológicos do país para facilitar a identificação de criminosos e a sua movimentação.

Se isto já não bastasse, até hoje não passa de um discurso retórico a preocupação com o sistema de informação e o desenvolvimento do capítulo de inteligência das polícias chegando-se ao cúmulo de que, da totalidade dos crimes cometidos no país, apenas pouco mais de 5% são objeto de abertura de inquérito investigativo. Ou seja, o criminoso já sabe que a probabilidade dele ser apanhado por qualquer processo investigatório policial não vai além dos 5%! Afora isto, recentemente foi divulgado uma estatística de que o número de detentos atuais que tiveram seus processos abertos e concluídos é quase insignificante o que leva ao cometimento de injustiças as mais graves quando muita gente que foi privada da sua liberdade não deveria estar a cumprir pena.

Ademais, tal descomprometimento responde, também, em parte, pela superlotação dos presídios gerando situações em que, qualquer objetivo de recuperação de presidiário e a sua reinclusão ou reinserção social não tem qualquer possibilidade objetiva de ocorrer. Uma outra questão extremamente difícil de ser conduzida, diz respeito à corrupção que grassa, náo apenas nos presídios mas, também, no meio da força policial. Não resta dúvida de que a intervenção começa pela substituição dos atuais comandantes policiais por nomes da confiança do comandante da intervenção, fato já declarado pelos que respondem pela comunicação da interventoria.

O rol dos desacertos, de omissões, de ineficiências e de falta de seriedade com tão grave questão beira as raias da total irresponsabilidade porquanto não há qualquer argumento a ser utilizado e, mesmo quando algum surge como aquele que informa que, “no respeito ao princípio federativo, como a questão da segurança é da competência dos estados, a intromissão da União em questões estaduais, feriria o princípio constitucional da federação”, junta-se aquela balela do argumento da chamada separação de poderes.  Tudo isto é um amontoado de bobagens, de erros, de incompetências e, até mesmo, de má-fé de quem destila tantas asneiras como forma de justificar a ausência ou a omissáo do estado e das suas elites.

A intervenção no Rio de Janeiro, se não for acompanhada de um forte esquema de divulgação e preparação da sociedade informando que a situação do país é de estado de guerra e o exército não exerce, pela sua formação e disciplina, poder de polícia mas poder de guerra, para que não venham depois representantes da mídia e dos direitos humanos impedir que o choque no crime organizado seja dado via manobras, protestos, ações judiciais ou esquema protelatórios. Portanto, espera-se  que a intervenção  possa ter consequências saudáveis para a sociedade civil desarticulando todo um esquema dos vários grupos que comandam essa verdadeira tragédia que se abate sobre a sociedade brasileira.

 

O RIO CONTINUA LINDO…

O Rio continua e continuará lindo, apesar da incompetência e da ineficiência dos governos; apesar do consumo acentuado de drogas, pelas próprias elites que clamam por mais segurança; apesar da violência apoiada e estimulada pelo narcotráfico e apesar da corrupção que toma conta de todos os poderes públicos, alí constituídos! Basta verificar que seu ex-governador está preso, seu presidente da Assembleia Legislativa também e seus conselheiros de contas ou foram presos ou estão sendo processados! Apesar de tudo,  o Rio continua lindo!

O poder publico, talvez muito tardiamente, vem propor ações emergenciais diante do verdadeiro caos, em termos de segurança pública, que se instalou no Rio  o qual retrata o problema que ocorre, nacionalmente, pois que o Rio é apenas uma amostra dessa realidade intolerável. É certo que, por razões óbvias, a situação do Rio é,  sem duvidas,  a mais emblemática,  em relação ao domínio do crime organizado e da ampla e generalizada violência no Pais!  E isto teria que ocorrer e ser  como era, esperado, num país onde não há sequer politica de segurança pública!

O imediatismo e o pragmatismo irresponsáveis  que dominam a cena politico-institucional do Brasil, surgem, agora, com duas medidas ou propostas “salvadoras”. A primeira, de caráter mais imediatista, sugere uma intervenção no estado diante do caos instalado e da comprovada incompetência do poder público local para enfrentar a crescente onda de violência em  todo o estado. Cresceram, em demasia, os índices de homicídios, de roubos de cargas, de assaltos a mão armada, de assaltos nas ruas, de arrastões em praias, de roubos de carros, entre outros!  Diante disso, o Governo Federal decidiu, embora tardiamente, decretar intervenção federal no estado.

A segunda proposta ou medida é a criação  de um ministério específico para cuidar da segurança  pública no Pais. Tal ministério integraria e coordenaria as ações hoje dispersas dos vários órgãos federais — Policia Federal, Policia Rodoviária Federal, etc — além  de  buscar implantar um modelo de ação integrada com as polícias civil e militar de Estados e municípios! Também, tal decisão já vinha sendo motivo de especulação das razões que levavam o Governo Federal a não ter tomado qualquer ação, no passado, de forma mais pronta e objetiva. Isto porque as demonstrações de força, de destemor e de ousadia, por parte do crime organizado, em vários estados brasileiros, onde a prática de matança em alta escala ocorreu, de forma chocante, sinalizavam que era preciso dar um basta em tal situação.

O que se espera, a partir de agora, é a apresentação do plano do general responsável pela ingente e complexa tarefa vez que, ao apresentar a sua proposta de ação, talvez venha o mesmo a alegar que lhe venham a  faltar alguns instrumentos e dispositivos que seriam fundamentais a garantir maior eficiência e eficácia a ação da intervenção. Um deles seria aquele que permitiria punir, de forma quase imediata, a parcela de militares comprometidos  com o crime organizado. Isto seria crucial pois basta chamar a atenção para o fato de que as ações de forças federais no combate ao crime no Rio de Janeiro, nos últimos tempos, tiveram resultados pífios em face de “vazamentos” de informações sobre as ações que seriam tomadas.

Também, deverá ser cobrada uma ação articulada com o Conselho Nacional de Justiça e com a OAB, para que se permita afastar, de forma rápida e objetiva,  juízes e procuradores que tenham ou venham a demonstrar conivência com os delinquentes.  Ainda no âmbito da população carcerária não se falou de um possível mutirão para concluir processos criminais de inúmeros presos que se acham trancafiados, sem julgamento ou, pior ainda, sem processos sequer instaurados.

É claro que medidas destinadas a, emergencialmente, aumentar as vagas nos presídios e permitir o isolamento de grandes condutores e líderes do crime organizado no país, ajudaria a garantir maior eficiência à ação interventora. Também nada se disse em relação ao que fazer com essa fábrica de criminosos que são as entidades correcionais de menores. Nenhuma ação nem legal, nem de política ou de caráter mais  objetivo se ouviu sobre o assunto. Afora medidas menores como essa do bloqueio de celulares nos presídios ou a interessante propostas das UPP’S, desde que, acompanhadas das medidas complementares fundamentais ao seu êxito que deveriam e mereceriam  ser rapidamente implantadas, foram sequer mencionadas.

Por outro lado, a criação do ministério deveria vir acompanhada de um planejamento estratégico sobre o que se vai fazer no que respeita as causas da violência que se instaurou no País. Será que a discriminalização das drogas não deveria ser objeto de discussão? Será que a política destinada a menores delinquentes, não deveria ser revista? Será que a idade mínima para a punição de crimes, não mereceria um reexame mais sério e profundo? Será que a discussão sobre a instauração da pena de morte para crimes hediondos não mereceria uma avaliação mais séria e criteriosa? Por que será que um estado como São Paulo consegue reduzir muitos dos índices de criminalidade mais que a quase totalidade dos estados brasileiros, sendo o de maior tamanho populacional? Quais experiências criativas e engenhosas foram desenvolvidas em alguns municípios brasileiros que poderiam ser reproduzidas no País? O que fez a Colômbia para desestruturar o crime organizado? O que faz Nova York para ter um índice tão baixo de criminalidade?

A argumentação de que os recursos para combater a criminalidade são reduzidos não basta para explicar o tamanho da ineficiência que domina o setor no país. Também buscar explicações amplas e genéricas como estabelecer que os desequilíbrios sociais de renda e a pobreza cultural do País respondem por essa avalanche de crimes, não atendem a que se compreenda, efetivamente, a situação. Faltam dados ou elementos para compor um quadro que possa permitir a formulação de uma ação estratégica capaz de alcançar resultados objetivos.

Assim, os temores que pairam sobre as duas propostas é que, diante da pressão das circunstâncias, sejam promovidas ações de afogadilho que em nada resolvem o problema e tendem a consolidar a convicção do crime organizado de que ele foi capaz de criar um estado dentro do próprio estado. Além disso, “last but not least”, qual será a política adotada para que os criminosos do Rio tirem uma folga, fujam para os estados vizinhos e reforcem a estrutura do crime organizado em tais regiões? Os governadores de São Paulo, Minas e Espírito Santo já foram ao Presidente Temer pedir amparo para medidas que inviabilize essa ação dos criminosos. Mas, não só eles mas outros estados também irão pedir tal socorro. Talvez, a partir daí surja uma política nacional de segurança pública.

Está na hora de enfrentamento das grandes questões nacionais pois não satisfaz a sociedade estabelecer culpas e elaborar densos e complexos diagnósticos. Nem tampouco fazer avaliações apoiadas nas causas mais profundas da violência e da criminalidade que discorrem sobre o contexto social de desigualdade que favoreceria a delinquência. Não basta falar, de maneira genérica, sobre impunidade. Também demonstrar que sem investimentos pesados nas áreas de informação e de “Inteligentzia”, nada irá prosperar, representa um lugar comum que em nada irá contribuir para o encaminhamento do problema. A ação há que ser compreensiva, ampla, envolvendo todo o poder público e a sociedade civil, para que resultados objetivos sejam alcançados.

Do contrario, será uma frustração só para uma sociedade indignada com o poder público e revoltada com a classe política.

 

 

MAS É CARNAVAL…


O período dito ou chamado momino, é o tempo em que o país formal tira uma folga de seus afazeres e transfere para após quarta-feira de cinzas, as suas urgências, os seus problemas e até o que poderia ser chamado de seus impasses! Se as instituições e seus líderes assim reagem, o povo, como um todo, também esquece os seus dramas e pressões das circunstâncias e da vida e “deixa pra lá” tudo o mais, mergulhando fundo nesse completo abandono que é a festa carnavalesca! Já se tornou assim por tradição e, qualquer analista acabaria por concordar que tal hábito resulta sendo muito importante para a saúde coletiva e individual dos cidadãos.

No entanto para alguns poucos, aqueles  que  vivem angustiados pelo que ocorre e pode vir a ocorrer com o País, a tendência é buscar aproveitar essa oportunidade para debruçar-se sobre o quadro nacional e começar a se perguntar o que poderá comprometer o amanhã do Brasil! Afora essa coisa quase que doentia que ora se denomina  de “politicamente correto”,  que vem limitando a cultura, os hábitos e a convivência entre as pessoas, pelos seus excessos e radicalismos, o que ora se observa é que, o trauma causado pela impiedosa crise pela qual passou o país e, ao que parece, embora já esteja sendo superada, mudou o humor, reduziu o otimismo e, sem se saber porque, tornou os brasileiros mais agressivos e belicosos na convivência das diferenças.

Na verdade, a agressividade tornou-se uma marca maior dos dias que correm engrossando o caldo de violência que domina o Brasil. Não há mais muito espaço para diálogo. As reações contrárias à atitudes e ao comportamento de autoridades e de homens públicos têm sido de uma agressividade não apenas verbal mas até mesmo física, reeditando o justicialismo ou o “fazer justiça com as próprias mãos”! Os episódios recentes que envolveram a Senadora Gleisy Hoffman, o Deputado Aníbal Gomes e o Ministro Gilmar Mendes, só para citar alguns casos, assusta e requer uma atitude crítica da sociedade e um gesto de respeito à ordem e as instituições, por parte do estado.

Não é possível essa agressividade, esse desrespeito e essa violência praticada por cidadãos comuns, por maior que seja a sua indignação e sua revolta com desmandos e atitudes pouco republicanas de alguns bem como por maior que seja a sua descrença nas instituições. Se a representação política não presta, que se mude os seus membros. Se o Judiciário comete deslizes, que sejam feitas campanhas para que ele assuma os seus erros e que o Conselho Nacional de Justiça venha a tomar uma atitude contra tais abusos e desregramentos. Se isto não for suficiente que sejam mudados critérios de escolha de seus membros e se estabeleçam mecanismos de punição de seus erros mais severas. Que se façam protestos de rua, manifestações de desagrado e que se exteriorize a insatisfação contra pessoas e instituições, mas sem agressões pessoais morais, verbais e físicas pois isto seria aceitar a prevalência de um estado anárquico sobre o estado democrático de direito.

Se isto merece uma reflexão crítica maior, as questões relativas a reforma política já iniciada mas ainda limitada; a reforma do estado reduzindo o seu centralismo, a sua ineficiência, a sua ilegitimidade; a redefinição dos parâmetros da ação da justiça, os limites da ação investigatória do Ministério Público e o fim desses abusos injustificáveis como essas coisas ridículas como o auxílio moradia e outros penduricalhos adicionais, já ajudam a melhorar a credibilidade da instituição.

No mais que se pratique uma política economica que se marque pela busca permanente da estabilidade e da criação de um ambiente propício para que prospere a iniciativa e a criatividade sem se perder em discussões estéreis relacionadas a nacionalismos ultrapassados, esquerdismos vencidos e teses que não se sustentam num mundo marcado pela cooperação, pela integração, pela complementariedade e pela globalização!

É isto que todos os brasileiros desejam e se creem no direito de usufruírem daquilo que a modernidade pode prover. Dos governos o que se quer é que não promovam e ampliem as desigualdades sociais; que não garantam privilégios e vantagens improprias a quem quer que seja; que não limite os espaços à iniciativa privada; que priorize a sua ação maior que é garantir a plena operação do estado democrático de direito e que uma segurança pública, subordinada a uma inteligente política de enfrentamento da violência, seja o ponto alto de sua ação.

É claro que existem outras questões e desafios a serem discutidos e enfrentados mas essas duas questões são basilares para garantir o ir e vir dos cidadãos e permitir que eles busquem a sobrevivência condigna e a sua felicidade!

UMA NAÇÃO PESSIMISTA NÃO PODE PROSPERAR!

O Brasil tem experimentado momentos de rara singularidade. A crise que praticamente devastou o País, reduzindo em quase dez pontos percentuais o seu PIB, desorganizando as finanças públicas e desmantelando a operação da máquina de governo, essa crise parece que foi estancada! E, já faz quase dois anos que, mesmo sendo muito profundo o golpe, aos poucos os problemas vão sendo enfrentados e os rigores das enormes dificuldades vão sendo mitigados.

No auge da crise, poucos imaginavam que a republiqueta de bananas chamada Brasil seria capaz de demonstrar a sua capacidade de recuperação e começar a dar a volta por cima,  começando a repor as coisas em ordem e iniciar a reversão das tendências de queda continuada do PIB e de aumento constante do desemprego!

Apesar da descrença de muitos e do pessimismo das chamadas aves de mau agouro, cada dia que passa os indicadores de desempenho, seja em relação ao ânimo e ao otimismo de consumidores e de agentes produtivos, seja em relação ao comportamento dos principais aspectos econômico-financeiros,  em termos quantitativos, tais dados remetem, a qualquer analista, a imaginar que o crescimento da economia, em 2018, ficará acima de 3,5%, a inflação ficará em torno  da meta e os juros básicos ficarão ao redor de 6,5 a 7,0%. Por outro lado, mesmo em se tratando de um ano eleitoral, a tendência das finanças públicas nacionais é a que o déficit público, caso a reforma da previdência venha a ser aprovada, ficará abaixo dos estimados159 bilhões!

E essas devem ser as expectativas e, até mesmo,  o tom que dominará o sentimento dos brasileiros, ansiosos que o País retome a expansão desejada e possível da economia para que caia, dramaticamente, o estoque de desempregados e, pouco a pouco, os erros e absurdos cometidos no passado,  sejam vencidos. Ou seja, o gasto perdulário e irresponsável, em termos de vantagens e benefícios — incentivos, subsidios, regimes especiais concedidos a segmentos econômicos como aqueles ofertados a indústria auttomobilistica, agronegócio, as micro e pequenas empresas, etc; a deplorável gestão de empresas públicas como a Petrobras e outras mais;  os abusos e a excessiva generosidade dos programas sociais, como é o caso do bolsa-família onde estão sendo suspensos mais de 3 milhões de imerecidos beneficiários se esses excessos forem contidos, o déficit público deverá cair, drasticamente.

Apesar da notícia sobre o rebaixamento da nota do Brasil pela agência de “rating” Standard & Poors, tal fato, parece que, na verdade, não afetou é nem afetará a economia nacional e não reduziu e nem reduzirá o interesse de investidores externos. Pelas informações que se dispõe, há significativos interesses de investidores no segmento de infra estrutura física e urbana, na área mineral e na área de serviços, alëm do segmento altamente dinâmico do agronegócio. Na proporção em que restrições e limitações legais e institucionais forem sendo removidas, o ingresso de recursos externos ocorrerá de maneira bem mais abudante do que ocorreu no ano de 2017 que, mesmo diante da crise e de muitas incertezas, a entrada de recursos líquidos no País ultrapassou os 70 bilhões de dólares.

Mais relevante que tais dados conjunturais e circunstanciais, é fundamental reconhecer que já ultrapassou o Brasil quase 33 anos de exercício democrático continuo, sem interrupções, pós o golpe de 1964! As instituições do estado de direito foram testadas, pelo menos em algumas circunstâncias especialíssimas — Impeachment do Presidente Collor, Mensalão, impeachment de Dilma, Petrolão e prisão de inumeros e renomados cidadãos — e, de fato, conseguiram ultrapassar o “Rubicão”! Ou seja, com todas as suas limitações e fragilidades, as instituições democráticas mostraram-se suficientemente sólidas para enfrentar tais desafios.

Se essa já representa uma referência alvissareira no que diz respeito a operação do estado brasileiro, é bom chamar a atenção para o fato de que, um estado “sebastianista” por excelência , como é o cado tupiniquim, onde os cidadãos acreditam mais nos homens do que nas instituições, esse mesmo País  foi capaz de defenestrar dois presidentes, prender um senador, no exercício do mandato, afastar e prender um presidente da Câmara dos Deputados e um ex- presidente da Casa! Quem ousaria imaginar que o País da impunidade e da esperteza teria capacidade ou a coragem de prender toda a elite dirigente do PT e grande parte dos dirigentes do PMDB, inclusive culminando com a condenação do mais importante e popular líder politico nacional, além de ter posto na cadeia todos os grandes empreiteiros e alguns dos grandes empresários do País?

Dentro dessa mesma linha, alguém imaginaria que todos os ex-presidentes da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, nos últimos vinte anos, o ex-prefeito e ex-governador, além de tantas outras lideranças políticas cariocas, sem que houvesse exacerbação da justiça ou perseguição política nem tampouco a prevalência apenas da vontade política de punir ao invés de se ater a fatos, documentos, testemunhos e documentos que fundamentaram tal gesto?

Ficou marcado na mente dos brasileiros que o país havia mudado, ao assistir a prisão de quase toda a diretoria da Petrobras, do Presidente da Eletrobrás, do ex-Presidente do Banco do Brasil e de dirigentes de varias estatais nacionais trancafiados em face de erros e crimes cometidos neste Brasil que sempre foi marcado pelo fato de que aqui a lei só se impunha aos desvalidos e a impunidade era apoiada e patrocinada pelo próprio poder.

Assim, em função do que se viu, do que se assistiu e do que se presenciou, as coisas começaram a demonstrar que as mudanças iniciaram-se no País e é possível alimentar a esperança de que algo está em processo de construção no Brasil dos dias que correm. È fato que questões estratégicas ainda esperam por um encaminhamento que gere expectativas mais favoráveis, como é o caso da Educação. Mas, mesmo aí, algo de novo parece ocorrer no Brasil quando se verifica que, das 100 melhores escolas públicas do País, 77 estão no interior do Ceará e as escolas privadas de Fortaleza abocanham 43% de todas as vagas do IME, do ITA e da Escola Naval! Também quando se verifica que a melhor rede de ensino municipal do Brasil está localizado na cidade de Sobral, interior do Ceará.

Muita coisa de novo, de bom e de diferente ocorre País afora e as elites não se dão conta de tais fenômenos. Da mesma forma que poucos acreditavam que, diante do buraco em que o País fora lançado, difícil seria reorganiza-lo e fazê-lo retomar o caminho da expansão e da modernização, como ora se assiste.

Assim, apesar de todos os pesares, do pessimismo de muitos e da qualidade da classe política do País, as perspectivas que se apresentam ou que podem ser admitidas, tendem a mostrar que, neste ano, a previsão de um crescimento acima de 3% se concretizará e o desemprego cairá, significativamente. O País ingressa num ciclo virtuoso apesar dos temores com os embates eleitorais que, ao ver do cenarista, em nada afetarão os rumos da economia que, pelo que se sente, mais e mais descolada da economia, encontra-se.

 

 

 

 

 

 

A SENTENÇA DE LULA E O IMPACTO PARA O PT, PARA O PROCESSO POLITICO? PARA O PAÍS

O julgamento das acusações que o Ministério Público imputou ao Presidente Lula, terminou! O Tribunal Federal de Recursos do Rio Grande do Sul acolheu e acatou a sentença prolatada por Sérgio Moro e a tonificou, ampliando a pena para doze anos e um mês. A decisão do Tribunal foi unânime o que limita as possibilidades recursais para a defesa de Lula. Caberão apenas os chamados embargos de declaração que não poderão impor qualquer alteração no conteúdo da sentença. Apenas, segundo o rito processualístico, permite e garante uma espécie de prazo para que Lula e o PT estabeleçam novas estratégias de ação política pois Lula , com isso, ganhará, no mínimo, quatro  meses de sobrevida para impetrar recursos junto ao STJ.

O balanço da decisão não representa apenas uma enorme frustração para Lula mas terá significativos impactos no processo político-eleitoral e, possivelmente, poderá vir a fortalecer a tendência conservadora do eleitorado nacional abrindo espaço para o crescimento de candidaturas centristas tipo Meirelles e Alkimim. O fato maior dessa sentença imputada a Lula é que ela esfria os ânimos petistas e os partidos a ele associados e, numa manobra politica aparentemente engenhosa, começam os petistas a falar sobre a alternativa b — Fernando Haddad — que, seria apenas destinada a ganhar tempo e não queimar as alternativas mais viáveis com que contaria o PT para a disputa presidencial. Seriam elas o ex-governador Jacques Wagner e o Senador Jorge Viana.

A tendência do partido é continuar a exercer o seu legítimo “jus sperniandi” e, de forma ousada e atē agressiva – vide manifestações dos Senadores Gladys Hoffman e Lindenberg Lins conclamando o povo à desobediência civil! –   dizer que Lula será candidato até mesmo  “detrás das grades”. Em verdade o que se conclui é que essa sentença não afetou apenas a vida de Lula e do próprio PT mas desnorteou também  as esquerdas e estimulou e deu ânimo aos grupos que buscam uma candidatura mais conservadora bem como veio a frustrar os sonhos de Bolsonaro que ver esvair-se o alcance de um discurso mais radical e militarizado que a polarização com Lula permitia e estimulava!

As candidaturas de Marina Silva, do Senador Alvaro Dias, de Fernando Collor, de Cristovão Buarque, de Ciro Gomes entre outros, não deverão sensibilizar o eleitorado porquanto nada de novo agregarão nem mesmo se forem os referidos candidatos extremamente criativos no uso das redes sociais. A tendência  do eleitorado  será a de buscar alternativas mais conservadoras, com experiência  em gestão e que partam de uma base eleitoral que alavanque apoios aqui e algures. Ao que parece essa tendência  será alinentada e melhor sustentada se as expectativas já antecipadas por alguns analistas se confirmem relativas ao crescimento da economia. Alguns admitem que a economia brasileira possa crescer acima dos 3,5% e, com isto o ambiente econômico favorecerá o discurso mais conservador!

Assim parece que o que ocorrerå a Lula, caso se confirme a manutenção da sentença do TRF da quarta região bem como os seus naturais desdobramentos,  é que ele não será candidato em outubro próximo e, pelo que se sente, o PT não terá candidato capaz de empolgar o  eleitorado. E tais circunstâncias irão favorecer ao candidato centrista já lançado que é o governador de São Paulo. Por varias razões mas,  particularmente, por não ter que disputar com outro pretenso candidato mais conservador que poderia ser,no caso, o Ministro Meirelles.

Como há uma possibilidade remota de Temer intentar disputar a reeleição, a tendência é que manifeste apoio explícito a Alkimim por varias razões inclusive pela cobrança que os paulistas farão a ele. Adicionalmente, favorece Alkimim o fato de não ter sido alcançado pela LavaJato e por algum outro escândalo . Em segundo lugar, parte ele com o apoio do maior colégio eleitoral do País onde ele assentou bases políticas sólidas pois que é a terceira vez que exerce o governo paulista. Em terceiro lugar, os paulistas não perderão a chance de apostar todas as suas fichas num candidato que representa o seu jeito de ser e as suas aspirações. E, finalmente, um candidato com a máquina do governo de São Paulo e com a força da maior parcela do poder econômico nacional a apoiá-lo, terá poucas possibilidades de amargar uma derrota.

Quanto ao País este vem experimentando dois fenômenos extremamente interessantes para qualquer analista que se detenha a avaliar suas possibilidades e perspectivas. Em primeiro lugar, apesar das dúvidas e incertezas que cercam o seu comportamento, as instituições nacionais têm passados por vários testes e têm se saído com, até certa galhardia, mostrando uma solidez que ninguém esperava que viesse a demonstrar. Em segundo lugar, uma outra característica que o analista tem sistematicamente mencionado, que é o descolamento da economia da política, demonstrado pelas poucas afetações sofridas pelo câmbio e pelo dólar quando surgem problemas políticos de envergadura assemelhada — a prisão de um Senador, de um presidente da Câmara, dos maiores empreiteiros do País, a defenestração de uma Presidente e sentença de prisão do maior líder político do Pais —!

Diante desse quadro e, com o Carnaval se avizinhando, a tendência é que as coisas cada vez mais se acalmem, as manifestações de rua sejam cada vez menores e esparsas e a aceitação de que, com a economia indo bem, o resto não interessa muito aos cidadãos que estarão com os olhos voltados para a copa do mundo de futebol e para  as eleições, fundamentalmente, aquelas que afetam mais de perto as suas vidas, ou seja, as locais!

 

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