A COPA, A RUSSIA E O ”MOOD” DOS BRASILEIROS!

Muitos brasileiros se perguntam se os resultados favoráveis que porventura venham a ser alcançados pela seleção brasileiros de futebol, na Copa em curso, afetarão os sentimentos, o humor e o nivel de otimismo dos brasileiros!  Ou seja, se hoje os brasileiros estão capiongas, macambúzios e sorumbáticos, é possivel que o seu humor, hoje tão em baixa — ranqueado  como o sétimo de “crista mais baixa” entre mais de 30 países no mundo, em recente pesquisa internacional! — como será que reagirão os brazucas caso o Brasil conquiste a Copa, outrora denominada, Jules Rimet? Será que voltarão a sorrir, a acreditar em algo que irá reestabelecer o otimismo e a crença no amanhã, como em outros tempos?

Agora mesmo, diante de um excepcional resultado conquistado na abertura da copa, os russos, sempre pouco sorridentes e, até agora mostrando um certo nível de insatisfação e de reação contrária a um poder que tudo pode e que atropela o exercício de direitos civis fundamentais, considerado, portanto, um governo ditatorial, mostrou entusiasmo e otimismo demonstrados, inclusive, pelo hermético e enigmático Vladimir Putin, quando vibrou e sorriu em face da da goleada aplicada pela seleção russa diante da frágil equipe da Arábia Saudita, enchendo os russos de esperança de que seu time possa sonhar com pódio, ao final do evento.

Assim, admita-se que o Brasil vá bem e, num crescendo, consiga ir agregando fé e otimismo capazes de restaurar um comportamento menos pessimista do que ora toma conta do espírito e do coração dos brazucas. E aí, então, se tais premissas otimistas se concretizarem, talvez, após a Copa, ressurja dai um novo País, menos amargo e menos impaciente, capaz de voltar a apostar nas perspectivas e possibilidades desse imenso e rico Brasil.

Talvez alguém questione  o exercício de cenários possíveis sugeridos ou propostos pelo cenarista. Isto porque o momento que vive o País é tal que dificilmente venha ser possível superar o desencanto e o pessimismo apenas com um possível e discutível entusiasmo pelo velho e amado esporte bretão! Nāo seria bem assim a perspectiva pensada e admitida pelo escrevinhador de tais possibilidades mas a crença de que o ânimo de um povo é, muitas vezes alterado,  por eventos aparentemente sem maior relevância apenas, capazes de mexer com suas emoções, faz acreditar que as coisas possam começar a mudar. E, se há de convir que, se o Brasil superar bem a Suíça, com uma exibição de gala, necessariamente os brasileiros vão acordar segunda-feira com outra crença no País.

Claro que não será uma mudança da água  para o vinho nesse processo de crise existencial que ora perpassa todo o País e o espírito da maioria dos brasileiros,  mas o sentimento e o espírito deverão mudar sendo mais compreensivo com os problemas nacionais e pondo um pouco de fé de  que as coisas vão começar a mudar e mudar para melhor. E, talvez, um episódio como um jogo de futebol dessa dimensão começou a mexer com os corações e mentes dos brasileiros e, com certeza a vitória sobre a Suiça será a marca indelével desse momento de virada da esperança dos brasileiros. Vamos para a luta!

 

 

BRASIL PELO MÉTODO CONFUSO!

Alguma fatos mostram como o Brasil vive um momento complicado e difícil de seu itinerário poltico-institucional. Não seria apenas a acelerada valorização do dólar, a oficialização da sobretaxa do aço brasileiro pelos EUA, a reestimativa do PIB que crescerá não mais de 2%, além de uma Petrobrás cuja ação caiu de 26 para 16 reais, não representariam, com certeza, complicadores de maior relevância. Porém  tais fatos seriam melhor explicitados e avaliados, a partir de uma análise simples das circunstâncias que os motivaram. O primeiro deles registros-se e ainda tem repercussões, que foi todo o “ïmbroglio” gerado pelas trapalhadas criadas pela forma como foi conduzido o processo de administração das consequências da greve nacional dos caminhoneiros.

A instabilidade institucional, os prejuízos econômicos, os desgastes e a queda de credibilidade do poder constituído, provocadas por uma aparentemente simples paralização de uma categoria, também aparentemente inofensiva e poucas vezes criadora de transtornos à ordem pública, chamou a atenção e casou perplexidade a muitos.

O segundo fato e que tem ocupado um espaço maior de mídia, são a divulgação de requentadas notícias ou matérias relativas a documentos “ditos secretos” divulgado pela chamada  “inteligentzia” americana — FBI, CIA e outros entes menos votados — sobre o que foi o regime militar brasileiro, chamando particularmente a atenção para  a corrupção que ali grassou. A insistência com que a Rede Globo tem dedicado tempo e espaço á matéria, como que convocando o País a uma revisão histórica critica daquele período — encerrado  seriam  33 anos! — não apresenta uma justificativa básica para melhorar e aperfeiçoar as instituições t atuais mas um mero denuncismo que, como resultado mais imediato, só leva a uma irritacao maior dos militares. Aliás, a tendência de criminalizar, quanto ao comportamento ético,, os militares de então, parece que só encontra duas motivações.

A primeira destinada a intentar acantonar os militares, notadamente alguns mais inquietos e, errônea e precipitadamente, partícipes da idéia de intervenção militar no processo político-institucional, face a fragilidade do governo constituído. Talvez tal estratégia represente um grande erro porquanto, os líderes mais expressivos das Forças Arrmadas não admitem a idéia de incorrer em tal equivoco. Para eles os tempos atuais, mostram um razoável funcionamento das instituições e o papel estratégico de uma nação com as dimensões econômicas, sociais e políticas do Brasil, no concerto universal. Estas duas constatações  desautorizariam qualquer movimento nesse sentido. Ademais, a sociedade civil não toleraria a volta de um regime ditatorial vez que tem consciência de tudo que há por trás de um regime autoritário, tanto em termos de limitação das liberdades civis, de cerceamento do exercício da cidadania, da imposição de restrições á organização da sociedade civil, enfim, no que respeita às insuportáveis restrições ao ir e vir dos cidadãos como um todo.

Uma coisa passível de aceitação é a busca por parte de historiadores, pesquisadores e estudiosos,  de esclarecer alguns aspectos de um regime autoritário que, em termos das dimensões territoriais e populacionais do Brasil em nada se assemelha ao que ocorreu ao pequeno Chile e a Argentina onde os descalabros, os mortos, os desaparecidos são muito maiores em números e em gravidade do que se fez á natureza humana quanto o que ocorreu no Brasil. Não que não se condene os 350 mortos nos 21 anos de ditadura militar e que não se revejam os erros, os equívocos e os crimes ali praticados. Excessos ocorreram e a a natureza humana que dominava quem detinha o poder, apresentava as mesmas fragilidades da sociedade brasileira com um todo e, portanto, corrupção, desvios de conduta e distorções de comportamento e disfunções de várias ordens, ali também ocorreram.

Certo é que, pelo que a história conta, os presidentes durante o regime militar, todos eles, sem exceção, segundo as informações divulgadas pela mídia, todos morreram sem deixar qualquer patrimônio “fora da curva” nem deixaram beneficiários que poderiam ser apontados como herdeiros de suas diatribes. Com isto se demonstra que, pelo que se avalia, nenhum deles se apropriou de benefícios advindos de tal possível comportamento errático e até criminosos.

O terceiro fato que já provoca irritação nos democratas de princípios e de convicção, tem sido a insistência com que determinados grupos vem pregando, estimulando e apoiando a esdrúxula idéia de intervenção militar no processo político. A exótica idéia não encontra guarida no meio militar e não encontra respaldo na sociedade civil que tem noção precisa dos custos, para ela, de uma ditadura, de qualquer origem, tipo ou jaez!

Ninguém, em sã consciência, mesmo diante de uma economia que está demorando a retomar o ritmo de expansão e que apresenta elevadíssimo nível de desemprego; diante de uma sociedade marcada pela frustração, pelo desencanto e pelo pessimismo de sua população, além da falta de uma idéia-força ou de uma liderança carismática que a faça os brasileiros voltarem a acreditar no sonho e na esperança, acha possível qualquer crise institucional que leve à ruptura das bases e dos princípios do estado democrático de direito. Dessa forma não se acredita que a sociedade venha a apoiar retrocessos institucionais.

 

Claro está que sem sonho não há caminho. Sem sonho não há solução! Mas também, é bom que se consigne que, embora mergulhado em problemas estruturais e institucionais; com uma sociedade onde o pessimismo, o desalento e o desencanto são as marcas maiores; sem a existência de um projeto nacional que mobilize e entusiasme os brasileiros, mesmo assim, esse caldo de cultura tão negativo não desmantelará o que se construiu de 1985 até os dias atuais.

Também, é bom que se registre que essa atitude de buscar um bode expiatório ou de estabelecer que é a classe política a responsável por todos os erros e vícios do País; ou de afirmar que os problemas derivados da fragilidade das instituições ou das questões estruturais da economia nacional, nada disso virá a alterar o curso da vida e a estabilidade institucional do Brasil. Todos esses conceitos e o que divulga e massifica nas redes sociais representam análises pobres ou propositadamente distorcidas da realidade ou voltadas a atender a algum propósito político-ideológico distinto.

A questão central é que os brasileiros ciclotimicos e pendulares como, são além de viverem um momento partícular de crise existencial ainda acreditam que o hoje e o amanhã só mudarão a partir da ação de um sonhado salvador da pátria. E isto representa uma perspectiva pobre e desprovida de qualquer base a não ser a crença em obras do acaso ou em milagres que hoje estão em falta no mercado das crenças.

Finalmente, em situações como as que se vive, questões e erros do passado são tornado públicos e estão a exigir uma acao objetiva e oportuna do poder público. A questão dos altos salários de servidores públicos ultrapassando o teto constitucional, inclusive de funcionários de estatais que vivem de subsídios e auxílios do orçamento da União, não deveriam mais ser tolerados. Também, a movimentação de grupos criminosos ora atacando edificações e entidades públicas além de já terem incendiado mais de 64 ônibus só em Minas Gerais,  merecem uma atenção especial do poder público para que não se desmantele e desmorone o resto que ainda há de respeito às instituições políticas e administrativas do país.

Preocupa a todos os brasileiros esse processo comandado de dentro dos presidios, orientando a demonstração de força e prestígio dos vários grupos do crime organizado como o que ocorreu em Alfenas e Uberlandia, Minas Gerais; Mossoró, no Rio Grande do Norte; no interior de Santa Catarina, Amapá e outros locais. Assusta a resistência do crime organizado à intervenção militar no Rio; o controle de vários bairros no Rio, em Fortaleza e em vários outros pontos do território nacional além do ar e da atitude ameaçadora diante da tentativa do estado de cumorir o seu papel.

SERÁ A HORA E A VEZ DE HENRIQUE MEIRELLES?

Um quadro político sem sal e sem qualquer entusiasmo parece que pode favorecer quem também se pareça com ele. Ou seja, um candidato que não mobilize, sensibilize e empolgue o eleitorado brasileiro, máxime de um país que hoje está marcado por repetecos ou candidaturas à reeleição. Diante disso tenderá, por esse sentimento, não se empolgar com quem que seja e apoiar, mesmo numa espécie de sem querer, um candidato que não lhe leva a pensar, a se questionar ou a adotar uma postura proativa no processo de escolhas eleitorais. Será esse o quadro ou representa uma interpretação errônea da realidade, por parte do cenarista?

Os estados não mostram cenários de qualquer disputa mais ferrenha ou qualquer confronto de idéias, opiniões ou mesmo candidatos com posturas, idéias ou atitudes que os diferencie dos seus contendores. Ou seja, mais uma vez é uma eleição sem qualquer disputa, sem qualquer entusiasmo e sem qualquer apelo à própria disputa e ao confronto. Tudo insosso, tudo sem graça e sem qualquer apelo! O cenarista admite que, a crise dos últimos anos afetou muito profundamente o humor e o “mood” dos brasileiros que deixaram o rol dos países alegres e mergulharam no tenebroso espaço do pessimismo e do desencanto.

É nesse ambiente que se insere a campanha presidencial a ocorrer em outubro próximo, logo após talvez, para os brasileiros, também acompanhar, sem entusiasmo, uma das mais chochas copas do mundo de todos os tempos, notadamente para este que já foi o país do futebol. E, diga-se isto diante de um rol de candidaturas à presidência que se igualam na mesmice e na incapacidade de provocar as massas, de promover o entusiasmo dos eleitores e de empolgar comentaristas e jornalistas afeitos a tais disputas.

Nesse quadro que exibe, como que  as chamadas propriedades organolépticas da água — insípida, inodora e incolor! — um candidato, pela sua história, pelo seu sucesso pessoal e pela sua conta bancária, tende a empolgar os eleitores, principalmente aqueles marcados pelo excesso de oportunismo e de pragmatismo, como é o caso dos que fazem o MDB. Claro que sem a certeza de muita lealdade e fidelidade pois que essas nunca foram as marcas da agremiação — partido que foi capaz de abandonar, no meio do caminho e da disputa, o sonhador Ulysses Guimarães ou o pragmático Orestes Quércia  — e que sempre se justificou por não ser um partido de unidade nacional, mas por expressar os sentimentos dos seus chefetes regionais e as peculiaridades das causas locais, sobrepondo-se as causas nacionais, representa o principal partido que sustentará a candidatura de Meirelles.

Assim, nesse ambiente surge Henrique Meirelles que, sem uma capacidade de comunicação que sensibilize e empolgue, conseguiu que o MDB afastasse as pretensões de candidato de Temer e o ungisse o seu candidato. Claro que o MDB, no seu pragmatismo, negociou com Meirelles que, como ele já havia antecipado que todos os gastos de sua campanha correria por sua conta e, portanto, presumidamente, legaria a parte que lhe tocaria do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral,  aos candidatos a deputado federal e estadual do partido. Ora isto caiu como uma sopa no mel dentro da visão e da perspectiva pragmática do partido.

Certamente tal gesto provoca suspiros nos dirigentes regionais dos vários partidos pois que, ao contar com um candidato rico, muitos eventos e gastos de publicidade poderão ser partilhado por Meirelles e, através de manobras criativas, recursos poderão vir de doações de aliados de Meirelles para atender às necessidades e aspirações de candidatos nos estado como um todo. Por incrível que pareça, apesar das pesquisas terem mostrado Lula ainda à frente das preferências, seguido de Bolsonaro agora mais próximo, quem começa a aparecer é Alkimim com os treze por cento que podem gerar esperança de que possa crescer e vir a ser um disputante no segundo turno! Mesmo assim, Meirelles, conseguindo uma equipe de alto nível, já que ele pode pagar, poderá superar o seu jeitão sem sal, melhorar a sua pobre comunicação e gerar apelos ao eleitorado de um candidato honesto, provado na sua competência na área privada e na área pública pelos dois grandes cargos que ocupou.

Como é sabido, Henrique Meirelles, por dez anos presidente mundial do Banco de Boston, amealhou uma enorme fortuna pessoal o que permite dispor de meios suficientes para bancar uma disputa presidencial sem maiores problemas. Ademais de seu curriculum como banqueiro, apresenta outras credenciais como economista e gestor além de executivo com excepcional e respeitado trânsito na elite financeira internacional, o que o torna, máxime após as experiências como presidente do Banco Central e Ministro da Fazenda, um experimentado político a concorrer à presidência. Na verdade, como diz o marqueteiro Elsinho Moco, Alkimim e Meirelles, diferentemente de Bolsonaro e Ciro que dizem apenas o que fazer, os dois dizem e convencem, mostrando como fazer!

Nas apostas o candidato de centro ficaria entre Alkimim e Meirelles e, mais polêmicos e controversos, Ciro e Bolsonaro, representariam os nomes que se oporiam aos candidatos centristas enquanto Marina Silva continua sendo o patinho feio sem muito a oferecer a não ser o seu pensamento que embira guarde coerência mas que não desperta paixões.

HÁ UMA CRISE INSTITUCIONAL EM GESTAÇÃO?

Muito embora o Presidente Temer viva o pior dos mundos, com a mais baixa taxa de aprovação jamais vista na história do País, a avaliação que se faz é que o primeiro mandatário da nação conseguiu, não se se sabe por que cargas dágua, atrair os ressentimentos de políticos, a pressão violenta dos desapeados do poder e da mídia em geral, em especial da Rede Globo e, por via de consequência, da opinião pública como um todo. Até agora não se sabe, exatamente, por que as restrições a Temer chegaram a essa dimensão pois nunca se viu tanta e tamanha rejeição. E o mais grave: o seu desempenho no comando do País, máxime quanto a recuperação da economia, pode ser considerada, se não plenamente exitoso, pelo menos em nada comprometeu o processo de recomposição de uma economia desestruturada e uma gestão pública desmantelada.

Diante desse quadro, mesmo se mostrando um ser com sete vidas e, até agora tendo administrado todas as pressões e todas as investigações montadas contra ele, parece que Temer experimenta talvez a sua última das sete vidas. Agora, pela primeira vez, sente-se que o Presidente não mais é ouvido e muito menos respeitado. A inabilidade política  demonstrada pelo seu governo na negociação ou na própria condução da chamada greve dos caminhoneiros, deu espaços para avaliações as mais negativas da forma como a administração do processo ocorreu e, em consequência, a um julgamento muito duro do Presidente. Tal relativo fracasso no enfrentamento da questão fica demonstrado pelo fato de, até agora, a greve não ter sido totalmente desmobilizada como pela ameaça de que outros segmentos venham a reproduzir o que fizeram os caminhoneiros como é o caso dos petroleiros, dos profissionais de saúde, da área de educação, os bancários, entre outros.

O quadro fica cada vez mas confuso quando a esquerda, habilmente, aproveita a fragilização do governo para pedir o impedimento de Temer e, pasmem, estimulam todos os movimentos que pedem uma intervenção militar no País diante do presumido quadro de desordem e da impotência do governo para conter os excessos e os abusos de certos segmentos da sociedade. Muitas pessoas, desinformadas ou manipuladas pelas chamadas “fake news” que as redes sociais disseminam ou provocadas por produzidas ou falsas  notícias no chamado WhatsApp, acabam montando um cenário de crise insustentável que insinuaria que uma intervenção militar estaria prestes a ocorrer.

O cenarista não crê na possibilidade de tal intervenção pois os militares, ressabiados diante do ônus que pagaram, por tantos anos, da intervenção de 64, uma maioria consistente e segura de suas convicções não apoia qualquer tentativa dessa natureza apesar de discursos de advertência feitos por chefes militares chamando a atenção para o fato de que a ordem institucional estabelecida não pode ser comprometida por qualquer tipo de atitude de caráter anárquico como parece quererem as esquerdas. Na proporção em que o Supremo começa a decidir sobre personalidades com foro privilegiado, notadamente políticos, o país fica mais calmo e tende a se conduzir sem maiores crises existenciais.

Na verdade, é fundamental chamar a atenção para o fato de que, estando o país na antevéspera de eleições gerais seria imperdoável e injustificável qualquer atitude intervencionista porquanto não haveria respaldo da sociedade civil e dos formadores de opinião para uma ruptura institucional onde o argumento seria apenas vinculado a discussão de legitimidade do presidente que está em término de mandato e a frustração com uma retomada da economia que se esperava fosse atingir os 3% ou mais de expansão para este ano e, após os últimos acontecimentos, a estimativa é de que não alcance sequer os 2%!

Mesmo assim, as atitudes da esquerda de provocação e de estímulo à desordem como vem ocorrendo com as chamadas infiltrações no movimento dos caminhoneiros; do estímulo à  intervenção militar para retomar o seu discurso de golpe; e do oportunismo de empresários e agentes econômicos para tirar proveito da mobilização dos transportadores de carga, tudo isto gera tensões mas não o suficiente para promover uma intervenção militar num país da importância, das dimensões e do papel geopolítico do Brasil.

Ademais, é bom lembrar que na singularidade que é o Brasil, aqui as crises não tendem a se aprofundarem pois nestas plagas “as crises viajam, tiram férias, tiram folga, observam  feriados e dias santos” ou simplesmente dão um tempo para uma reflexão crítica sobre a sua procedência e oportunidade. Leia Mais

A ERA DA ESPERTEZA: O INACEITÁVEL RETORNO!

Um regresso triste e lamentável decorreu dos desdobramentos oriundos ou derivados da paralização promovida pelos camioneiros Brasil afora: a prevalência da esperteza, do oportunismo e do querer levar vantagem mesmo em detrimento de uma sociedade já tão marcada por decepções, frustrações e desencantos. E foi isto que ficou como marca maior desse episódio, ou seja,  o uso do evento dos camioneiros para garantir, a grandes grupos de oportunistas e aproveitadores, ganhos extraordinários e discutíveis em termos éticos mas cujas perdas para uma economia já em crise e para uma população sofrida com um elevado índice de desemprego e com uma significativa perda de renda, notadamente para populações de mais baixa renda, foi muito expressivo.

A crise criada pela paralização dos caminhoneiros que, pelo que se pode antever, além dos notáveis prejuízos já causados e ainda a causar à economia e à sociedade como um todo, também deverá estimular outros segmentos a entrar em greve. Isto porque alguns segmentos da atividade economica se sentem estimulados a tanto  em face das extraordinárias, para alguns, conquistas que, presumidamente, a categoria obteve. Já se manifestam no sentido de promover paralizações assemelhadas fundamentalmente diante de um governo fragilizado e incapaz de agir com a necessária firmeza e determinação que as circunstâncias exigem, segmentos  como os petroleiros, professores e outros mais. Porém, desse quadro complicado que o País vive,  o mais importante é registrar as várias e comprometedoras faces da paralisação que, em parte, frustram e desencantam os brasileiros como um todo.

Ningém, a princípio, acreditava que a modesta categoria dos camioneiros, pelo menos em termos de capacidade reivindicatória, tivesse a competência para construir e conceber, com tanta engenhosidade, um movimento de tal dimensão nacional. E, o que chama a atenção é como foi competentemente financiado e administrado o movimento! E, o que se conclui é que, se não fora o respaldo de grandes interesses corporativos que, obviamente, descobriram como tirar vantagem desse veio reivindicatório dos caminhoneiros. Num primeiro momento  o movimento acabou conseguindo a simpatia e o respaldo popular, um instrumento fundamental a sustentar as bases de inúmeras demandas da categoria. E é aí que entram os grandes grupos empresariais do País. O que se imaginava, ingenuamente, num primeiro momento, era que a paralização fosse uma simples e justa reivindicação de caminhoneiros como que, explorados por uma tributação pesada e injusta e por uma forma de reajuste dos preços dos combustíveis que acabava expropriando parte de sua renda, teriam o justo direito de exigir uma revisão crítica de tal situação.

Ademais, distorções como a cobrança de pedágio de caminhões vazios e a cobrança de taxa pelo chamado terceiro eixo, mesmo quando não utilizado, representavam quase que uma expropriação indevida através de algo que não caberia ser cobrado. O governo tendo perdido o “timing”  da negociação acabou sendo enredada pelas suas próprias trapalhadas e, refém dos interesses de empresários da área de transporte de cargas, de atacadistas, de distribuidores de produtos de toda ordem, particularmente do segmento de alimentos, de medicamentos e de combustíveis, acabou se dobrando as suas reivindicações. Não que se diga que não eram a maioria justas mas, não foram negociadas, de forma correta e justa a não transformar o governo em mero coadjuvante perdedor do processo.

O que na verdade ocorreu e ainda está a ocorrer, é uma enorme manipulação por parte de empresários inescrupulosos, estabelecendo-se um processo de elevação injustificável de preços, criando-se um quadro de escassez  artificializado, impondo pesados ônus aos consumidores. Não basta afirmar que a ação de empresários oportunistas, espertos e aproveitadores é a demonstração de que, mesmo após as duras penas e punições estabelecidas pela Operação Lava Jato,  a cultura brasileira não mudou e a falta de ética prosperou. E, o governo, inerte e sem iniciativa, enfraquecido politicamente, não foi capaz de se impor e de estabelecer regras capazes de coibir abusos e exceções daqueles que não se regram e não se disciplinam por um comportamento com um mínimo de respeito a princípios e valores minimamente requeridos pela convivência democrática.

O que se conclui é que essa foi, segundo os objetivos dos que a conceberam e a promoveram, de fato, a mais eficaz das paralizações ocorridas no país no que respeita aos objetivos e interesses de transportadores, atacadistas, distribuidores de combustíveis, de alimentos e de medicamentos e de outros grupos. Tudo o que foi cobrado, pedido e reivindicado pelos grevistas foi aceito pelo governo, beneficiando um pouco os camioneiros  e muito mais os atacadistas, grandes revendas, transportadoras, etc.

A aliança entre camioneiros e os defensores de outros interesses pouco dignos e pouco éticos, levanta e abre espaços para a discussão de algumas teses antigas que por interesses outros foram sempre esquecidas ou no mínimo, adiado o debate sobre tais matérias. O Brasil náo pode mais operar sobre rodas. O país não pode ignorar seu tamanho territorial e, já e já, tem que implantar a rede ferroviária que o tamanho territorial e as necessidades do País estão a determinar. É absurdo que a rede ferroviária nacional represente um oitavo do tamanho da rede ferroviária americana. É simplesmente desrespeitoso e inaceitável que os cidadãos mais humildes e de baixa renda pague o preço da incompetência governamental em não lhes prover o transporte de massa mais barato e mais acessível.

Também não se concebe que um país com mais de 8.000 quilômetros de costa marítima e uma quantidade enorme de vias fluviais navegáveis não disponha de uma navegação de cabotagem respeitável e que permita o transporte de cargas a tempo e a hora e a um custo competitivo, internacionalmente.

Mas tais questões e problemas que envolvem o sistema de transporte do país a exigir medidas urgentes e objetivas devem ser objeto de uma ampla e profunda discussão com propostas capazes de serem viabilizadas com recursos de onde quer que estejam mas que existem e demonstram  interesse em investir no País. E há demais por aí afora faltando apenas competência, seriedade, compromisso e vontade política para atraí-los para tal empreitada.

NADA QUEBRA A MONOTONIA DA NORMALIDADE!

A indiferença que domina o brasileiros é preocupante. Estando na antevéspera de dois eventos da maior significação para os concidadãos desta terra descoberta por Cabral, isto não os sensibiliza, não os preocupa e nem gera entusiasmo a quem quer que seja. As eleições gerais que ocorrerão em outubro próximo, não incendeiam corações, não despertam paixões e nem geram novas experiências emocionais e expectativas maiores. O pleito parece sem graça, chocho e ninguém se empolga com candidatos ou possíveis idéias ora veiculadas. O clima é de total indiferença!

Se isto ocorre com a politica, mais grave ainda é o que ora sucede com os destinos ou com o futuro da seleção brasileira de futebol, esporte considerado a maior paixão dos brasileiros. O evento não desperta interesse talvez por um torcedor ressabiado e ainda não recomposto diante dos 7 a 1 contra a Alemanha, tomados dentro de casa e que ficaram indelevelmente marcados na vida dos brasileiros. Talvez por isso a seleção e a própria copa do mundo sejam vistas com total descaso e desinteresse caracterizando, tal fato, com certeza a maior prova de desencanto com tudo e com todos, por parte dos brasileiros.

E, o mais grave, é que eventos relevantes estão a ocorrer no País como é o caso da continuação da Lava Jato, das denúncias e prisões que não cessam e, até mesmo a  prisão de algumas figuras que nunca se imaginou pudessem vir a ser presas, como foi o caso de senadores, ex-governadores, deputados, etc,  como, por exemplo, o Senador Luis Estevão, que driblou por dezoito anos a justiça e, agora, o ex-governador de Minas, Eduardo Azeredo que, só agora, dezessete anos depois, tem sentença cumprida. E, a cada dia, mais operações da Policia Federal, mais investigações inclusive em cima do Presidente e mais informações sobre escândalos de corrupção, em estados e municípios brasileiros, atazanam a vida dos cidadãos patrícios.

Ou seja, estão os brasileiros a menos de um mês da estréia do Brasil na Copa do Mundo de Futebol e parece que nada vai acontecer com  o esporte bretão! Se isto passa despercebido, a própria greve dos caminhoneiros, desorganizando a vida de milhões de pessoas, gerando crise de desabastecimento de alimentos e medicamentos, não tem gerado a indignação na dimensão dos transtornos que acarreta. Ademais, a incompetência e incapacidade de atuar no timinho exigido pela situação, gerou esse impasse que até agora, não foi superado.

Aliás, até mesmo o documento da CIA sobre as possíveis responsabilizações de Geisel relativas a determinação de eliminação de vários do inimigos do regime, despertou maiores interesses, a não ser de grupos isolados. Da mesma forma  as opiniões de apoio a uma possível intervenção militar não encontram eco a não ser junto a grupos isolados.

Talvez o evento que represente maior impacto nas preocupações dos brasileiros seja a desistência de Michel Temer de concorrer á reeleição e a definição do PMDB de definir Henrique Meirelles como o candidato a ser sancionado, em Convenção Nacional, pelo maior partido do País. Sendo assim, com isto, praticamente todos os partidos já definiram suas opções eleitorais, faltando, talvez apenas, o PT, que ainda espera por uma decisão do TSE que lhe autorize ou garanta a Lula o direito de se candidatar.

O PT já recorreu a todos os fóruns políticos e jurídicos para liberar Lula da prisão. Recorreu até as Nações Unidas mas, lamentavelmente, para Lula, a decisão daquele órgão foi contrário ao pleito. Resta agora saber quem será colocado no lugar dele para a disputa já que os nomes até agora cogitados — Jacques Wagner, Fernando Haddad — não convenceram aos petistas de sua viabilidade eleitoral.Talvez o PT resolva escolher um nome tipo o Senador Jorge Viana, do Acre ou decida fazer coligação com um outro partido dito de esquerda — e ainda existe a esquerda partidária no País? — como o PSB, vez que o PDT de Ciro o PT  já refugou!

Assim, nem mais os transtornos enraivecem, indignam e revoltam os brasleiros que, indiferente a todos e a tudo, esperam que as próprias circunstâncias sejam capazes de dar sentido à vida e aos seus hoje frustrados projetos. Ou será que algo quebrará a velha monotonia nacional?

 

 

O REPETECO DA VIOLÊNCIA E DA CRIMINALIDADE … E A EXAUSTÃO DA SOCIEDADE!

Existem questões e situações que estão a ocorrer com tanta frequência neste País que levaram a sociedade brasileira a uma certa exaustão e cansaço pois se tornaram tão comuns que já não mais chocam, já não mais geram indignação e, nem sequer provocam uma certa revolta diante da inação ou da incompetência das autoridades constituídas. A quantidade e a diversidade de notícias sobre os mais bárbaros crimes bem como a divulgação de denúncias contra delitos de toda ordem e em todos os espaços territoriais do País, são, nos dias que correm, praticamente a quase única divulgação presente nos meios de comunicação do Brasil.

Se são tantos tais atos de violência praticados por bandidos, assaltantes, milicianos, policiais, malfeitores e gangues, o tiroteio, nas “mentes e  corações” dos brasileiros, é, engrossado pelas denúncias de roubos e assaltos a cofres públicos e por gestos de esperteza de políticos e de agentes públicos inescrupulosos. E isto amplia o leque de dúvidas e de incertezas que toma conta do ambiente público dos brasileiro relacionado à segurança pública nacional. O mais grave de todo esse quadro de angústias é que se observa, por parte da mídia brasileira, como que uma intransigente defesa de direitos humanos, mas muito mais dos que delinquem  do que dos que respeitam direitos e cumprem deveres fundamentais ao exercício da cidadania!

Talvez o Brasil seja a única nação no mundo onde parece haver uma unanimidade de visões demonstrando que aqui o respeito a direitos, notadamente de bandidos e de malfeitores, é tamanho que, muitas vezes, não satisfeitos com a atitude de entidades e policiais. os defensores de taís direitos, diante da reação às vezes, indignada da sociedade, busquem recorrer a organismos internacionais para fazer denúncias sobre o possível desrespeito praticados pela polícia e pela sociedade!

Aliás o Brasil é pródigo numa característica singular: tudo que se busca fazer em termos de legislação na defesa de direitos de toda ordem, sempre se constitui “na melhor que há no mundo” como é o caso do ECA — Estatudo da criança e do adolescente –, o estatuto do índio, do deficiente, da mulher, do meio ambiente, entre outros. Mas é tudo tão exagerado, descabido e acima do que a média da sociedade sanciona que surgem distorções de toda ordem. Aqui, por exemplo, presidiários tem direito a auxílio presidional e não são obrigados a trabalhar, criando-se uma situação contraditória quando os presídios não contam com condições mínimas de sobrevivência, de convivência e de respeito a vida, pela superlotação, pela corrupção e por todos os desvios de conduta de carcereiros, dirigentes e até membros da justiça, envolvidos nos processos.

O que hoje se assiste é que todas as cidades, máxime aquelas consideradas as mais atrativas ao turismo quer nacional, quer internacional, apresentam, com enorme frequência, cenas de selvageria explícita que não escolhem local e não preservam mais áreas livres de tais atos mas, caracterizam a chamada ação dominadora, provocadora e de estímulo ao confronto permanente com os que fazem o poder constituído por parte do chamado crime organizado. Tudo isto leva ao desânimo pois o que o cidadão sente que a impotência do poder público fica demonstrado pelo fato do mesmo não dispor de quaisquer aparatos capazes de deter as ambições daqueles que se dedicam a pratica te tais malfeitos.

E, os cidadãos, intimidados, assustados e impotentes, buscam refúgio atrás das grades que intentam proteger seus lares e familiares e, com isto, abrem mão da legítima ocupação de espaços públicos outrora destinados à convivência democrática. Assustam-se, não só com essas atitudes violentas e ameaçadoras dos grupos delinquentes mas quando sabem e sentem que o que as patrocinam, financiando-as, é o tráfico de drogas, de armas, do roubo de cargas e dos crimes encomendados, sentem a impotência em combatê-los e das instituições que deveriam faze-lo.

E, o mais grave é que, diante de uma ação de governo de maior peso e buscando maior eficiência no combate à violência, como é o caso da intervenção federal no Rio de Janeiro onde, como era esperado, até agora, resultados palpáveis ainda não poderiam ter sido alcançados, mesmo diante da evidência e constatação de tal possibilidade, tal ação do poder público, tem gerado decepção e desencanto em quase todos os cariocas. Porém, se isto já representa um desconforto e uma frustração, o mais sério ainda é que há uma sensação de que toda a mídia parece estar a torcer para que as coisas não deem certo como que levando a uma intrigante suspeição de que jornalistas possam ter afinidades com o mercado de drogas e advogando a favor da delinquência.

E a pergunta que não quer calar é se o poder público, de fato, será capaz de fazer com vistas a deter essa escalada de violência e de impunidade que domina o País? O que se imagina poderia ser realizado, de ação objetiva, capaz de gerar um mínimo de esperança de que os cidadãos não vejam o estado legítimo e democrático substituído pelo chamado estado dominado pelo crime organizado? Nessa linha, surgem as soluções chamadas milagrosas ou salvadoras como a implantação da pena de morte, o aumento da maioridade penal, a simples ampliação do policiamento ostensivo, o aumento do número de presídios, uma política presidional mais efetiva e eficaz, o combate genuíno äs drogas e outras decisões que primam muito mais pela adjetivação e nada dizem de concreto em termos de ações substantivas e conducentes a um encaminhamento objetivo do problema.

E, muitos se perguntam o que fez, por exemplo Nova York, com o seu “Tolerância Zero” para reduzir, drasticamente, a criminalidade? E o que faz hoje a Colômbia para já ter reduzido, substancialmente, a violência nas suas principais cidades como Bogotá e Cáli? Em Nova York o Prefeito Rudolph Giulianni deu prioridade integral a questão e, segundo avaliações simplistas, o que fez que gerou resultados mais objetivos foi aumentar, significativamente, os soldos, remunerações e prêmios aos policiais. Porém o aumento da remuneração dos policiais tem que ser feito de tal forma a garantir-lhes dignidade e, acima de tudo, fazê-los entender o senso de missão e reduzir a sua fragilidade diante das tentativas de cooptação pelo crime organizado.

Esse cenarista acha que tal política só funcionará, gerando resultados objetivos, se os ganhos remuneratórios forem percebidos pela família de tal forma que ela seja a principal fiscal e cobradora de possíveis erros e deslizes que venham a ser cometidos e, ela mesma, para preservar as conquistas, exija a penalizacão, através da perda de direitos como a casa própria, o seguro de vida, a escola de boa qualidade para os filhos, o acesso a bens culturais e, por fim, a inserção do policial e da família na sociedade civil organizada.

Por fim, a discriminalização das drogas, penas pesadíssimas para os delitos como tráfico de drogas e de armas além daqueles crimes relativos à venda de armamento de uso exclusivo de militares bem como uma mobilização intensa da sociedade contra deslizes da Justiça aliada a uma objetiva ampliação de forças policiais treinadas e com orçamentos suficientes para financiar tais atividades, tais medidas podem gerar um novo caminho para a construção da sociedade que se quer, se deseja e que se tem direito..

PARA ONDE O MUNDO VAI E PARA ONDE VAI O BRASIL?

O mundo contemporâneo experimenta, como em vários momentos da história, uma espécie de ciclotimia. Ora vive circunstâncias de sobressaltos diante de ameaças de conflitos entre potências e grupos politicamente diferenciados em suas aspirações e desejos ou, por outro lado,  enfrenta temores diante da expansão de segmentos políticos, de grupos  separatistas ou de grupos  religiosos que se alimentam, muitas vezes, de atos terroristas para fundamentar suas idéias, crenças ou condições como, por exemplo, certas parcelas do mundo islâmico. Afeganistão, Síria, Iraque, Turquia, entre outros, vivem, permanentemente, administrando conflitos, muitas vezes, de caráter sanguinolentos.

Também, em  outras oportunidades, o mundo vive as atitudes erráticas derivadas de comportamentos exóticos como os de um contumaz e inveterado falastrão cujas ações ou proposições beiram a irresponsabilidade, como é o caso do desmiolado Trump. Agora mesmo, em mais uma exibição de poder, sem avaliar as consequências pra mundo é para a própria imagem dos Estados Unidos lá fora que piora, sensivelmente, o Presidente decidiu romper o acordo nuclear com o Irá. Isto trará consequências econômicas, sociais e políticas náo avaliar pelo “dono do mundo”.

Se isto já assusta grande parte do mundo, a exibição de calculismo, de frieza e de ânsia em aparecer para o mundo como um  tzar dos novos tempos e, com isto, tentar recuperar a grandeza passada do império soviético, na figura do ex-KGB, o enigmático Putin, põe mas lenha na fogueira e leva a solavancos nas relações entre Estados Unidos e Rússia. De sobra o mundo ainda tem que conviver com a histrionice de um jovem detentor do poder na Coréia do Norte que, vez por outra, ameaça a humanidade com o possível uso de seus brinquedinhos na forma de mísseis intercontinentais e de armas nucleares.

Mas, apesár de tais exteriorizações de poder e exibicionismos, parece  não haver risco de o mundo enfrentar uma grande catástrofe pelo apertar de um botãozinho na hora errada por algum tresloucado líder de uma das grandes potências mundiais. As salvaguardas, os controles e o sentido de responsabilidade que dominam as forças armadas de tais nações impedem que se corra tais inusitados e perigosos riscos. A tendência é que as coisas fiquem só nas ameaças e sejam superadas pelo bom senso, pelo equilíbrio e pela dimensão dos estragos irreparáveis que tais decisões poderiam gerar para o futuro da humanidade.

Assim, por mais que se queira ser pessimista quanto ao futuro do mundo em decorrência de conflitos insuperáveis entre povos e nações, a tendência é que, riscos maiores se tem, muito mais diante da degradação do meio ambiente, dos desequilíbrios gerados capazes de alterar o regime dos mares, dos problemas derivados das drogas de toda ordem e de um sem número de fatores que alteram o ir e vir, o respirar, o conviver e o viver dos povos. Fora tais adversidades, o mundo marcha para mais e mais conquistas na medicina, no antecipar catástrofes, no monitorar desequilíbrios físco-espaciais, no conhecer mais profundamente a mente e o organismo humano, além de outros avanços e incursões científicas, permitindo que os tratamentos de doenças, sequelas e problemas sejam mais bem sucedidos e não gerem riscos inaceitáveis à vida e ao destino das pessoas.

Quando se olha o Brasil também nessa perspectiva, o que se assiste hoje é um muito mais um País sem vontade, desestimulado, desprovido de entusiasmo para o enfrentamento dos seus problemas e desafios do que outros temores que assaltam nações divididas por problemas étnicos, raciais, religiosos ou insuperáveis divisionismos regionais. E, mesmo que não existam tais riscos, lamentavelmente, hoje o Brasil, sem maiores razões e causas, é uma nação em estado de inaceitável belicosidade onde, o homem cordial do passado viu-se superado pelo homem do conflito, do desentendimento, da provocação e da descrença em tudo e em todos.

Hoje todas as manifestações públicas que se assiste, são de revolta, de insatisfação e de uma ânsia em confrontar tudo aquilo que, por alguma razão, as pessoas têm discordâncias ou se sentem, de algum modo, insatisfeitas ou prejudicadas. O Brasil hoje é um País mergulhado no desânimo e, mais que isto, além de não acreditar nos seus líderes e nas suas instituições,  não tem quase nenhuma parcela de tolerância, de compreensão e de paciência com as divergências e com as diferenças.

Nem os avanços alcançados como os que a Lava Jato já conseguiu e vem conseguindo no sentido de fazer com que a sociedade volte a acreditar na sua instância maior, a Justiça, tem sensibilizado os brasileiros. Os principais líderes políticos, os mais importantes empreiteiros, muitos gestores públicos conhecidos e, até bem pouco, respeitados, foram presos, desmoralizados e mostrados a uma nação acostumada com a impunidade, com uma pitada de indignidade, mostrando que, em toda a história recente do Brasil, nunca se assistiu a tal atitude das autoridades constituídas.

E isto, diga-se, a bem da verdade, representou um grande avanço diante de uma sociedade permissiva em licenciosidades e delinquências. E, o próprio Congressso, tão desacreditado e tão desmoralizado, mesmo assim foi capaz de aprovar uma Lei da Ficha Limpa que irá  enxotar, com certeza, figuras mal vistas e com currículos questionáveis das chances de concorrer a cargos públicos, mesmo tendo meios e mais meios, tanto lícitos quanto ilícitos.

Esse mesmo Congresso também foi capaz de aprovar legislação dura relacionada aos gastos eleitorais  e também aprovou norma capaz de inviabilizar os chamados partidos ou siglas de aluguél. Assim, hoje o Brasil já conta com legislação específica destinada a reduzir a proliferação de uma enxurrada de partidos políticos como sói ocorrer até agora. A partir da  aprovação da chamada Cláusula de Barrreira essa farra não mais ocorrerá. Diante das desconfianças da sociedade e diante da natural ânsia de sobrevivência dos Parlamentares, não se pode deixar de afirmar e reconhecer que o que se conquistou, através desse Legislativo tao desacreditado,  foi da maior relevância para os destinos do País. Claro que se podia querer mais e o Brasil precisava de mais. Mas, o que já foi alcançado representou um notável avanço.

Não obstante essa possível embora inaceitável frustração de expectativas da sociedade civil brasileira, é fundamental entender que os ganhos na construção de uma nova moral e uma nova ética para o país e, na recuperação ainda que parcial, da confiança na Justiça, já significou um grande avanço. Se isto já não bastasse,  duas medidas que se complementam para estabelecer uma nova atitude na sociedade foram recentemente aprovadas. No caso o chamado fim do foro privilegiado que, aliada a uma decisão de permitir a prisão de alguém apenado por órgão colegiado, em segunda instância, estabeleceram novos paradigmas de convivência na sociedade brasileira.

Assim, espera -se que os brasileiros, numa reflexão crítica mais compreensiva e indulgente,  diminuam o seu pessimismo pois que, com certeza,  algo de novo está a acontecer neste País ora deprimido mas que, se avaliar bem o que já se conquistou, irá  concluir que o Pais avançou, deveras. Portanto, é tempo de reflexão crítica e de buscar recuperar a crença e o entusiasmo nesse país tantas vezes visto como o País do Futuro mas que, parece ter chegado  a hora de concluir que a hora é agora e não adianta lamentar erros e equívocos cometidos em passado recente. Nem e’ mais hora de chorar o chamado “leite derramado”  em face dos inúmeros erros cometidos pelos seus líderes em passado recente e nem derramar lágrimas pelo ônus que os brasleiros sofreram e ainda sofrem até hoje. Para a frente é que se anda e que se caminha.

POLÍTICA URBANA: POR ONDE ANDARÁS?

O desabamento do edifício no centro de São Paulo deixa saldo trágico e sequelas graves, não apenas diante das possíveis 44 vítimas fatais, mas dos prédios atingidos na vizinhança, além das constatações adicionais como a existência de cem outros prédios passíveis de enfrentar tragédias semelhantes, na cidade de São Paulo. A tragédia revela também que o governo — federal, estaduais e municipais — detém ou dispõe de mais de 650 mil prédios, terrenos ou edificações, espalhado por todo o País, mas que só tem registro oficial de cerca de 150 mil! E desses, quantos não se encontram com riscos de desabamentos como o que ocorreu em São Paulo?

Tais dados e informações revelam que, entre tantos problemas vivenciados pelos cidadãos urbanos, essa constatação, de graves e potenciais desdobramentos, conduz à conclusão que inexistem diretrizes e políticas destinadas ao enfrentamento da grave questão urbana nacional. Ou seja, a problemática urbana nacional, em face de seus desafios e dificuldades,  nunca foi objeto de preocupações e de ações objetivas por quem de direito. Se hoje moradores das cidades já convivem com a dramaticidade da violência e do crime organizado; com um déficit habitacional no País que atinge números deveras dramáticos pois são mais de 6,2 milhões de famílias, sem teto e ao Deus dará e se cerca de 55% das famílias não têm acesso ao esgotamento sanitário e mais de 15% delas ainda não dispõem de abastecimento de água potável, como se isso fosse pouco, ainda sofrem com o dramático e, espera-se, circunstancial problema do desemprego.

Ademais, o transporte de massa, caótico, precário e desorganizado, ainda se constitui em um sonho de uma noite de verão apesar da urgência que a realidade impõe à sua solução. Projetos de metrôs, VLT’s, trens urbanos, etc, não andam e o transporte de ônibus é de uma dramaticidade sem igual. Ou seja, não se dispõe de diretrizes e políticas para enfrentar tais desafios tão urgentes bem como para encarar problemas dramáticos como esse conjunto de tragédias urbanas que se consubstanciam na violência, no crime organizado, na questão do menor abandonado, no descaso com a terceira idade, na inexistência de qualquer ação isolada destinada ao enfrentamento do problema do saneamento ambiental, questão sempre adiada, além de todas essas mazelas que atormentam a vida dos moradores das cidades.

Tudo isto por falta de uma política de desenvolvimento urbano consciente, coerente e objetiva porquanto a velocidade da urbanização do País, a negligência do poder público e a insensibilidade da própria sociedade civil de pensar o seu hoje e o seu amanhã, deixam um triste e pesado legado, quase que insuperável, na sua dimensão e urgência, para o seu enfrentamento, através de soluções adequadas e oportunas.

Na verdade adjetiva-se muito e substantiva-se muito pouco. Os políticos e os homens públicos não vão além de frases feitas caracterizando uma retórica abstrata e que não gera sequer reflexões críticas. Os movimentos de protestos surgidos, com muita frequência, apenas refletem posturas e compromissos ideológicos ou partidários que nada dizem e nada tem a ver com o encaminhamento ou equacionamento de problemas tão críticos e graves. Na verdade, movimentos que se esperaria gerassem o que o cenarista chama de esperança consequente, nada agregam e nada dizem.

E tudo marcha não se sabe para adonde e não se sabe o quanto a “corda espichada” ainda aguenta de tensão e de pressão. Essa avaliação do cenarista, tão avesso a visões pessimistas, representa não apenas  uma apreciação desolada do quadro experimentado pelos cidadãos urbanos brasileiros — são mais de 80% da população total! — mas, acima de tudo, um grito de alerta diante do caos que já se pode antever que se instalará no País pois os problemas mais e mais se acumulam e mais e mais se potencializam. E, pode chegar a um momento em que uma sociedade sem fé e sem esperança, marcada já pela intransigência e pela intolerância, não encontre mais ânimo para repensar o seu itinerário.

É uma pena que o País do chamado “homem cordial” e que sempre se mostrou otimista e com uma invejável alegria de viver, hoje esteja mergulhado num pantanal de frustrações, desencantos e desilusões. E, com isto, também hoje domine o pessimismo e a descrença num amanhã melhor. Sem entusiasmo e sem crença no futuro, combustíveis essenciais à própria viabilidade do País, as possibilidades de expansão e de crescimento do Brasil perdem força e potencialidade.

Um país se faz com homens e com idéias. Mas, não seria só isto.  Sem ânimo, sem entusiasmo, sem equilíbrio emocional de seus concidadãos, dificilmente se construirá um futuro de desenvolvimento e de paz social.

UM MUNDO DIVIDIDO E UM BRASIL INTOLERANTE!

A intolerância e a desconfiança, na maioria das vezes frutos das divergências políticas ou das desigualdades sociais demonstradas, neste ultimo caso, por ações e gestos discriminatórios ou auto-discriminatórios, tem levado a uma divisão da sociedade deveras perigosa,  como já vem advertindo o cenarista nos seus vários comentários. O Instituto IPSOS divulgou resultado de pesquisa realizada em vinte e sete países no mundo onde a Sérvia é lider nessa triste avaliação e, pasmem, sem conflitos históricos, sem divisionismos provocados por regionalismos, sem questões étnicas ou divergências religiosas insuperáveis, o Brasil fica em sétimo lugar!

84% das pessoas demonstram preocupação e dizem, taxativamente, que os seus países estão divididos. No Brasil, 62% dos entrevistados concluíram que o país está mais rachado do que há dez anos atrás e, o mais grave,  é que 84% das pessoas cultivam algum tipo de intolerância derivada de divergências em termos de preferências e opiniões políticas ou por indignação e revolta com instituições e lideranças políticas, principalmente, ou ainda pela frustração e desencanto em face da crise econômica que se abateu sobre elas.

A perda de poder pelo PT e pelas chamadas difusamente de esquerdas, levou a frustrações, perda de posições e colocações, redução do acesso a fontes públicas de financiamento a projetos sociais além da revolta com a perda de emprego e renda derivada da crise são ingredientes que aumentaram a pressão na panela e geraram esse crime de revolta, indignação e rebeldia conducentes  a esse clima de angústia, dificuldade de convivência e a intolerância que hoje domina a cena social.

Ademais, outros fatores que hoje angustiam o cidadão e levam a esse estado “de nervos” como, por exemplo, os temores com a insegurança e a violência que se espraiou pelo Pais  como um todo e, a falta de crença em qualquer instituição que poderia representar uma espécie de último recurso ou uma quase tábua de salvação diante das intempéries da vida, completam esse clima de beligerância. A atitude hoje presente no meio dos brasileiros de querer “ver sangue” e de “buscar fazer justiça com as próprias mãos”, levou a esse quadro de intolerância e de revolta constatada pelo estudo. Um ingrediente fundamental a alimentar esse espírito belicoso é o uso abusivo e a falta de controle ou um mínimo de regras ou de disciplina no uso das redes sociais onde o destempero tem se mostrado frequente e as “fake news” alimentam esse clima de intransigência e belicosidade.

O pleito eleitoral talvez abra espaços para que tais manifestações de agressividade se intensifiquem como ora ocorre no futebol que só tem sido menos intensas porquanto a repressão policial tem sido dura e a punição ao impedir a frequência de grupos e de torcidas organizadas delinquentes,  tem levado a disputas, muitas vezes, com estádios vazios.

A preocupação maior é que o estudo não trouxe propostas, idéias e recomendações do que fazer diante desse estado de coisas. Na verdade o que se imagina é que, a própria operação Lava Jato,  ao recuperar a crença na Justiça, apesar das atitudes controversas e, às vezes, questionáveis, dos membros do STF, poderá contribuir, ao lado da recuperação da economia e do emprego, para desestressar a sociedade. E, se Tite conseguir o título mundial, é bem provável que um Carnaval fora de época ajude à reconciliação nacional.